Vinha de Nabot Alma Inquieta · Capítulo 24 de 41
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Vinha de Nabot

Maldito aquele dia, em que abriste em meu seio,

Cruel, esta paixão, como, ampla e iluminada,

Uma clareira verde, aberta ao sol, no meio

Da espessa escuridão de uma selva cerrada!

Ah! três vezes maldito o amor que me avassala,

E me obriga a viver dentro de um pesadelo,

Louco! por toda a parte ouvindo a tua fala,

Vendo por toda a parte a cor do teu cabelo!

De teu colo no vale embalsamado e puro

Nunca descansarei, como num paraíso,

Sob a tenda aromal desse cabelo escuro,

Olhando o teu olhar, sorrindo ao teu sorriso.

Desvairas-me a razão, tiras-me a calma e o sono!

Nunca te possuirei, bela e invejada vinha,

Ó vinha de Nabot que tanto ambiciono!

Ó alma que procuro e nunca serás minha!

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