Aquarelas — Confissão Ementário · Capítulo 33 de 61
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Aquarelas — Confissão

Seção: Aquarelas

Já que não posso mais trazer oculto nalma

Este amor, que há de ser a cruz do meu martírio,

E que eu, tentando em vão mostrar firmeza e calma,

Revelo em cada olhar mais triste do que um círio,

Perdoa, meu amor, perdoa! Embora a palma

Não logre de alcançar a tua mão que é um lírio,

Hei de sempre abençoar teu riso que me ensalma!

Hei de sempre beijar-te a sombra com delírio!

Cobre-me a palidez do mesto Nazareno

Quando, silêncio impondo ao coração cativo,

Contemplo o teu perfil de castelã do Reno!

Bem quisera esconder o amor que me consome,

Mas como? se a anunciá-la a todo instante eu vivo

Pelo tremor da voz ao murmurar teu nome!

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