Capítulo 5: Sentimentos Ocultos
Capítulo 5
Sentimentos Ocultos
Quando Dong-jung e Fabiana entraram no restaurante tudo pareceu calmo, sem a menor agitação, os clientes que estavam lá dentro comiam quietos totalmente alheios ao que acontecia ao seu redor.
O proprietário encontrava-se perto do balcão concentrado conversando com dois atendentes, mas ao encarar os recém-chegados, e reconhecer o renomado ator, ele arregalou os olhos e veio rapidamente na direção deles.
— Oi, sejam bem-vindos!
— Gostaria de um lugar mais discreto e longe da entrada. Pode ser aquele local de sempre… — ordenou como se os dois já se conhecessem há muito tempo.
— Sim, Sr. Kim. Por favor, me acompanhem. — gesticulou o idoso enquanto conduzia o casal até uma mesa aos fundos, perto de uma porta lateral usada somente pelos funcionários do estabelecimento.
Enquanto caminhava, Fabiana foi observando o ambiente simples e a energia leve que o local emanava, o que passou a sensação de tranquilidade para ela, mesmo que sua mente estivesse turbulenta. Também não deixou de sentir o cheiro gostoso da comida ali servida, o que fez o seu estômago roncar.
Eles sentaram-se um de frente para o outro. Fabiana manteve as mãos entrelaçadas no colo, tentando parecer calma. Kim Dong-jung, por outro lado, estava confortável demais, observando cada micro expressão dela com interesse genuíno.
— Então, Fabiana… — ele começou, apoiando o queixo na mão. — Conte-me sobre você. Quero saber além do que está no seu currículo.
Ela piscou rapidamente.
— S-sobre mim?
— Sim. — O sorriso dele era quase encantador demais. — Você é diferente. Quero entender o que a trouxe até aqui.
Ela engoliu seco, sem saber por onde começar.
— Eu sempre gostei de cinema. Desde criança. E na adolescência — ela hesitou, finalmente encarando-o — me viciei em doramas.
Ele arqueou a sobrancelha, claramente interessado.
— Ah, é mesmo?
— Eu assisti sua primeira série logo depois que terminei com o meu primeiro namorado — confessou, sentindo o rosto esquentar. — Eu não estava num momento muito bom da minha vida, e aquela série me ajudou a ter novamente esperança no amor. Me marcou de uma forma muito positiva.
Dong-jung não tirava os olhos dela. Não era um olhar invasivo. Era intenso, curioso… como se aquela confissão tivesse mexido com alguma parte dele.
— Então… eu te influenciei de maneira positiva? — ele disse, lentamente.
O coração dela disparou.
— Eu acho que sim — murmurou um pouco corada.
Um sorriso lento surgiu nos lábios dele. Não arrogante, mas satisfeito, como quem descobre uma peça importante de um quebra-cabeça.
— Gosto disso — disse. — De saber que deixei uma contribuição positiva na vida das pessoas. Principalmente em alguém como você.
A respiração de Fabiana falhou por um instante.
Ele continuou:
— E agora estamos aqui. Você cresceu, seguiu um caminho e ele trouxe você diretamente para mim.
Fabiana ficou imóvel.
Ele não havia dito “para a produtora”. Não havia dito “para o mestrado”. Ele havia dito para mim.
— Isso soa estranho? — perguntou ele, inclinando-se levemente para a frente.
— Um pouco — admitiu ela, com sinceridade.
Dong-jung sorriu outra vez, dessa vez de um modo mais suave.
— Não tenha medo de mim.
Ela respirou fundo.
— Eu não tenho medo.
Ele estreitou os olhos, analisando-a com precisão desconcertante.
— Tem, sim. Mas também está curiosa.
Ela baixou o olhar para a mesa, pois ele estava certo. E isso a deixava ainda mais nervosa.
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A comida chegou, mas durante todo o almoço Dong-jung continuou fazendo perguntas. Algumas eram leves, outras íntimas, outras inesperadas. Ele parecia querer montar Fabiana como se fosse um quebra-cabeça complexo, peça por peça.
— Você é muito honesta quando se sente vulnerável — ele comentou em certo momento. — Isso a torna fascinante.
Fabiana ficou sem palavras. Naquele momento, ela sentiu que devia se afastar. Deveria criar limites, mas o fato de estar ali, jantando com seu professor e também um dos atores que admirava há anos, lhe deixava confusa. E para piorar a situação algo dentro dela sussurrava que ele percebia isso.
Quando terminaram, Dong-jung levantou-se e ofereceu a mão para ajudá-la a sair da mesa.
— Gostei de hoje — disse, olhando-a nos olhos. — Quero repetir.
Ela ficou vermelha, surpresa.
— P-podemos… quem sabe…
Ele se aproximou o suficiente para que ela sentisse o perfume dele.
— Fabiana… — sua voz veio baixa, quase íntima. — Você realmente não faz ideia do quanto me interessa.
O estômago dela se revirou de nervoso, de medo e de algo que ela se recusava a nomear.
— Vamos? — ele perguntou, recuando um passo.
Ela assentiu, silenciosa. Enquanto caminhavam para fora do restaurante, Fabiana percebeu algo: por mais que tentasse, não conseguia decifrá-lo.
E quanto mais tentava, mais ele a puxava para perto de um abismo que ela ainda não entendia.