História do Brasil
História do Brasil
Pero Vaz Caminha
A descoberta
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
Os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantados
Primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
As meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
Gandavo
Hospedagem
Porque a mesma terra é tal
E tão favorável aos que a vão buscar
Que a todos agasalha e convida
Chorografia
Tem a forma de uma harpa
Confina com as altíssimas terras dos Andes
E fraldas do Peru
As quais são tão soberbas em cima da terra
Que se diz terem as aves trabalho em as passar
Salubridade
O ser ela tão salutífera e livre de enfermidades
Procede dos ventos que cruzam nela
E como todos procedem da parte do mar
Vêm tão puros e coados
Que não danam
Recreiam e acrescentam a vida do homem
Sistema hidrográfico
As fontes que há na terra são infinitas
Cujas águas fazem crescer a muitos e grandes rios
Que por esta costa
Assim da banda do Norte como do Oriente
Entram no mar oceano
País do ouro
Todos têm remédio de vida
E nenhum pobre anda pelas portas
A mendigar como nestes Reinos
Natureza morta
A esta fruta chamam ananases
Depois que são maduras têm um cheiro mui suave
E comem-se aparados feitos em talhada
E assim fazem os moradores por ele mais
E os têm em maior estima
Que outro nenhum pomo que haja na terra
Riquezas naturais
Muitos metais, pepinos, romãs e figos
De muitas castas
Cidras, limões e laranjas
Uma infinidade
Muitas canas de açúcar
Infinito algodão
Também há muito pau-brasil
Nestas capitanias
Festa da raça
Um certo animal se acha também nestas partes
A que chamam preguiça
Tem uma guedelha grande no toutiço
E se move com passos tão vagarosos
Que ainda que ande quinze dias aturado
Não vencerá distância de um tiro de pedra
O Capuchinho Claude d'Abbeville
A moda
Les femmes n'ont point la lèvre percée
Mais en récompense
Elles ont les oreilles trouées
Et elles s'estiment aussi braves
Avec des rouleaux de bois dedans les trous
Que font les dames de par-deçà
Avec leurs grosses perles et riches diamants
Cá e lá
Cette coutume de marcher nu
Est merveilleusement difforme et déshonnête
N'étant peut-être si dangereuse
Ni si attrayante
Que les nouvelles inventions
Des dames de par-deçà
Qui ruinent plus d'âmes
Que ne le font les filles indiennes
O país
Il y a une fontaine
Au beau milieu
Particulière en beauté
Et en bonté
Des eaux vives et très claires
Rejaillissent d'icelle
Et ruissellent dedans la mer
Étant environnée
De palmiers, gaïacs, myrtes
Sur lesquels
On voit souvent
Des monnes et guenons
Frei Vicente do Salvador
Paisagem
Cultivam-se palmares de cocos grandes
Principalmente à vista do mar
As aves
Há águias de sertão
E emas tão grandes como as de África
Umas brancas e outras malhadas de negro
Que com uma asa levantada ao alto
Ao modo de vela latina
Correm com o vento
Amor de inimiga
Posto que alguma
Pelo amor que lhe tem
Solta também o preso
E se vai com ele para suas terras
Prosperidade de São Paulo
Ao redor desta vila
Estão quatro aldeias de gentio amigo
Que os padres da Companhia doutrinam
Fora outro muito
Que cada dia desce do sertão
Fernão Dias Paes
Partirei
Com quarenta homens brancos afora eu
E meu filho
E quatro tropas de moços meus
Gente escoteira com pólvora e chumbo
Vossa Senhoria
Deve considerar que este descobrimento
É o de maior consideração
Em razão do muito rendimento
E também esmeraldas
Frei Manoel Calado
Civilização pernambucana
As mulheres andam tão louçãs
E tão custosas
Que não se contentam com os tafetás
São tantas as joias com que se adornam
Que parecem chovidas em suas cabeças e gargantas
As pérolas, rubis e diamantes
Tudo são delícias
Não parece esta terra senão um retrato
Do terreal paraíso
J. M. P. S. da cidade do Porto
Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teado
E vão fazendo telhados
Príncipe Dom Pedro
Carta ao patriarca
Tendo pensamenteado toda a noite
Assentei passar revista aos Granadeiros
Assim se os enxergar esta tarde no Rossio
Não assente ver bernarda
Incumbi ao Miquilina
E ao Major do Regimento dos Pardos
Para virem me dar parte
De tudo que se disser pelos botequins
Estimarei que aprove esta medida
E assento que melhores
E mais fiéis e aderentes à causa do Brasil
Do que os Pardos meus amigos
Ninguém