Capítulo 7: Ecos no silêncio Não se apaixone por mim! · Capítulo 7 de 9
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Capítulo 7: Ecos no silêncio

Na manhã seguinte, ao entrar no prédio do Departamento de Comunicação Visual, ela foi surpreendida ao encontrar a porta da sala de Dong-jung entreaberta. Bateu de leve, e uma voz calma respondeu:

— Pode entrar.

A sala era ampla, organizada com perfeição quase obsessiva. Quadros de filmes clássicos nas paredes, maquetes de cenários em miniatura, estantes com livros sobre teoria da imagem, neurociência, publicidade e… comportamento humano. Ele a recebeu com um sorriso discreto e ofereceu chá verde.

— Quero que sua pesquisa seja mais do que uma análise técnica — disse ele, enquanto se sentava do outro lado da mesa de madeira escura. — O cinema e publicidade tem alma. E o que dá alma a uma imagem é o olhar de quem observa.

Fabiana anotava tudo, mas seu foco era quebrado por aquela voz suave, quase hipnótica.

— Você já pensou em como a imagem pode ser usada para manipular não só o desejo de consumo, mas o próprio senso de realidade?

— Sim... ou pelo menos, estou começando a pensar assim — respondeu ela, mais devagar do que pretendia.

— Ótimo — disse ele, com um meio sorriso. — Isso significa que você está analisando as coisas com os olhos certos.

— Fico feliz de saber disso, me esforcei tanto pesquisando e analisando, não é fácil, mas estou conseguindo.

Após aquela fala, a sala ficou em silêncio. E o olhar do professor pousou sobre Fabiana. Como se ele estivesse curioso sobre ela, ou talvez fascinado por sua inteligência. Ou quem sabe era algo mais profundo... alguma coisa que nem ele sabia nomear naquele momento.

Sentindo que estava sendo observada, Fabiana levantou a cabeça e pegou seu professor em flagrante a encarando. Movida pela curiosidade, o encarou de volta, não desviando o olhar. Então o que ela não imaginava, aconteceu, ele sorriu de canto e se aproximou.

— Você deveria tomar cuidado com o jeito que me encara, vai que eu gamo e você não vai escapar de mim… — se inclinou próximo dela e sussurrou em seu ouvido.

— Eu… eu — O coração de Fabiana disparou, ela ficou sem palavras, pois foi pega de surpresa com aquelas palavras.

— Eu não saio com minhas alunas, seria contra as regras da faculdade e não pegaria bem para mim, como ator. No entanto, posso abrir uma exceção, se for em segredo e fora daqui.

Aquela fala dele fez com que Fabiana ficasse petrificada, porque não acreditava naquela mudança repentina de personalidade dele, como se a máscara dele tivesse caído e ali diante dela estava o verdadeiro Dong-jung. Ou será que ele estava a testando? Meio confusa resolveu responder o que lhe veio à mente.

— Professor, acho que devemos manter o foco na dissertação, não quero estragar o nosso relacionamento de orientador e orientanda.

— Entendo… você está com medo de se envolver comigo. Muito esperta — murmurou e voltou a postura ereta.

— Professor, já acabou a nossa orientação?

— Sim, já terminou. Te vejo na próxima orientação.

Fabiana saiu da reunião preocupada e mexida com o que tinha acontecido, não acreditando na proposta que seu ídolo tinha lhe feito, por mais que o achasse bonito e gostasse dele, não podia arriscar se envolver com ele. A imagem que havia criado de Dong-jung na cabeça dela como um cara sério, havia sido destruída. A sensação de que estava caindo em algum tipo de armadilha do destino, a incomodava.

******

Apesar de seus pensamentos estarem confusos, Fabiana não deixava de prestar atenção nas coisas que aconteciam ao seu redor.

Enquanto atravessava o campus em direção à biblioteca, ela sentiu de repente um calafrio que subiu por sua coluna seguido de um arrepio, e uma estranha sensação de estar sendo observada a invadiu.

Rapidamente Fabiana olhou para trás, para os lados e não achou ninguém. Ela estava sozinha naquele corredor, que era pouco iluminado pela luz do sol, então resolveu apressar os passos e sair de lá.

******

Naquela noite, Fabiana teve um pesadelo, que começou com um corredor longo, escuro, parecido com certos lugares da universidade. Ela caminhava sozinha, os pés descalços faziam eco sobre o piso de mármore frio.

No fim do corredor, uma porta entreaberta. Da fresta, vinha o som de um piano tocando uma melodia triste e familiar, mas indefinível.

Fabiana empurrou a porta. Dentro da sala, havia uma moça de cabelos longos e olhos fechados. Usava um uniforme universitário e parecia cantar sem voz, os lábios se movendo em súplica silenciosa. Atrás dela, uma sombra masculina se aproximava, lenta, porém não dava de ver o seu rosto, apenas suas mãos que estavam cobertas de sangue.

Fabiana tentou gritar, mas o som não saía. Tentou correr, mas os pés estavam presos ao chão.

Antes que a sombra tocasse a moça, ela virou-se rapidamente para Fabiana e sussurrou com clareza, mesmo sem abrir a boca:

—Você está vendo. Agora ele vê você também.

Fabiana acordou arfando, o corpo suado, o coração disparado como se tivesse corrido quilômetros.

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