Capítulo XI: Ritmo O Caibalion · Capítulo 14 de 18
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Capítulo XI: Ritmo

“Tudo flui, para fora e para dentro; tudo tem suas marés; todas as coisas sobem e descem; a oscilação do pêndulo manifesta-se em tudo; a medida da oscilação para a direita é a medida da oscilação para a esquerda; o ritmo compensa.”

O Caibalion

O grande Quinto Princípio Hermético, o Princípio do Ritmo, encerra a verdade de que em tudo se manifesta um movimento medido; um movimento de ida e volta; um fluxo para fora e para dentro; uma oscilação para a frente e para trás; um movimento semelhante ao do pêndulo; um fluxo e refluxo como o das marés; uma maré alta e uma maré baixa, entre os dois polos que se manifestam nos planos físico, mental ou espiritual. O Princípio do Ritmo está intimamente ligado ao Princípio da Polaridade descrito no capítulo anterior.

O Ritmo manifesta-se entre os dois polos estabelecidos pelo Princípio da Polaridade. Isso não significa, contudo, que o pêndulo do Ritmo oscile até os polos extremos, pois isso raramente acontece; na verdade, na maioria dos casos é difícil estabelecer os extremos polares opostos. A oscilação, porém, dirige-se sempre primeiro para um polo e depois para o outro.

Há sempre ação e reação; avanço e recuo; subida e descida, manifestados em todos os assuntos e fenômenos do Universo. Sóis, mundos, homens, animais, plantas, minerais, forças, energia, mente e matéria, sim, até o Espírito, manifestam este Princípio. O Princípio manifesta-se na criação e destruição dos mundos; na ascensão e queda das nações; na história da vida de todas as coisas; e, finalmente, nos estados mentais do Homem.

Começando pelas manifestações do Espírito, de O TODO, observa-se sempre o Efluxo e o Recolhimento; a “Expiração e Inspiração de Brahm”, como dizem os brâmanes. Universos são criados, alcançam seu ponto extremo de materialidade e então iniciam sua oscilação ascendente.

Sóis surgem e, depois de alcançarem o auge de seu poder, inicia-se o processo de retrocesso; após éons, tornam-se massas mortas de matéria, aguardando outro impulso que novamente desperte suas energias interiores para a atividade e dê início a um novo ciclo de vida solar. E assim ocorre com todos os mundos: nascem, crescem e morrem, apenas para renascer.

E assim ocorre com todas as coisas dotadas de forma: oscilam da ação para a reação; do nascimento para a morte; da atividade para a inatividade; e então retornam. Assim ocorre com todas as coisas vivas: nascem, crescem e morrem, e então renascem. O mesmo acontece com todos os grandes movimentos, filosofias, credos, modas, governos, nações e tudo o mais: nascimento, crescimento, maturidade, decadência, morte e então novo nascimento. A oscilação do pêndulo está sempre em evidência.

A noite segue o dia, e o dia segue a noite. O pêndulo oscila do Verão para o Inverno e depois retorna. Os corpúsculos, átomos, moléculas e todas as massas de matéria percorrem em oscilação o círculo de sua natureza. Não existe repouso absoluto nem cessação do movimento, e todo movimento participa do ritmo. O Princípio possui aplicação universal. Pode ser aplicado a qualquer questão ou fenômeno de qualquer um dos muitos planos da vida. Pode ser aplicado a todas as fases da atividade humana.

Há sempre a oscilação Rítmica de um polo para o outro. O Pêndulo Universal está sempre em movimento. As Marés da Vida fluem para dentro e para fora, de acordo com a Lei.

O Princípio do Ritmo é bem compreendido pela ciência moderna e é considerado uma lei universal quando aplicado às coisas materiais. Os hermetistas, porém, levam o Princípio muito além e sabem que suas manifestações e sua influência se estendem às atividades mentais do Homem e que ele explica a desconcertante sucessão de estados de ânimo, sentimentos e outras mudanças incômodas e perturbadoras que observamos em nós mesmos.

Mas os hermetistas, estudando as operações deste Princípio, aprenderam a escapar de algumas de suas atividades por meio da Transmutação.

Os Mestres Herméticos descobriram há muito tempo que, embora o Princípio do Ritmo fosse invariável e estivesse sempre em evidência nos fenômenos mentais, existiam ainda dois planos de sua manifestação no que diz respeito aos fenômenos mentais. Descobriram que havia dois planos gerais de Consciência, o Inferior e o Superior, e a compreensão desse fato permitiu-lhes elevar-se ao plano superior e, assim, escapar à oscilação do pêndulo Rítmico que se manifestava no plano inferior.

Em outras palavras, a oscilação do pêndulo ocorria no Plano Inconsciente, e a Consciência não era afetada. A isso chamam Lei da Neutralização. Sua operação consiste em elevar o Ego acima das vibrações do Plano Inconsciente da atividade mental, de modo que a oscilação negativa do pêndulo não se manifeste na consciência e, portanto, não os afete. É semelhante a elevar-se acima de alguma coisa e deixá-la passar por baixo.

O Mestre Hermético, ou estudante avançado, polariza-se no polo desejado e, por um processo semelhante a “recusar-se” a participar da oscilação de retorno ou, se preferirdes, a “negar” sua influência sobre si, permanece firme em sua posição polarizada e permite que o pêndulo mental oscile de volta pelo plano inconsciente.

Todos os indivíduos que alcançaram algum grau de Autodomínio realizam isso, mais ou menos sem o saber, e, recusando-se a permitir que seus estados de ânimo e estados mentais negativos os afetem, aplicam a Lei da Neutralização.

O Mestre, contudo, leva isso a um grau muito mais elevado de proficiência e, pelo uso de sua Vontade, alcança um grau de Equilíbrio e Firmeza Mental quase inacreditável para aqueles que permitem ser levados para trás e para a frente pelo pêndulo mental dos estados de ânimo e sentimentos.

A importância disso será reconhecida por qualquer pessoa que pense e perceba quanto a maioria das pessoas é criatura de seus estados de ânimo, sentimentos e emoções, e quão pouco domínio manifesta sobre si mesma. Se parardes e refletirdes por um momento, percebereis o quanto essas oscilações do Ritmo vos afetaram ao longo da vida; como um período de Entusiasmo foi invariavelmente seguido por um sentimento e estado de ânimo opostos de Depressão.

Da mesma forma, vossos estados e períodos de Coragem foram sucedidos por estados equivalentes de Medo. E assim sempre ocorreu com a maioria das pessoas: as marés do sentimento sempre subiram e desceram nelas, mas elas jamais suspeitaram da causa ou razão desses fenômenos mentais. A compreensão do funcionamento deste Princípio proporciona a chave para o Domínio dessas oscilações rítmicas do sentimento, permitindo que o indivíduo conheça melhor a si mesmo e evite ser carregado por esses fluxos para dentro e para fora.

A Vontade é superior à manifestação consciente deste Princípio, embora o próprio Princípio jamais possa ser destruído. Podemos escapar de seus efeitos, mas o Princípio continua operando. O pêndulo sempre oscila, embora possamos escapar de ser levados com ele.

Existem outros aspectos da operação deste Princípio do Ritmo dos quais desejamos falar neste ponto. Em suas operações entra aquilo que é conhecido como Lei da Compensação. Uma das definições ou significados da palavra “Compensar” é “contrabalançar”, e é nesse sentido que os hermetistas empregam o termo. É a essa Lei da Compensação que O Caibalion se refere quando afirma: “A medida da oscilação para a direita é a medida da oscilação para a esquerda; o ritmo compensa.”

A Lei da Compensação estabelece que a oscilação em uma direção determina a oscilação na direção oposta, ou em direção ao polo oposto; uma equilibra ou contrabalança a outra. No Plano Físico vemos muitos exemplos dessa Lei. O pêndulo do relógio oscila certa distância para a direita e depois distância igual para a esquerda. As estações equilibram-se da mesma maneira. As marés seguem a mesma Lei. E a mesma Lei manifesta-se em todos os fenômenos do Ritmo.

O pêndulo que realiza uma oscilação curta em uma direção realiza apenas uma oscilação curta na outra; enquanto uma longa oscilação para a direita significa invariavelmente uma longa oscilação para a esquerda. Um objeto lançado para cima até determinada altura possui igual distância a percorrer em seu retorno. A força com que um projétil é lançado para cima por uma milha reproduz-se quando o projétil retorna à terra em sua viagem de volta. Essa Lei é constante no Plano Físico, como uma consulta às autoridades convencionais vos mostrará.

Mas os hermetistas a levam ainda mais longe. Ensinam que os estados mentais de um homem estão sujeitos à mesma Lei. O homem que desfruta intensamente está sujeito a sofrer intensamente; enquanto aquele que sente pouca dor é capaz de sentir pouco prazer. O porco sofre pouco mentalmente e desfruta pouco; ele é compensado. Por outro lado, existem outros animais que desfrutam intensamente, mas cujo organismo nervoso e temperamento fazem com que sofram graus extremos de dor; e assim acontece com o Homem.

Existem temperamentos que permitem apenas baixos graus de prazer e graus igualmente baixos de sofrimento; enquanto outros permitem o prazer mais intenso, mas também o sofrimento mais intenso. A regra é que a capacidade para a dor e para o prazer, em cada indivíduo, encontra-se equilibrada. A Lei da Compensação está aqui em plena operação.

Os hermetistas, contudo, vão ainda mais longe nessa questão. Ensinam que, antes de alguém ser capaz de desfrutar determinado grau de prazer, deve ter oscilado proporcionalmente até igual distância em direção ao outro polo do sentimento.

Sustentam, porém, que o Negativo precede o Positivo nessa questão. Isso significa que, ao experimentar determinado grau de prazer, não se segue que a pessoa terá de “pagá-lo” posteriormente com um grau correspondente de dor. Ao contrário, o prazer é a oscilação Rítmica, segundo a Lei da Compensação, correspondente a um grau de dor anteriormente experimentado, seja na vida atual, seja em uma encarnação anterior. Isso lança nova luz sobre o Problema da Dor.

Os hermetistas consideram a cadeia de vidas como contínua e formando parte de uma única vida do indivíduo; em consequência, a oscilação rítmica é compreendida dessa maneira, ao passo que perderia seu sentido se a verdade da reencarnação não fosse admitida.

Os hermetistas afirmam, contudo, que o Mestre ou estudante avançado é capaz, em grande medida, de escapar à oscilação em direção à Dor pelo processo de Neutralização anteriormente mencionado. Elevando-se ao plano superior do Ego, grande parte da experiência que sobrevém àqueles que habitam o plano inferior é evitada e superada.

A Lei da Compensação desempenha papel importante na vida de homens e mulheres. Observa-se que, em geral, alguém “paga o preço” por tudo aquilo que possui ou lhe falta. Se possui uma coisa, falta-lhe outra; o equilíbrio é estabelecido. Ninguém pode conservar sua moeda e, ao mesmo tempo, ficar com o pedaço de bolo. Tudo possui seus lados agradáveis e desagradáveis. Aquilo que se ganha é sempre pago por aquilo que se perde.

Os ricos possuem muito daquilo que falta aos pobres, enquanto os pobres frequentemente possuem coisas que estão além do alcance dos ricos.

O milionário pode possuir inclinação para os banquetes e riqueza suficiente para obter todas as iguarias e luxos da mesa, mas carecer do apetite necessário para desfrutá-las. Inveja o apetite e a digestão do trabalhador, a quem faltam a riqueza e as inclinações do milionário, mas que obtém mais prazer de sua comida simples do que o milionário poderia obter, mesmo que seu apetite não estivesse fatigado nem sua digestão arruinada, pois necessidades, hábitos e inclinações diferem. E assim ocorre por toda a vida.

A Lei da Compensação está sempre em operação, procurando equilibrar e contrabalançar, e sempre alcançando seu resultado com o tempo, ainda que várias vidas possam ser necessárias para a oscilação de retorno do Pêndulo do Ritmo.

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