Elucidário
Elucidário
ELVCIDARIO
HY.MNARIO
Este livro é o primeiro canto de um
lher, a este Omnipotente Feminino, o
unico Deus que adoro, o Espírito Santo
do .Mundo, deante do qual eu e os
outros somos apenas a carne vil que
apodrece. Celebra-se neste preludio a
Divindade da .Mulher Virgem. Seguir
se-ão os outros hymnos da tetralogia:
.Myrno Enamorado, Regírra é umGIJ
aclmiravel iniciada no Culto são e no
bre, Eros e Aphrodite semeamdo o
amor ~m todos os dias de sua vida.
O hymno triumphante entoado por
esta mulher, cujo labio é uma irresis-
I 51
tivel provocação e cuja nuca é um
ninho quente de inextinguível sensua
lidade, floração aromada da carne,
se:Fá a glorificação cla Mulher amante.
Liz Impolluto, iris no ceo claro, Ro
mana, será uma visão mirifica, divina
mente humana, cuja aureola illuminará
uma apotheose á Mulher Mãe.
Victoria, o Loiro Fructescente, é o
ideal da Mulher futura, mixto prodi
gioso de essencias preeiosas; serena e
magestosa eomo uma das feições da
deusa grega, Pallas Athene, omnipo
tente e omniprevidente como a Mulher
forte das Escripturas, será sempre uma
mulher, amphora plena de todos os
balsamos, pyxide immaculada onde se
acolherão as aspirações mais subli
madas e de onde sahirão as alegrias
mais robustas.
Terá como Santa a Alma virgem,
como Regina terá a religião do amor
e passará, Mãe Fecunda. Liz Impol
luto, como Romana, Conselho Illumi
nado, alento constante, atravéz da
existencia. Victoriosa e triumphante,
em cada momento da vida semeará
sobre o mundo uma alegria vivaz,
uma felicidade imperecível.
I 52
Longo tempo cogitei indeciso como
deveria baptisar este meo sonho. Por
fim acudiu-me a memoria um dístico
de uma litania ouvida outrora eni um
Templo e depois tantas vezes lida nas
paginas sagradas dos Antiphonarios,
em que a Virgem era chamada Rosa
Myst ica.
Pareceu-me admiravel este conjuncto
em que uma palavra immaterial, feita
da névoa aromada do incenso e .da
alvura intacta das hostias qualificava
a mais carnal das flores, a que melhor
symbolisa a fiammula de uma paixão
vehemente .
Elle traduz inteiro meo sonho . Atma
como a oUltlra Virgem, flôr do Templo é
Rosa, mas rosa que não se deve polluir.
A physiologia proteste embora, não
se póde conceber um cimo ideal de
pureza mais alto que o da Virgem
Mãe, alvura immanchada de uma, co
roada por scintillações inapagaveis da
aureola da outra, sem a transição im
pura por um amor indigno.
Fôra assim Atma outr'ora: hoje que
não baixam mais a Terra os anjos,
Atma devia morrer .
Se ahi ha um cahos de imprecisão
da notação das formas, se a palavra
nem sempre é justa, se aqui ha de
masias, para além surgirem l'acunas,
não me importa, pois os sonhos nem
sempre tem o dom precioso da ordem
e da clareza: são de si sempre vagos,
muitas vezes imprecisos, algumas in
coherentes.
A obra de arte deve para durar e
para seduzir offerecer uma dupla con
dição, ter uma idéa que a robusteça
como alma, e uma forma que a in
carne, vestindo - a exactamente como
o corpo. Da deshavença destes dois
factores, da ascendenci1l. de um sobre
o 0utro, resulta um producto mons
truóso, destinado a não viver e a não
seduzir, ou a dllirar mas a não agra
dar ou ainda a agradar mas para mor
rer ephen>1eramente. Sem uma idéa
que a anime a forll)a é ouca, sem uma
forma que a vista a idéa é aspera e
intransm issível.
Sei bem que escrevó para poucos;
nã0 me lastimo, antes me ufano por~
GJ.lile sei mais ainda que o Culto do
Sym,bolo é Religião para alguns J:ni~
dados, Arte Esoterica incomprehen~
da por dif:ficil, preciosa e por 1sso
desprezada .pelo vuil.go profan0.
FIGVRAÇÕES
Para incarnar idéas simples escu~
sam~ se palavras complicadas. Busquei~
as despFeoceupadamente. Se out•os
nomes melhor lhes ajustam, chrismem~
as a seo talante os que me compre
henderem. A mim me bastam as idéas
que os animam: Alma, ignorante con
fiança dos Puros, santa e immacula
vel . . . Sentimento, conselho am~go,
desv€llilado e previdente . . . Desejo,
atormen.tação diaboli .ea da carne, pol
luta e miseravel, mentindo para vencer.
Egregor é o espirito de todos os
tempos ' que soffreu o passado mas qu.e
entreviu o futuro; alma contradictoria
de homem tem por vezes as fraquezas
de uma sync0pe pessimista pa:ra ela-n.-
ISS
çar -se depois na subjectivação de uma
arroubada idealidade; se tem um pas
sado negro de dôres e so:ffrimentos
necessarios soabe tam.bem crear um
prodígio de graça, um esboço de mu:
lher, previsão de um futuro magnífico.
Atroa, a mulher do futuro, inoppor
tuna num tempo de degradação, só
podia degradar-se ou morrer.
Nehem, o homem de hoje, um de
mania corruptor deve expiar . o mal
que espalhou pelo mundo immerso na
furia da loucura até o anniquilamento
final.
Egregor reapparecerá, lavadas todas
as máculas do espírito antigo, enrobu
rados todos os valimentos do presti
gio novo.
Atroa, inopportuna hoje, renascerá
amanhan na mulher ideal para rir a
felicidade na Terra .
Só elle, o damnado ficará defini
tivamente morto na gehenna que me
receu: sobre o Mundo o Homem Novo
e a Mulher Idéal, fortes, serenos,
sobrehumanos cantarão o hymno co
lossal da Victoria na Terra.