Rei destronado Alma Inquieta · Capítulo 28 de 41
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Rei destronado

O teu lugar vazio!... E esteve cheio,

Cheio de mocidade e de ternura!

Como brilhava a tua formosura!

Que luz divina te dourava o seio!

Quando a camisa tépida despias,

-- Sob o reflexo do cabelo louro,

De pé, na alcova, ardias e fulgias

Como um ídolo de ouro.

Que fundo o fogo do primeiro beijo,

Que eu te arrancava ao lábio recendente!

Morria o meu desejo... outro desejo

Nascia mais ardente.

Domada a febre, lânguida, em meus braços

Dormias, sobre os linhos revolvidos,

Inda cheios dos últimos gemidos,

Inda quentes dos últimos abraços...

Tudo quanto eu pedira e ambicionara,

Tudo meus dedos e meus olhos calmos

Gozavam satisfeitos nos seis palmos

De tua carne saborosa e clara:

Reino perdido! glória dissipada

Tão loucamente! A alcova está deserta,

Mas inda com o teu cheiro perfumada,

Do teu fulgor coberta...

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