Notas editoriais
Notas editoriais
[1] Flosky. O nome sugere uma brincadeira com philosophy / philosopher: um filósofo das sombras, afeito ao obscuro e ao lacrimoso.
[2] Mania de reformar o mundo. Peacock satiriza aqui certos projetos filosóficos e políticos de regeneração universal, muito presentes no vocabulário intelectual pós-Revolução Francesa.
[3] Decoro, dignidade e outros termos solenes. A enumeração ironiza o repertório moralizante e sentimental de parte da ficção inglesa do período.
[4] Filosofia arimânica. Referência a Ahriman, princípio do mal na tradição persa. Peacock usa a imagem para zombar da metafísica sombria e do gosto romântico por forças cósmicas de negação.
[5] Pensions. No inglês do período, o termo podia carregar a ideia de pagamento, soldo ou renda concedida por favor público, com possível matiz satírico.
[6] Belo dia. Alusão a Denys Montfort e à Histoire naturelle des mollusques, evocada de modo burlesco para aproximar contemplação natural e extravagância erudita.
[7] O sublime de Burke. Peacock mira a teoria do sublime associada a Edmund Burke e a converte em instrumento de sátira política, estética e sentimental.
[8]-[12] Byron. As passagens assinaladas dialogam com Childe Harold's Pilgrimage, de Lord Byron, obra central para o imaginário melancólico e aristocraticamente desencantado que Peacock parodia.
[13] Sedet, aeternumque sedebit. Expressão latina: “senta-se, e há de sentar-se para sempre”.
[14] Uma pinta de porto e uma pistola. Eco satírico do universo de Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, referência recorrente para o sentimentalismo extremo e a teatralização do desespero amoroso.