Campo-Santo Alma Inquieta · Capítulo 21 de 41
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Campo-Santo

Os anos matam e dizimam tanto

Como as inundações e como as pestes...

A alma de cada velho é um Campo-Santo

Que a velhice cobriu de cruzes e ciprestes

Orvalhados de pranto.

Mas as almas não morrem como as flores,

Como os homens, os pássaros e as feras:

Rotas, despedaçadas pelas dores,

Renascem para o sol de novas primaveras

E de novos amores.

Assim, às vezes, na amplidão silente,

No sono fundo, na terrível calma

Do Campo-Santo, ouve-se um grito ardente:

É a Saudade! é a Saudade!... E o cemitério da alma

Acorda de repente.

Uivam os ventos funerais medonhos...

Brilha o luar... As lápides se agitam...

E, sob a rama dos chorões tristonhos,

Sonhos mortos de amor despertam e palpitam,

Cadáveres de sonhos...

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