Introdução O Caibalion · Capítulo 3 de 18
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Introdução

É com grande satisfação que apresentamos à atenção dos estudantes e investigadores das Doutrinas Secretas esta pequena obra, baseada nos antiquíssimos Ensinamentos Herméticos. Tão pouco se escreveu sobre esse assunto, apesar das inúmeras referências aos Ensinamentos encontradas nas muitas obras dedicadas ao ocultismo, que os numerosos e sinceros buscadores das Verdades Arcanas certamente receberão com interesse o aparecimento deste volume.

O propósito desta obra não é proclamar uma filosofia ou doutrina particular, mas oferecer aos estudantes uma exposição da Verdade capaz de conciliar os diversos fragmentos de conhecimento oculto que possam ter adquirido, muitas vezes aparentemente contraditórios entre si e capazes de desanimar e afastar quem se inicia nesse estudo.

Nossa intenção não é erguer um novo Templo do Conhecimento, e sim colocar nas mãos do estudante uma Chave-Mestra com a qual possa abrir as muitas portas interiores do Templo do Mistério, depois de já haver atravessado seus portais principais.

Não há, entre os ensinamentos ocultos conhecidos pelo mundo, parte alguma que tenha sido guardada com tanto zelo quanto os fragmentos dos Ensinamentos Herméticos que chegaram até nós através das dezenas de séculos transcorridos desde a vida de seu grande fundador, Hermes Trismegisto, o “escriba dos deuses”, que viveu no antigo Egito quando a atual raça humana ainda estava em sua infância.

Contemporâneo de Abraão e, se as lendas forem verdadeiras, mestre daquele venerável sábio, Hermes foi, e continua sendo, o Grande Sol Central do Ocultismo, cujos raios iluminaram os incontáveis ensinamentos que se difundiram desde seu tempo. Todos os ensinamentos fundamentais presentes nas doutrinas esotéricas de cada povo podem ser remontados a Hermes. Até mesmo os mais antigos ensinamentos da Índia têm, sem dúvida, suas raízes nos Ensinamentos Herméticos originais.

Da terra do Ganges, muitos ocultistas avançados viajaram até a terra do Egito e sentaram-se aos pés do Mestre. Dele receberam a Chave-Mestra que explicava e conciliava suas concepções divergentes, e assim a Doutrina Secreta foi firmemente estabelecida.

De outras terras também vieram os sábios, todos eles reconhecendo Hermes como o Mestre dos Mestres. Sua influência foi tão grande que, apesar dos muitos desvios do caminho cometidos ao longo dos séculos pelos mestres dessas diferentes terras, ainda hoje se pode encontrar certa semelhança e correspondência fundamentais por trás das muitas teorias, frequentemente bastante divergentes, sustentadas e ensinadas pelos ocultistas desses diversos lugares.

O estudioso das Religiões Comparadas será capaz de perceber a influência dos Ensinamentos Herméticos em toda religião digna desse nome hoje conhecida pelo homem, quer se trate de uma religião extinta, quer de uma que permaneça em pleno vigor em nossos tempos. Existe sempre certa correspondência, apesar dos aspectos contraditórios, e os Ensinamentos Herméticos atuam como o Grande Conciliador.

A obra da vida de Hermes parece ter se dirigido mais ao plantio da grande Semente da Verdade, que cresceu e floresceu sob tantas formas estranhas, do que ao estabelecimento de uma escola de filosofia que viesse a dominar o pensamento do mundo.

Ainda assim, as verdades originais por ele ensinadas foram conservadas intactas em sua pureza original por alguns homens em cada época. Recusando grandes números de estudantes e seguidores ainda pouco desenvolvidos, eles seguiram o costume hermético e reservaram sua verdade aos poucos que estavam preparados para compreendê-la e dominá-la.

De lábios a ouvidos, a verdade foi transmitida entre esses poucos.

Sempre houve alguns Iniciados em cada geração, nas diversas terras do mundo, que mantiveram viva a chama sagrada dos Ensinamentos Herméticos. Eles sempre estiveram dispostos a usar suas próprias lâmpadas para reacender as lâmpadas menores do mundo exterior quando a luz da verdade se enfraquecia e se turvava pela negligência, e quando os pavios se obstruíam com matérias estranhas.

Sempre houve alguns que cuidaram fielmente do altar da Verdade, sobre o qual se manteve acesa a Lâmpada Perpétua da Sabedoria.

Esses homens dedicaram suas vidas à obra de amor que o poeta tão bem expressou nestes versos:

“Oh, não deixeis que a chama se extinga! Guardada de era em era

em sua caverna escura, em seus templos sagrados guardada. Alimentada

pelos puros ministros do amor, não deixeis que a chama se extinga!”

Esses homens jamais buscaram a aprovação popular nem grandes números de seguidores. São indiferentes a essas coisas, pois sabem quão poucos, em cada geração, estão preparados para a verdade, ou seriam capazes de reconhecê-la caso ela lhes fosse apresentada.

Reservam o “alimento sólido para os homens”, enquanto outros fornecem o “leite para as crianças”. Reservam suas pérolas de sabedoria aos poucos eleitos que reconhecem seu valor e as ostentam em suas coroas, em vez de lançá-las diante dos vulgares porcos materialistas, que as pisoteariam na lama e as misturariam ao seu repugnante alimento mental.

Ainda assim, esses homens jamais esqueceram ou negligenciaram os ensinamentos originais de Hermes a respeito da transmissão das palavras da verdade àqueles que estão preparados para recebê-la, ensinamento que O Caibalion expressa da seguinte forma:

“Onde caem os passos do Mestre, abrem-se de par em par os ouvidos daqueles que estão preparados para seu Ensinamento.”

E também:

“Quando os ouvidos do estudante estão preparados para ouvir, então vêm os lábios enchê-los de Sabedoria.”

Sua atitude habitual, porém, sempre esteve rigorosamente de acordo com outro aforismo hermético, também encontrado em O Caibalion:

“Os lábios da Sabedoria permanecem fechados, exceto aos ouvidos da Compreensão.”

Há quem tenha criticado essa atitude dos hermetistas, afirmando que eles não demonstravam o espírito adequado em sua política de isolamento e reserva.

Entretanto, um breve olhar sobre as páginas da história revelará a sabedoria dos Mestres, que conheciam a insensatez de tentar ensinar ao mundo aquilo que ele não estava preparado nem disposto a receber.

Os hermetistas jamais procuraram tornar-se mártires. Preferiram permanecer silenciosamente à parte, com um sorriso de compaixão nos lábios cerrados, enquanto os “pagãos se enfureciam ruidosamente ao seu redor” em seu costumeiro divertimento de condenar à morte e à tortura os entusiastas sinceros, porém equivocados, que imaginavam poder impor a uma raça de bárbaros uma verdade capaz de ser compreendida apenas pelos eleitos que haviam avançado pelo Caminho.

E o espírito de perseguição ainda não desapareceu da terra.

Existem certos Ensinamentos Herméticos que, se fossem proclamados publicamente, fariam recair sobre seus mestres um enorme clamor de desprezo e injúria vindo da multidão, que mais uma vez levantaria o grito:

“Crucificai! Crucificai!”

Nesta pequena obra, procuramos oferecer uma ideia dos ensinamentos fundamentais de O Caibalion, esforçando-nos para apresentar os Princípios em sua aplicação, deixando que vós mesmos os apliqueis, em vez de tentarmos desenvolver cada ensinamento em seus mínimos detalhes.

Se sois verdadeiros estudantes, sereis capazes de desenvolver e aplicar esses Princípios. Caso contrário, precisareis transformar-vos em verdadeiros estudantes, pois, sem isso, os Ensinamentos Herméticos não passarão, para vós, de “palavras, palavras, palavras”.

OS TRÊS INICIADOS

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