Capítulo 2: Meu orientador é ele?
Capítulo 2
Meu orientador é ele?
A coordenadora do curso, uma senhora elegante chamada Park Ji-yeon, recebeu Fabiana com simpatia e a apresentou a alguns professores que estavam sentados próximos à uma mesa oval que era usada para reuniões.
Enquanto isso, um pouco afastado dali encontrava-se outro professor, ele estava em pé olhando pela janela e pareceu ignorar a chegada da aluna, pois nem se virou quando a coordenadora apresentava Fabiana.
No entanto, Ji-yeon ao ver aquela reação do professor não se intimidou e caminhou em direção a ele, o fazendo se virar e encará-las sério.
— Este é o Professor Kim Dong-jung — disse Ji-yeon um tanto entusiasmada. — Ele será o seu orientador, pois é especialista em publicidade televisiva e mestre em cinema narrativo. Também possui doutorado em linguagem visual no cinema. Atua e dirige algumas produções coreanas, talvez você o conheça…
No momento que Fabiana o reconheceu, seu coração disparou, pois ele era um dos seus atores favoritos e o preferido de sua amiga Mariana, sabia muito bem de quem se tratava.
Ele era um homem alto, magro, elegante, bonito, possuía uma expressão firme e olhos intensos. Naquele momento, ele vestia um terno escuro e discreto, esboçava um sorriso educado, mas distante. E aquele perfume gostoso que ela sentiu na recepção pertencia a ele.
De repente o olhar dele encontrou o dela por um segundo longo demais, e nesse instante, Fabiana sentiu um estranho frio na espinha.
— Prazer — disse ele, em um inglês quase sem sotaque. — Espero que tenhamos uma colaboração produtiva. Você é de que país? Trabalhava com o que antes de vir fazer o mestrado?
— O prazer é todo meu, me chamo Fabiana Bella Klenski, sou do Brasil e trabalhava numa agência publicitária em Balneário Camboriú. Eu era diretora de mídia e redatora publicitária — respondeu um pouco nervosa.
— Interessante… agora acabo de me lembrar que dei uma olhada no tema de seu mestrado, Publicidade no cinema: O trailer e o teaser como peça publicitária, linguagem e narrativa. Acredito que podemos fazer um belo trabalho, gostei bastante do tema.
— Muito obrigado, fico feliz que gostou — a brasileira fez uma reverência demonstrando contentamento.
Entretanto, ao observar o seu ídolo com mais cuidado, Fabiana notou que havia algo estranho na postura dele, algo por trás dos gestos polidos e do tom formal. Uma tensão no maxilar, talvez. Ou o modo como seus olhos a analisaram, como se já soubesse de tudo sobre ela, antes dela falar.
Dong-jung ao ser flagrado por Fabiana enquanto a observava, fechou as mãos em punhos, discretamente, como se estivesse se repreendendo mentalmente por se distrair por um mero momento e ter sido pego.
No entanto, ele rapidamente voltou a sua postura fria quando o celular que estava no bolso começou a vibrar e ele o puxou rapidamente.
Ao ler a mensagem na tela, o ator ficou pensativo e se despediu de todos e saiu da sala da diretora, com a desculpa que precisava fazer algo importante.
****
Assim que Dong-jung se viu no corredor, ele caminhou alguns passos e entrou numa porta que levava a uma escadaria lateral que apenas os funcionários tinham acesso. Então desceu até o térreo e logo alcançou a sala que usava para trabalhar.
Ao entrar em seu escritório, o ator acendeu a luz, abriu as cortinas verde-musgo e ligou o ar-condicionado. Em seguida acomodou-se no sofá próximo a uma estante com livros antigos e pegou o celular do bolso do terno que começava a tocar, suspirou ao reconhecer o número que ligava e atendeu sem rodeios.
— Quero saber se você já começou a pôr o plano em ação? — perguntou uma voz masculina rouca do outro lado da linha.
— Sim, já comecei, mesmo que eu ache que não deveria me envolver nessa caçada de forma direta. Você sabe que não posso me expor muito por causa da minha carreira e que não costumo pegar mais de 2 alunos para orientar por semestre e também evito orientar mulheres. — reclamou um pouco chateado.
— Você só evita porque tem medo da mídia, o que é uma bobagem… — retrucou num sussurro.
— Faço isso por cautela também, mas agora não tenho opção, pois vou ter que orientar a estrangeira, que é nossa isca para pegar o assassino. E nem sabemos se o nosso alvo vai se interessar por ela, tem muitas estrangeiras nesse campus.
— Essa criatura que estamos caçando é inteligente e gosta de um desafio, com certeza ao saber que uma pessoa famosa como você está orientando uma estrangeira, vai se interessar. — falou confiante.
— Não tenho dúvidas disso, por isso fico até com medo, pois vou ter que bater de frente com esse ser e talvez eu tenha que me expor e me aproximar da estrangeira para criar afinidade. Não gosto disso, é perigoso para a minha carreira.
— Entendo, porém você não tem escolha, senão mais pessoas poderão morrer.
— Tenho consciência sobre isso…
— Ótimo, preciso desligar agora. Até breve! — murmurou antes de encerrar a ligação.
Dong-jung praguejou baixinho enquanto guardava o celular no bolso e olhava pela janela, onde vários alunos passavam pelo pátio em direção ao estacionamento.