Capítulo 4: Você me deixa nervosa! Não se apaixone por mim! · Capítulo 4 de 9
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Capítulo 4: Você me deixa nervosa!

Você me deixa nervosa!

No dia seguinte, Fabiana escolheu uma roupa discreta para vestir, pois necessitava passar a imagem de uma pessoa reservada e focada no que estava fazendo para o seu orientador.

Chegou meia hora antes do horário combinado à produtora, ainda com o coração acelerado. Assim que entrou no prédio, foi recebida por uma recepcionista sorridente, que pediu para ela aguardar alguns minutos no saguão.

Enquanto observava os posters de produções anteriores pendurados nas paredes, Fabiana ouviu passos atrás de si. Virou-se e, para sua surpresa, deparou-se com Kim Dong-jung, o professor que tanto a intrigava e também admirava.

— Bom dia, Fabiana. Vejo que recebeu o meu convite — disse ele com um leve sorriso

Fabiana sentiu as pernas estremecerem diante da presença dele. O sorriso parecia cortês, mas havia algo em seu tom que a deixava desconfortável, como se houvesse uma segunda intenção oculta nas palavras.

— Bom dia, professor — respondeu, tentando manter a voz firme. — Sim… recebi o convite ontem. Fiquei surpresa.

Ele inclinou levemente a cabeça, analisando-a com aquele olhar profundo que a deixava sem ar.

— Surpresa? Você merece. Tenho certeza de que vai aprender muito hoje, me acompanhe — ele fez um sinal para que ela o seguisse.

Após alguns passos, eles entraram num corredor iluminado apenas por luzes brancas, e o único som que podia ser ouvido ali vinha dos passos deles. Não demorou muito para os dois alcançarem a porta no final do corredor e entrarem.

*****

Na sala, havia uma mesa com algumas cadeiras num dos cantos e um pouco afastado tinha dois monitores de televisão, computadores e outros equipamentos. Fabiana sentou numa cadeira que aparentava ser confortável, ajeitou a bolsa no colo, enquanto Dong-jung acomodou-se ao lado dela, o que a deixou em alerta, porque ele estava próximo demais.

O diretor da equipe responsável pela elaboração do teaser da série entrou na sala apressado junto com seu assistente, e sentou-se numa cadeira que ficava próxima da porta. Enquanto isso, o homem que veio com ele tirava da mochila um notebook e o conectava a um projetor.

Não demorou muito para as imagens serem refletidas na tela branca da parede, o diretor suspirou e começou a explicar a ideia central por meio de cenas bem destacadas e o que elas pretendiam instigar no público.

Enquanto isso, Dong-jung encontrava-se focado em observar cada reação de Fabiana com um interesse quase clínico, pois tinha uma estranha necessidade de analisar suas emoções e reações ao que acontecia ao seu redor.

— Pensamos em algo dinâmico, com cortes rápidos — dizia o senhor de idade apontando para algumas imagens que estavam na tela — A música escolhida será simples, e criará uma atmosfera de tensão…

Fabiana assentiu, anotando tudo em seu caderno. Mas uma parte dela não conseguia ignorar a proximidade do professor. Ele estava sério, atento, mas de um jeito estranho, como se analisasse mais o comportamento dela do que o conteúdo da reunião.

Quando o diretor fez uma pausa para o assistente mudar de slide, Dong-jung inclinou-se um pouco na direção da brasileira.

— Está nervosa? — perguntou em voz baixa, tão baixa que parecia uma confidência.

Fabiana engoliu seco.

— Só… é tudo muito novo para mim — respondeu, mantendo o olhar na tela.

— Não parece — ele disse, e o comentário veio acompanhado de um leve sorriso. — Você demonstra controle e eu gosto disso.

Ela não sabia se aquilo era um elogio ou ele estava dando em cima dela, o que era de certo modo estranho, nunca pensou que seu professor fosse galanteador.

O diretor retomou a fala, mostrando agora algumas cenas gravadas no dia anterior refletidas na parede. A sala se encheu de luz azulada e Fabiana observava atentamente as imagens.

— O que acha dessa sequência? — o homem perguntou.

Fabiana piscou algumas vezes, voltando à realidade.

— Ah… eu gosto do ritmo — respondeu. — Mas talvez… talvez o enquadramento desse close possa ser mais amplo. Para transmitir mais desconforto, sabe? A personagem está sendo observada.

Dong-jung virou a cabeça devagar, encarando-a com interesse renovado.

— Boa percepção — disse ele, com um tom que fez um arrepio percorrer a espinha dela. Vou anotar isso e passar para o diretor.

— Não precisa, o meu assistente já anotou a sugestão de sua aluna de mestrado, ela é genial.

— Muito obrigada, Sr. Lee, fico lisonjeada com o seu elogio.

— Só falei a verdade, minha jovem!

A reunião seguiu por mais duas horas até que, finalmente, o diretor recebeu uma ligação urgente e precisou se retirar para atender outro assunto.

Assim que a porta se fechou, o silêncio na sala ficou mais espesso. Fabiana percebeu que estava sozinha com Dong-jung.

Ele cruzou as pernas, inclinando o corpo na direção dela, apoiando um braço no encosto da cadeira dela, mantendo-a parcialmente cercada.

— Devo admitir — começou ele, olhando-a como quem observa uma peça rara — Sua intuição é… apurada.

Fabiana respirou fundo, tentando manter a postura.

— Eu apenas tento fazer o meu melhor.

— Isso fica claro.

Ele deixou a mão deslizar lentamente pela mesa, com movimentos calculados, como se testasse o quanto daquilo a deixaria desconfortável.

— E, a propósito — continuou — fiquei satisfeito por você ter vindo. É importante para mim ver seu progresso tão de perto.

A última frase ecoou em sua mente: de perto. Antes que ela pudesse responder, alguém bateu na porta. A recepcionista entrou apressada.

— Desculpe, interromper, mas o Sr. Lee disse que vocês já estão liberados, não se preocupem depois ele irá mandar algumas considerações finais a respeito do teaser por email Já está quase na hora do almoço, vou indo. Foi um prazer tê-los em nossa produtora, podem ir embora se quiserem — falou séria.

— Muito obrigada — Fabiana murmurou e se levantou com o intuito de acompanhar a recepcionista para fora da sala, porém foi interrompida por seu orientador que se aproximou dela.

— Venha. Vou levá-la para comer um lanche. Você deve estar com fome.

— Ahn… professor, não precisa… — murmurou Fabiana, desconcertada. — Eu poderia ir sozinha e isso não ficaria bem. Suas fãs não iriam gostar, fora os paparazzi que devem estar por aí, não sei se seria uma boa ideia.

— Não se preocupe, vou colocar um boné e um óculos de grau e ninguém vai me reconhecer, espera um pouquinho aqui. Vou pegar na minha mochila, sempre trago eles junto comigo — murmurou ele num tom suave e ao mesmo tempo firme, enquanto abriu a mochila.

Essas últimas palavras a atingiram como um choque. Conhecer melhor? Por quê? Ela ficou paralisada por um segundo, dividida entre o desconforto do mistério que ele carregava e a empolgação involuntária, quase infantil, de estar na companhia de alguém que admirava há anos como ator. Sua amiga iria matá-la se soubesse que ela saiu com Dong-jung e ele parecia que estava interessado nela. Ele era bonito e charmoso, mas viver algo com alguém famoso seria perigoso, mesmo que lá no fundo surgisse um sentimento.

— Está tudo bem? — ele perguntou, percebendo sua hesitação.

— E-eu… sim — respondeu, desviando o olhar. — Podemos ir.

******

Eles caminharam até um restaurante discreto, a poucos quarteirões da produtora. Era pequeno, iluminado por luzes âmbar e com mesas de madeira escura.

O tipo de lugar que não chamava atenção e talvez fosse exatamente por isso que ele havia escolhido.

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