Cambiantes — À Dor Ementário · Capítulo 42 de 61
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Cambiantes — À Dor

Seção: Cambiantes

Ó Dor, ó velha imperatriz do mundo,

Que a gente arrasta como brônzea carga,

Maldita sejas! Teu olhar profundo

É o pesadelo desta vida amarga!

Foge de mim, fantasma tremebundo!

Arranca-me este espículo da ilharga!

O rosto em vão de lágrimas inundo:

A tua mão de espinhos não me larga!

Por castelos, choupanas e casebres,

Bebendo sangue e produzindo febres,

Passas deixando o rastro nauseabundo.

Os corações te amaldiçoam... Quando

Há de ter fim o teu reinado infando,

Ó Dor, ó velha imperatriz do mundo?

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