História do Brasil Pau Brasil · Capítulo 3 de 11
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História do Brasil

História do Brasil

Pero Vaz Caminha

A descoberta

Seguimos nosso caminho por este mar de longo

Até a oitava da Páscoa

Topamos aves

E houvemos vista de terra

Os selvagens

Mostraram-lhes uma galinha

Quase haviam medo dela

E não queriam pôr a mão

E depois a tomaram como espantados

Primeiro chá

Depois de dançarem

Diogo Dias

Fez o salto real

As meninas da gare

Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis

Com cabelos mui pretos pelas espáduas

E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas

Que de nós as muito bem olharmos

Não tínhamos nenhuma vergonha

Gandavo

Hospedagem

Porque a mesma terra é tal

E tão favorável aos que a vão buscar

Que a todos agasalha e convida

Chorografia

Tem a forma de uma harpa

Confina com as altíssimas terras dos Andes

E fraldas do Peru

As quais são tão soberbas em cima da terra

Que se diz terem as aves trabalho em as passar

Salubridade

O ser ela tão salutífera e livre de enfermidades

Procede dos ventos que cruzam nela

E como todos procedem da parte do mar

Vêm tão puros e coados

Que não danam

Recreiam e acrescentam a vida do homem

Sistema hidrográfico

As fontes que há na terra são infinitas

Cujas águas fazem crescer a muitos e grandes rios

Que por esta costa

Assim da banda do Norte como do Oriente

Entram no mar oceano

País do ouro

Todos têm remédio de vida

E nenhum pobre anda pelas portas

A mendigar como nestes Reinos

Natureza morta

A esta fruta chamam ananases

Depois que são maduras têm um cheiro mui suave

E comem-se aparados feitos em talhada

E assim fazem os moradores por ele mais

E os têm em maior estima

Que outro nenhum pomo que haja na terra

Riquezas naturais

Muitos metais, pepinos, romãs e figos

De muitas castas

Cidras, limões e laranjas

Uma infinidade

Muitas canas de açúcar

Infinito algodão

Também há muito pau-brasil

Nestas capitanias

Festa da raça

Um certo animal se acha também nestas partes

A que chamam preguiça

Tem uma guedelha grande no toutiço

E se move com passos tão vagarosos

Que ainda que ande quinze dias aturado

Não vencerá distância de um tiro de pedra

O Capuchinho Claude d'Abbeville

A moda

Les femmes n'ont point la lèvre percée

Mais en récompense

Elles ont les oreilles trouées

Et elles s'estiment aussi braves

Avec des rouleaux de bois dedans les trous

Que font les dames de par-deçà

Avec leurs grosses perles et riches diamants

Cá e lá

Cette coutume de marcher nu

Est merveilleusement difforme et déshonnête

N'étant peut-être si dangereuse

Ni si attrayante

Que les nouvelles inventions

Des dames de par-deçà

Qui ruinent plus d'âmes

Que ne le font les filles indiennes

O país

Il y a une fontaine

Au beau milieu

Particulière en beauté

Et en bonté

Des eaux vives et très claires

Rejaillissent d'icelle

Et ruissellent dedans la mer

Étant environnée

De palmiers, gaïacs, myrtes

Sur lesquels

On voit souvent

Des monnes et guenons

Frei Vicente do Salvador

Paisagem

Cultivam-se palmares de cocos grandes

Principalmente à vista do mar

As aves

Há águias de sertão

E emas tão grandes como as de África

Umas brancas e outras malhadas de negro

Que com uma asa levantada ao alto

Ao modo de vela latina

Correm com o vento

Amor de inimiga

Posto que alguma

Pelo amor que lhe tem

Solta também o preso

E se vai com ele para suas terras

Prosperidade de São Paulo

Ao redor desta vila

Estão quatro aldeias de gentio amigo

Que os padres da Companhia doutrinam

Fora outro muito

Que cada dia desce do sertão

Fernão Dias Paes

Partirei

Com quarenta homens brancos afora eu

E meu filho

E quatro tropas de moços meus

Gente escoteira com pólvora e chumbo

Vossa Senhoria

Deve considerar que este descobrimento

É o de maior consideração

Em razão do muito rendimento

E também esmeraldas

Frei Manoel Calado

Civilização pernambucana

As mulheres andam tão louçãs

E tão custosas

Que não se contentam com os tafetás

São tantas as joias com que se adornam

Que parecem chovidas em suas cabeças e gargantas

As pérolas, rubis e diamantes

Tudo são delícias

Não parece esta terra senão um retrato

Do terreal paraíso

J. M. P. S. da cidade do Porto

Vício na fala

Para dizerem milho dizem mio

Para melhor dizem mió

Para pior pió

Para telha dizem teia

Para telhado dizem teado

E vão fazendo telhados

Príncipe Dom Pedro

Carta ao patriarca

Tendo pensamenteado toda a noite

Assentei passar revista aos Granadeiros

Assim se os enxergar esta tarde no Rossio

Não assente ver bernarda

Incumbi ao Miquilina

E ao Major do Regimento dos Pardos

Para virem me dar parte

De tudo que se disser pelos botequins

Estimarei que aprove esta medida

E assento que melhores

E mais fiéis e aderentes à causa do Brasil

Do que os Pardos meus amigos

Ninguém

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