Loyde brasileiro Pau Brasil · Capítulo 11 de 11
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Loyde brasileiro

Loyde brasileiro

Canto do regresso à Pátria

Minha terra tem palmares

Onde gorgeia o mar

Os passarinhos aqui

Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas

E quase que mais amores

Minha terra tem mais ouro

Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas

Eu quero tudo de lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra

Sem que volte pra São Paulo

Sem que veja a Rua 15

E o progresso de São Paulo

Tarde de partida

Casas embandeiradas

De janelas

De Lisboa

Terremoto azul

Fixado

Nos nevoeiros históricos

O teu velho verde

Crepita de verdura

E de faróis

Para o adeus da pátria quinhentista

E o acaso dos Brasis

Cielo e mare

O mar

Canta como um canário

Um compatriota de boa família

Empanturra-se de whisky

No bar

Famílias tristes

Alguns gigolôs sem efeito

Eu jogo

Ela joga

O navio joga

O cruzeiro

Primeiro farol de minha terra

Tão alto que parece construído no céu

Cruz imperfeita

Que marcas o calor das florestas

E os discursos de 22 câmaras de deputados

Silêncio sobre o mar do Equador

Perto de Alpha e de Beta

Perdão dos analfabetos que contam casos

Acaso

Rochedos São Paulo

Everest da Atlântida

Vanguarda calcinada do Brasil

Ponto geocêntrico eriçado

Contra as escarpas das ondas

Do Amazonas

Poleiro de Gago Coutinho

Fernando de Noronha

De longe pareces uma catedral

Gravando a latitude

Terra habitada no mar

Pela minha gente

Entre contrafortes e penedos vulcânicos

Uma ladeira coberta de mato

Indica a colônia lado a lado

Um muro branco de cemitério

A igreja

Quatro antenas

Levantadas entre a Europa e a América

Um farol e um cruzeiro

Recife

Desenvoltura

Atração sinuosa

Da terra pernambucana

Tudo se enlaça

E absorve em ti

Retilínea

Cana de açúcar

Dobrada

Para deixar mais alta

Olinda

Plantada

Sobre uma onda linda

Do mar pernambucano

Mas os guindastes

São canhões que ficaram

Em memória

Da defesa da Pátria

Contra os holandeses

Chaminés

Palmares do cais

Perpendiculares aos hangares

E às broas negras d'óleo

Baluartes do progresso

Para render

Os velhos fortes

Carcomidos

Pelos institutos históricos

Na paisagem guerreira

Os coqueiros se empenacham

Como guerreiros em festa

Ruas imperiais

Palmeiras imperiais

Pontes imperiais

As tuas moradias

Vestidas de azul e de amarelo

Não contradizem

Os prazeres civilizados

Da Rua Nova

Nos teus paralelepípedos

Os melhores do mundo

Os automóveis

Do Novo Mundo

Cortam as pontes ancestrais

Do Capiberibe

Desenvoltura

Concreto sinuoso

Que liga o arranha-céu

À bênção das tuas igrejas

Velhas

De abençoar

A gente corajosa

De Pernambuco

Escala

Sob um solzinho progressista

Há gente parada no cais

Vendo um guindaste

Dar tiro no céu

Versos baianos

Tua orla Bahia

No benefício destas águas profundas

E o mato encrespado do Brasil

Uma jangada leva os teus homens morenos

De chapéu de palha

Pelos campos de batalha

Da Renascença

Este mesmo mar azul

Feito para as descidas

Dos hidroplanos de meu século

Frequentado rendez-vous

De holandeses de Condes e de Padres

Que Amaralina atualiza

Poste das saudades transatlânticas

Riscando o ocre fotográfico

Entre Itapuã e o farol tropical

A bandeira nacional agita-se sobre o Brasil

A cidade alteia cúpulas

Torres coqueiros

Árvores transbordando em mangas rosas

Até os navios ancorados

Forte de São Marcelo

Panela de pedra da história colonial

Cozinhando palmas

E as tuas ruas entreposto do Mundo

E os teus sertanejos asfaltados

E o teu ano de igrejas diferentes

Com um grande dia santo

Catedral da Bahia

Genuflexório dos primeiros potentados

Confessionário dos inquisidores

Catedral

És o fim do roteiro de Robério Dias

Romance de Alencar

Encadernado em ouro

Por dentro

Mais grandiosa que São Pedro

Catedral do Novo Mundo

Passa uma yole

Com remadores brancos

No ocaso indigesto

De Itaparica

Noite no Rio

O Pão de Açúcar

É Nossa Senhora da Aparecida

Coroada de luzes

Uma mulata passa nas Avenidas

Como uma rainha de palco

Talco

Fácil

Árvores sem emprego

Dormem de pé

Há um milhão de maxixes

Na preguiça

Que vem do fundo da colônia

Do mar

Da beleza de Dona Guanabara

Paixões de féerie

O Minas Gerais pisca para o Cruzeiro

Anúncio de São Paulo

Antes da chegada

Afixam nos offices de bordo

Um convite impresso em inglês

Onde se contam maravilhas de minha cidade

Sometimes called the Chicago of South America

Situada num planalto

2.700 pés acima do mar

E distando 79 quilômetros do porto de Santos

Ela é uma glória da América contemporânea

A sua sanidade é perfeita

O clima brando

E se tornou notável

Pela beleza fora do comum

Da sua construção e da sua flora

A Secretaria da Agricultura fornece dados

Para os negócios que aí se queiram realizar

Contrabando

Os alfandegueiros de Santos

Examinaram minhas malas

Minhas roupas

Mas se esqueceram de ver

Que eu trazia no coração

Uma saudade feliz

De Paris.

Laus Deo

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