Aquarelas — Meia Noite Ementário · Capítulo 29 de 61
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Aquarelas — Meia Noite

Seção: Aquarelas

Penso... Na solidão da rua adormecida

Vasqueja dos lampiões o funerário lume.

De espaço a espaço, a lua assoma entre o negrume

Das nuvens — com a feição da branca Margarida.

No rendilhado templo, onde, em manhã florida,

Me embriagou de Frínia o tépido perfume,

Pia uma estrige. O vento é um fúnebre queixume.

Há um brusco ramalhar de frondes na avenida.

Nest’hora de pavor e dúvidas sombrias,

De pactos infernais, de assombros e magias,

Eu faço ao mudo céu sacrílegas perguntas!

Exacerba-me o sangue a dor que não se acalma,

E sinto desfilar pelo silêncio da alma

O cortejo feral das ilusões defuntas!

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