Invocação (estrofes 1-6) Prosopopéia · Capítulo 3 de 9
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Invocação (estrofes 1-6)

1.

. Cantem Poetas o Poder Romano,

sobmetendo Nações ao jugo duro;

o Mantuano pinte o Rei Troiano,

descendo à confusão do Reino escuro;

que eu canto um Albuquerque soberano,

da Fé, da cara Pátria firme muro,

cujo valor e ser, que o Céu lhe inspira,

pode estancar a Lácia e Grega lira.

2.

. As Délficas irmãs chamar não quero,

que tal invocação é vão estudo;

aquele chamo só, de quem espero

a vida que se espera em fim de tudo.

Ele fará meu Verso tão sincero,

quanto fora sem ele tosco e rudo,

que por razão negar não deve o menos

quem deu o mais a míseros terrenos.

3.

. E vós, sublime Jorge, em quem se esmalta

a Estirpe d'Albuquerques excelente,

e cujo eco da fama corre e salta

do Carro Glacial à Zona ardente,

suspendei por agora a mente alta

dos casos vários da Olindesa gente,

e vereis vosso irmão e vós supremo

no valor abater Querino e Remo.

4.

. Vereis um sinil ânimo arriscado

a trances e conflitos temerosos,

e seu raro valor executado

em corpos Luteranos vigorosos.

Vereis seu Estandarte derribado

aos Católicos pés vitoriosos,

vereis em fim o garbo e alto brio

do famoso Albuquerque vosso Tio.

5.

. Mas em quanto Talia no se atreve,

no Mar do valor vosso, abrir entrada,

aspirai com favor a Barca leve

de minha Musa inculta e mal limada.

Invocar vossa graça mais se deve

que toda a dos antigos celebrada,

porque ela me fará que participe

doutro licor melhor que o de Aganipe.

6.

. O marchetado Carro do seu Febo

celebre o Sulmonês, com falsa pompa,

e a ruína cantando do mancebo,

com importuna voz, os ares rompa.

Que, posto que do seu licor não bebo,

à fama espero dar tão viva trompa,

que a grandeza de vossos feitos cante,

com som que Ar, Fogo, Mar e Terra espante

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