Aquarelas — A Águia Ementário · Capítulo 20 de 61
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Aquarelas — A Águia

Seção: Aquarelas

Asas de ponta a ponta abertas no Infinito,

Quase roçando o Azul, já das estrelas rente,

A águia, no surto audaz, como os titãs do mito,

Tenta escalar o Céu, fitando o sol de frente.

E, sussurrando, solta o belicoso grito,

Que é a nota de um clarim vibrando heroicamente,

Quando, vermelho, o sol, o leão flamicrinito,

Rola, sangrando luz, no boqueirão do Poente.

No ventre dos bulcões, onde se apinham raios,

Crava as garras de ferro e entre as nuvens marinha,

Indo as asas fechar nos cimos himalaios.

E, acima do homem vil, que anda a gemer de rastros,

No pináculo dorme o sono de rainha,

Tendo por trono — a Terra, e por diadema — os astros!

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