Aquarelas — Os Triunfadores Ementário · Capítulo 38 de 61
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Aquarelas — Os Triunfadores

Seção: Aquarelas

ALEXANDRE

I

Num sonho excelso, com o olhar o mundo abarcas:

E partes, num tropel de atletas e gigantes,

Ásia a fora, quebrando o cetro dos monarcas

E brechando brutais muralhas de elefantes!

Ficam por todo o Oriente as indeléveis marcas

Das patas dos corcéis. As falanges brilhantes,

Que Marte impele e Zeus protege, amealham arcas

De ouro e prata e montões de pedras coruscantes.

Oferecem-te o amor as princesas mais belas!

Perfumam-te os jardins da rica Babilônia!

Comes pavões da Média em rútilas baixelas!

De sátrapas e reis quebras o jugo fero...

Para os feitos cantar-te, água da Macedônia,

Só tem cordas a teorba olímpica de Homero!

ANÍBAL

II

Em Sagunto recebe a água lustral da glória:

E, caminho da Itália, o gênio de Cartago,

Entre avalanches, presto, os Alpes vinga, o estrago

Espalhando através da longa trajetória.

Carregado de anéis e pompas de vitória,

De bucinas marciais num estridor pressago,

Lá vai! Por onde passa um borbulhante lago

De sangue deixa, abrindo um sulco astral na História!

Firme, o Cartaginês, aríete dos aríetes,

Passeia entre um fulgor de escâmeos capacetes,

De armaduras de bronze e lanças rutilantes...

Cônsules e legiões de assombro semimortas

Triunfantemente leva até de Roma às portas,

A patas de corcéis e trombas de elefantes!

CÉSAR

III

Por sobre as Gálias solta as águias belicosas,

Transpõe o Reno e invade a inóspita Bretanha...

Muralhas não detêm suas legiões gloriosas

Que pisam nobremente orgulhos de montanha!

Podem setas zunir! Pode raivar a sanha

Dos bárbaros sem conta! As hostes vitoriosas

No sinistro fragor da pertinaz campanha,

Colhem para coroá-lo imarcescíveis rosas!

Estremece o inimigo assim que lhe ouve o passo;

No torvelim da luta a sua espada brilha

Furando corações de heróis de peitos de aço.

Por degraus de lauréis sobe ao sonhado sólio,

E Roma, que o seu vulto enche de maravilha,

Eleva o triunfador de Munda ao Capitólio!

BONAPARTE

IV

Entre o crebro estridor das músicas de guerra,

Como um raio, percorre os campos de batalha,

E, terror das nações, abala toda a Terra

Com urros de canhão e estrondos de metralha.

Quando, de gládio em punho, o Corso passa, aterra,

E ao clamor dos clarins o pânico se espalha!

Da Holanda à Rússia, entre ais, choros e pragas, erra.

Dando aos corvos festins de opípara mortualha.

Desde as três colossais pirâmides do Egito

— Arcas de tradições, assombros de granito, —

Veio aos seus pés curvando o alto orgulho realengo.

Viena, Berlim, Moscou guardam vivaz memória

Do semideus que tem, para perpétua glória,

Os troféus de Wagram e os louros de Marengo...

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