Cambiantes — Horas Mortas Ementário · Capítulo 58 de 61
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Cambiantes — Horas Mortas

Seção: Cambiantes

Doze pancadas o relógio bate

— Um rosário de contas de lamentos! —

Depois silêncio. Estão dormindo os ventos

Como titãs cansados do combate.

Sob o livor da lâmpada, que abate

A dúbia chama, tenho pensamentos

Sinistros como os corvos agourentos.

No peito a dor enterra-me o acicate!

Debalde tento conciliar o sono

Para atenuar o horror desde abandono

Em que sucumbo num montão de espinhos!

Abro a janela. Inda tão longe a aurora!

Tudo repousa... Apenas, vale a fora,

Cantam as fontes embalando os ninhos...

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