Elucidário Rosa mística · Capítulo 7 de 7
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Elucidário

Elucidário

ELVCIDARIO

HY.MNARIO

Este livro é o primeiro canto de um

lher, a este Omnipotente Feminino, o

unico Deus que adoro, o Espírito Santo

do .Mundo, deante do qual eu e os

outros somos apenas a carne vil que

apodrece. Celebra-se neste preludio a

Divindade da .Mulher Virgem. Seguir­

se-ão os outros hymnos da tetralogia:

.Myrno Enamorado, Regírra é umGIJ

aclmiravel iniciada no Culto são e no­

bre, Eros e Aphrodite semeamdo o

amor ~m todos os dias de sua vida.

O hymno triumphante entoado por

esta mulher, cujo labio é uma irresis-

I 51

tivel provocação e cuja nuca é um

ninho quente de inextinguível sensua ­

lidade, floração aromada da carne,

se:Fá a glorificação cla Mulher amante.

Liz Impolluto, iris no ceo claro, Ro­

mana, será uma visão mirifica, divina­

mente humana, cuja aureola illuminará

uma apotheose á Mulher Mãe.

Victoria, o Loiro Fructescente, é o

ideal da Mulher futura, mixto prodi­

gioso de essencias preeiosas; serena e

magestosa eomo uma das feições da

deusa grega, Pallas Athene, omnipo­

tente e omniprevidente como a Mulher

forte das Escripturas, será sempre uma

mulher, amphora plena de todos os

balsamos, pyxide immaculada onde se

acolherão as aspirações mais subli­

madas e de onde sahirão as alegrias

mais robustas.

Terá como Santa a Alma virgem,

como Regina terá a religião do amor

e passará, Mãe Fecunda. Liz Impol­

luto, como Romana, Conselho Illumi­

nado, alento constante, atravéz da

existencia. Victoriosa e triumphante,

em cada momento da vida semeará

sobre o mundo uma alegria vivaz,

uma felicidade imperecível.

I 52

Longo tempo cogitei indeciso como

deveria baptisar este meo sonho. Por

fim acudiu-me a memoria um dístico

de uma litania ouvida outrora eni um

Templo e depois tantas vezes lida nas

paginas sagradas dos Antiphonarios,

em que a Virgem era chamada Rosa

Myst ica.

Pareceu-me admiravel este conjuncto

em que uma palavra immaterial, feita

da névoa aromada do incenso e .da

alvura intacta das hostias qualificava

a mais carnal das flores, a que melhor

symbolisa a fiammula de uma paixão

vehemente .

Elle traduz inteiro meo sonho . Atma

como a oUltlra Virgem, flôr do Templo é

Rosa, mas rosa que não se deve polluir.

A physiologia proteste embora, não

se póde conceber um cimo ideal de

pureza mais alto que o da Virgem

Mãe, alvura immanchada de uma, co­

roada por scintillações inapagaveis da

aureola da outra, sem a transição im­

pura por um amor indigno.

Fôra assim Atma outr'ora: hoje que

não baixam mais a Terra os anjos,

Atma devia morrer .

Se ahi ha um cahos de imprecisão

da notação das formas, se a palavra

nem sempre é justa, se aqui ha de­

masias, para além surgirem l'acunas,

não me importa, pois os sonhos nem

sempre tem o dom precioso da ordem

e da clareza: são de si sempre vagos,

muitas vezes imprecisos, algumas in­

coherentes.

A obra de arte deve para durar e

para seduzir offerecer uma dupla con­

dição, ter uma idéa que a robusteça

como alma, e uma forma que a in­

carne, vestindo - a exactamente como

o corpo. Da deshavença destes dois

factores, da ascendenci1l. de um sobre

o 0utro, resulta um producto mons ­

truóso, destinado a não viver e a não

seduzir, ou a dllirar mas a não agra ­

dar ou ainda a agradar mas para mor ­

rer ephen>1eramente. Sem uma idéa

que a anime a forll)a é ouca, sem uma

forma que a vista a idéa é aspera e

intransm issível.

Sei bem que escrevó para poucos;

nã0 me lastimo, antes me ufano por~

GJ.lile sei mais ainda que o Culto do

Sym,bolo é Religião para alguns J:ni~

dados, Arte Esoterica incomprehen~

da por dif:ficil, preciosa e por 1sso

desprezada .pelo vuil.go profan0.

FIGVRAÇÕES

Para incarnar idéas simples escu~

sam~ se palavras complicadas. Busquei~

as despFeoceupadamente. Se out•os

nomes melhor lhes ajustam, chrismem~

as a seo talante os que me compre­

henderem. A mim me bastam as idéas

que os animam: Alma, ignorante con ­

fiança dos Puros, santa e immacula­

vel . . . Sentimento, conselho am~go,

desv€llilado e previdente . . . Desejo,

atormen.tação diaboli .ea da carne, pol­

luta e miseravel, mentindo para vencer.

Egregor é o espirito de todos os

tempos ' que soffreu o passado mas qu.e

entreviu o futuro; alma contradictoria

de homem tem por vezes as fraquezas

de uma sync0pe pessimista pa:ra ela-n.-

ISS

çar -se depois na subjectivação de uma

arroubada idealidade; se tem um pas­

sado negro de dôres e so:ffrimentos

necessarios soabe tam.bem crear um

prodígio de graça, um esboço de mu:

lher, previsão de um futuro magnífico.

Atroa, a mulher do futuro, inoppor­

tuna num tempo de degradação, só

podia degradar-se ou morrer.

Nehem, o homem de hoje, um de­

mania corruptor deve expiar . o mal

que espalhou pelo mundo immerso na

furia da loucura até o anniquilamento

final.

Egregor reapparecerá, lavadas todas

as máculas do espírito antigo, enrobu­

rados todos os valimentos do presti­

gio novo.

Atroa, inopportuna hoje, renascerá

amanhan na mulher ideal para rir a

felicidade na Terra .

Só elle, o damnado ficará defini­

tivamente morto na gehenna que me­

receu: sobre o Mundo o Homem Novo

e a Mulher Idéal, fortes, serenos,

sobrehumanos cantarão o hymno co­

lossal da Victoria na Terra.

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