Capítulo IV: O Todo O Caibalion · Capítulo 7 de 18
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Capítulo IV: O Todo

“Por baixo e por trás do Universo de Tempo, Espaço e Mudança, encontra-se sempre a Realidade Substancial, a Verdade Fundamental.”

O Caibalion

“Substância” significa: “aquilo que está por baixo de todas as manifestações exteriores; a essência; a realidade essencial; a coisa em si”, e assim por diante. “Substancial” significa: “que existe realmente; que constitui o elemento essencial; que é real”, e assim por diante. “Realidade” significa: “o estado daquilo que é real; verdadeiro, duradouro; válido; fixo; permanente; efetivo”, e assim por diante.

Por baixo e por trás de todas as aparências ou manifestações exteriores, deve existir sempre uma Realidade Substancial. Esta é a Lei. O homem, ao considerar o Universo do qual é uma unidade, nada vê além de mudança na matéria, nas forças e nos estados mentais. Vê que nada realmente É, mas que tudo está em DEVIR e MUDANÇA.

Nada permanece imóvel. Tudo nasce, cresce e morre. No exato instante em que uma coisa atinge seu auge, começa a declinar. A lei do Ritmo opera constantemente. Não há realidade, qualidade duradoura, fixidez ou substancialidade em coisa alguma. Nada é permanente, exceto a Mudança. Ele vê todas as coisas evoluindo de outras coisas e tornando a resolver-se em outras; ação e reação constantes; fluxo para dentro e para fora; construção e demolição; criação e destruição; nascimento, crescimento e morte.

Nada perdura, exceto a Mudança. E, se for um homem que pensa, compreenderá que todas essas coisas mutáveis só podem ser aparências ou manifestações exteriores de algum Poder Subjacente, alguma Realidade Substancial.

Todos os pensadores, em todas as terras e em todas as épocas, admitiram a necessidade de postular a existência dessa Realidade Substancial. Todas as filosofias dignas desse nome se basearam nesse pensamento. Os homens deram muitos nomes a essa Realidade Substancial. Alguns a chamaram de Deidade, sob inúmeros títulos. Outros a chamaram de “Energia Infinita e Eterna”. Outros ainda procuraram chamá-la de “Matéria”. Todos, porém, reconheceram sua existência. Ela é evidente por si mesma e não necessita de argumento.

Nestas lições, seguimos o exemplo de alguns dos maiores pensadores do mundo, antigos e modernos, os Mestres Herméticos, e chamamos esse Poder Subjacente, essa Realidade Substancial, pelo nome hermético de “O TODO”, termo que consideramos o mais abrangente entre os muitos empregados pelo Homem para designar AQUILO que transcende nomes e termos.

Aceitamos e ensinamos a concepção dos grandes pensadores herméticos de todas as épocas, assim como a das almas iluminadas que alcançaram planos superiores do ser. Todos afirmam que a natureza íntima de O TODO é INCOGNOSCÍVEL. E assim deve ser, pois somente O TODO pode compreender sua própria natureza e seu próprio ser.

Os hermetistas acreditam e ensinam que O TODO, “em si mesmo”, é e deve permanecer sempre INCOGNOSCÍVEL. Consideram todas as teorias, conjecturas e especulações dos teólogos e metafísicos a respeito da natureza íntima de O TODO como simples esforços infantis de mentes mortais para apreender o segredo do Infinito. Tais esforços sempre fracassaram e sempre fracassarão, pela própria natureza da tarefa.

Aquele que se entrega a essas investigações gira incessantemente pelo labirinto do pensamento até perder toda capacidade de raciocínio sensato, de ação ou de conduta, tornando-se completamente inapto para o trabalho da vida. É como o esquilo que corre freneticamente dentro da roda de sua gaiola, sempre viajando e jamais chegando a lugar algum; ao final, continua prisioneiro e permanece exatamente onde começou.

Ainda mais presunçosos são aqueles que procuram atribuir a O TODO a personalidade, as qualidades, propriedades, características e atributos de si mesmos, conferindo a O TODO emoções, sentimentos e características humanas, até mesmo as menores fraquezas da humanidade, como ciúme, suscetibilidade à lisonja e ao elogio, desejo por oferendas e adoração e todas as demais sobrevivências dos tempos de infância da raça.

Tais ideias não são dignas de homens e mulheres maduros e estão sendo rapidamente abandonadas.

(Neste ponto, talvez seja apropriado declarar que fazemos distinção entre Religião e Teologia; entre Filosofia e Metafísica.

Religião, para nós, significa a percepção intuitiva da existência de O TODO e da relação de cada um com ele; enquanto Teologia significa as tentativas dos homens de atribuir-lhe personalidade, qualidades e características; suas teorias acerca de seus assuntos, vontade, desejos, planos e desígnios; e a pretensão de exercer o ofício de “intermediários” entre O TODO e o povo.

Filosofia, para nós, significa a investigação em busca do conhecimento das coisas cognoscíveis e concebíveis; Metafísica significa a tentativa de levar essa investigação para além de seus limites, penetrando em regiões incognoscíveis e inconcebíveis, com a mesma tendência que encontramos na Teologia.

Por isso, Religião e Filosofia significam para nós coisas cujas raízes estão na Realidade, enquanto Teologia e Metafísica nos parecem juncos quebrados, enraizados nas areias movediças da ignorância e incapazes de oferecer senão o mais inseguro apoio à mente ou à alma do Homem. Não insistimos para que nossos estudantes aceitem essas definições; mencionamo-las apenas para tornar clara nossa posição. De qualquer modo, ouvireis muito pouco sobre Teologia e Metafísica nestas lições.)

Embora a natureza essencial de O TODO seja Incognoscível, existem certas verdades relacionadas à sua existência que a mente humana se vê obrigada a aceitar. O exame desses testemunhos constitui um tema legítimo de investigação, sobretudo porque eles concordam com os testemunhos dos Iluminados nos planos superiores. É a essa investigação que agora vos convidamos.

“AQUILO que é a Verdade Fundamental, a Realidade Substancial, está além de qualquer nome verdadeiro; os Sábios, porém, chamam-no de O TODO.”

O Caibalion

“Em sua Essência, O TODO é INCOGNOSCÍVEL.”

O Caibalion

“Entretanto, o testemunho da Razão deve ser recebido com hospitalidade e tratado com respeito.”

O Caibalion

A razão humana, cujo testemunho devemos aceitar enquanto continuarmos a pensar, informa-nos o seguinte a respeito de O TODO, sem procurar com isso afastar o véu do Incognoscível:

(1) O TODO deve ser TUDO O QUE REALMENTE É. Nada pode existir fora de O TODO, pois, se algo existisse, O TODO não seria O TODO.

(2) O TODO deve ser INFINITO, pois nada mais existe que possa defini-lo, confiná-lo, delimitá-lo, limitá-lo ou restringi-lo.

Deve ser Infinito no Tempo, ou ETERNO. Deve ter existido sempre e continuamente, pois nada mais existe que pudesse tê-lo criado, e algo jamais pode surgir do nada. Se alguma vez tivesse “não existido”, ainda que por um único instante, não “existiria” agora. Deve continuar existindo para sempre, pois nada existe que possa destruí-lo, e jamais poderá “não existir”, nem mesmo por um instante, porque algo jamais pode tornar-se nada.

Deve ser Infinito no Espaço. Deve estar em Toda Parte, pois não existe lugar algum fora de O TODO. Não pode ser senão contínuo no Espaço, sem ruptura, cessação, separação ou interrupção, pois nada existe que possa romper, separar ou interromper sua continuidade, nem coisa alguma com que se possa “preencher as lacunas”. Deve ser Infinito em Poder, ou Absoluto, pois nada existe que possa limitá-lo, restringi-lo, contê-lo, confiná-lo, perturbá-lo ou condicioná-lo. Não está sujeito a nenhum outro Poder, pois não existe outro Poder.

(3) O TODO deve ser IMUTÁVEL, isto é, não sujeito a mudanças em sua verdadeira natureza, pois nada existe que possa produzir mudanças nele, nada em que possa transformar-se e nada de que pudesse ter-se transformado. Nada pode ser acrescentado a ele nem retirado dele; não pode ser aumentado nem diminuído; não pode tornar-se maior ou menor sob aspecto algum. Deve ter sido sempre e deve permanecer sempre exatamente aquilo que é agora: O TODO. Nunca houve, não há agora e jamais haverá qualquer outra coisa em que possa transformar-se.

Sendo O TODO Infinito, Absoluto, Eterno e Imutável, segue-se que tudo aquilo que é finito, mutável, transitório e condicionado não pode ser O TODO. E, como em Realidade Nada existe fora de O TODO, todas essas coisas finitas devem ser como Nada em Realidade. Não vos deixeis agora confundir ou assustar. Não estamos procurando conduzir-vos ao campo da Ciência Cristã sob o disfarce da Filosofia Hermética. Existe uma Conciliação para esse estado de coisas aparentemente contraditório.

Tende paciência; chegaremos a ela no devido tempo.

Vemos ao nosso redor aquilo que chamamos de “Matéria”, que constitui a base física de todas as formas. Será O TODO apenas Matéria? De modo algum! A Matéria não pode manifestar Vida ou Mente e, como Vida e Mente se manifestam no Universo, O TODO não pode ser Matéria, pois nada se eleva acima de sua própria fonte; nada se manifesta em um efeito sem estar presente na causa; nada evolui como consequência sem estar envolvido como antecedente.

Além disso, a Ciência Moderna nos informa que, na realidade, não existe algo como a Matéria; aquilo que chamamos de Matéria é apenas “energia ou força interrompida”, isto é, energia ou força em baixo grau de vibração. Como disse um escritor recente: “A Matéria se dissolveu em Mistério.” Até mesmo a Ciência Material abandonou a teoria da Matéria e agora se apoia na ideia de “Energia”.

Será então O TODO apenas Energia ou Força? Não Energia ou Força no sentido empregado pelos materialistas, pois sua energia e sua força são coisas cegas e mecânicas, destituídas de Vida ou Mente. Vida e Mente jamais podem evoluir de Energia ou Força cegas, pela razão que acabamos de apresentar: “Nada pode elevar-se acima de sua fonte; nada evolui sem estar antes envolvido; nada se manifesta no efeito sem estar presente na causa.”

Por isso, O TODO não pode ser mera Energia ou Força. Se o fosse, não existiriam coisas como Vida e Mente, e sabemos que existem, pois estamos Vivos e utilizamos a Mente para considerar esta mesma questão; e o mesmo fazem aqueles que afirmam que Energia ou Força é Tudo.

Que existe, então, acima da Matéria ou da Energia e que sabemos existir no Universo? VIDA E MENTE! Vida e Mente em todos os seus diversos graus de desenvolvimento! “Então”, perguntais, “quereis dizer que O TODO é VIDA e MENTE?” Sim e Não, respondemos. Se entendeis Vida e Mente como nós, pobres e pequenos mortais, as conhecemos, dizemos Não! O TODO não é isso! “Mas de que espécie de Vida e Mente estais falando?”, perguntais.

A resposta é “MENTE VIVA”, tão acima daquilo que os mortais conhecem por essas palavras quanto a Vida e a Mente estão acima das forças mecânicas ou da matéria: MENTE VIVA INFINITA em comparação com a “Vida e Mente” finitas.

Referimo-nos àquilo que as almas iluminadas querem dizer quando pronunciam reverentemente a palavra: “ESPÍRITO!”

“O TODO” é Mente Viva Infinita. Os Iluminados chamam-no de ESPÍRITO!

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