Poemas da Colonização Pau Brasil · Capítulo 4 de 11
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Poemas da Colonização

Poemas da Colonização

A transação

O fazendeiro criara filhos

Escravos escravas

Nos terreiros de pitangas e jabuticabas

Mas um dia trocou

O ouro da carne preta e musculosa

As gabirobas e os coqueiros

Os monjolos e os bois

Por terras imaginárias

Onde nasceria a lavoura verde do café

Fazenda antiga

O Narciso marceneiro

Que sabia fazer moinhos e mesas

E mais o Casimiro da cozinha

Que aprendera no Rio

E o Ambrósio que atacou Seu Juca de faca

E suicidou-se

As dezenove pretinhas grávidas

Negro fugido

O Jerônimo estava numa outra fazenda

Socando pilão na cozinha

Entraram

Grudaram nele

O pilão tombou

Ele tropeçou

E caiu

Montaram nele

O recruta

O noivo da moça

Foi para a guerra

E prometeu se morresse

Vir escutar ela tocar piano

Mas ficou para sempre no Paraguai

Caso

A mulatinha morreu

E apareceu

Berrando no moinho

Socando pilão

O gramático

Os negros discutiam

Que o cavalo sipantou

Mas o que mais sabia

Disse que era

Sipantarrou

O medroso

A assombração apagou a candeia

Depois no escuro veio com a mão

Pertinho dele

Ver se o coração ainda batia

Cena

O canivete voou

E o negro comprado na cadeia

Estatelou de costas

E bateu com a cabeça na pedra

O capoeira

“Qué apanhá sordado”

“O quê?”

“Qué apanhá?”

Pernas e cabeças na calçada

Medo da Senhora

A escrava pegou a filhinha nascida

Nas costas

E se atirou no Paraíba

Para que a criança não fosse judiada

Levante

Contam que houve uma porção de enforcados

E as caveiras espetadas nos postes

Da fazenda desabitada

Uivam de noite

No vento do mato

A roça

Os cem negros da fazenda

Comiam feijão e angu

Abóbora, chicória e cambuquira

Pegavam uma roda de carro

Nos braços

Azorrague

“Chega! Peredôa!”

Amarrados na escada

A chibata preparava os cortes

Para a salmoura

Relicário

No baile da Corte

Foi o Conde d'Eu quem disse

Pra Dona Benvinda

Que farinha de Suruí

Pinga de Parati

Fumo de Baependi

É comê bebê pitá e caí

Senhor feudal

Se Pedro Segundo

Vier aqui

Com história

Eu boto ele na cadeia

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