Roteiro das Minas Pau Brasil · Capítulo 10 de 11
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Roteiro das Minas

Roteiro das Minas

Convite

São João del-Rei

A fachada do Carmo

A igreja branca de São Francisco

Os morros

O córrego do Lenheiro

Ide a São João del-Rei

De trem

Como os paulistas foram

A pé de ferro

Imutabilidade

Moça bonita em penca

Sete Lagoas

Sabará

Caeté

O córrego que ainda tem ouro

Entre a estação e a cidade

E o mequetrefe

Vai tocar viola nas vendas

Porque a bateia está ali mesmo

Traituba

O sobrado parecia uma igreja

Currais

E uma e outra árvore

Para amarrar os bois

O pomar de toda fruta

E a passarinhada

Joá na roça de milho

Carros de fumo puxados por 12 bois

Codorna tucano perdiz araponga

Jacu nhambu juriti

Semana Santa

A matraca alegre

Debaixo do céu de comemoração

Diz que a Tragédia passou longe

O Brasil é onde o sangue corre

E o ouro se encaixa

No coração da muralha negra

Recortada

Laminada

Verde

Procissão do enterro

A Verônica estende os braços

E canta

O pálio parou

Todos escutam

A voz na noite

Cheia de ladeiras acesas

Simbologia

Abranhão tem bigodes pretos

E sabia que Deus colocava o Anjo atrás dele

Isaac é inocente pequeno e nuzinho

Os homens que carregam o caixão

Estão todos de branco

E descalços

O soldado romano

É zangadíssimo

E tem cabelo na cara

O padre saiu para a rua

De dentro de um quadro antigo

São José del-Rei

Bananeiras

O sol

O cansaço da ilusão

Igrejas

O ouro na serra de pedra

A decadência

Sábado de aleluia

Serpentes de fogo procuram morder o céu

E estouram

A praça pública está cheia

E a execução espera o arcebispo

Sair da história colonial

Longe vai tempo soltaram a lua

Como um balão de dentro da serra

Judas balança caído numa árvore

Do céu doirado e altíssimo

Jardins

Palmeiras

Negros

Bumba meu boi

Descolocado

Arrebentado

Vai sair

A companhia do arraiá

Da Boa Sorte

Sob o estandarte

A tourada dança

Na música noturna

Ressurreição

Um atropelo de sinos processionais

No silêncio

Lá fora tudo volta

À espetaculosa tranquilidade de Minas

Menina e moça

Gostei de todas as festas

Porque esse negócio de missa

E procissão

É só para os olhares

Vou agora triste no trem

Com aquela paixão

No coração

Vou emagrecer

Junto às palmeiras

Malditas

Da fazenda

Casa de Tiradentes

A Inconfidência

No Brasil do ouro

A história morta

Sem sentido

Vazia como a casa imensa

Maravilhas coloniais nos tetos

A igreja abandonada

E o sol sobre muros de laranja

Na paz do capim

Chagas Dória

Picassos na parede branca

E mais nada

Sob o teto de caixões

Mas na sacristia

Uma imagem barbuda

Arregalada de santidade

Me espera como uma criança de colo

Mapa

Ibitiruna

Campos sertanejos

Carmo da Mata

Tartária

E a máquina de brincadeira

Que corre dois dias

Atrás da barra do Paraopeba

Capela Nova

Salão Mocidade

Hotel do Chico

Uma igreja velha e cor de rosa

Na decoração dos bananais

Dos coqueirais

Documental

É o Oeste no sentido cinematográfico

Um pássaro caçoa do trem

Maior do que ele

A estação próxima chama-se Bom Sucesso

Floresta colinas cortes

E súbito a fazenda nos coqueiros

Um grupo de meninas entra no filme

Paisagem

Na atmosfera violeta

A madrugada desbota

Uma pirâmide quebra o horizonte

Torres espirram do chão ainda escuro

Pontes trazem nos pulsos rios bramindo

Entre fogos

Tudo novo se desencapotando

Longo da linha

Coqueiros

Aos dois

Aos três

Aos grupos

Altos

Baixos

Santa Quitéria

Palmas imensas

Sobem dos caules ocultos

Cercas e cavalos

E a raça que se apruma

Aproximação da capital

Trazem-nos poemas no trem

Azuis e vermelhos

Como a terra e o horizonte

É um hotel rigorosamente familiar

Que oferece vantagens reais

Aos dignos forasteiros

Havendo o máximo escrúpulo na direção da cozinha

Casas defendem o vosso próprio interesse

Proporcionando-vos uma economia

De 2$00, de 3$000

Impermeáveis

Borzeguins

Pijamas

Barreiro

Estradas de rodagem

E o canto dos meninos azuis da Gameleira

A paisagem nos abraça

Pontes

Alvenaria

Ninhos

Passarinhos

A escola e a fazenda de duzentos anos

Canção do Vira

Coa comadre pode

Pode

Quá o quê

Afinca

Afinca

Lagoa Santa

Águas azuis no milagre dos matos

Um cemitério negro

Ruas de casas despencando a pique

No céu refletido

Viveiro

Bananeiras monumentais

Mas no primeiro plano

O cachorro é maior que a menina

Cor de ouro fosco

As casas do vale

São habitadas pela passarada matinal

Que grita de longe

Junto à Capela

Há um pintor

Marcolino de Santa Luzia

Sabará

Este córrego há trezentos anos

Que atrai os faiscadores

Debaixo das serras

No fundo da bateia lavada

O sol brilha como ouro

Outrora havia negros a cada metro de margem

Para virar o rio metálico

Que ia no dorso dos burros

E das caravelas

Borba Gato

Os paulistas traídos

Sacrilégios

O vento

Ouro Preto

Vamos visitar São Francisco de Assis

Igreja feita pela gente de Minas

O sacristão que é vizinho da Maria Cana-Verde

Abre e mostra o abandono

Os púlpitos do Aleijadinho

O teto do Ataíde

Mas a dramatização finalizou

Ladeiras do passado

Esquartejamentos e conjurações

Sob o Itacolomi

Nos poços mecânicos policiados

Da Passagem

E em alguns maus alexandrinos

Só o Morro da Queimada

Fala do Conde de Assumar

Congonhas do Campo

Há um hotel novo que se chama York

E lá em cima na palma da mão da montanha

A igreja no círculo arquitetônico dos Passos

Painéis quadros imagens

A religiosidade no sossego do sol

Tudo puro como o Aleijadinho

Um carro de boi canta como um órgão

Ocaso

No anfiteatro de montanhas

Os profetas do Aleijadinho

Monumentalizam a paisagem

As cúpulas brancas dos Passos

E os cocares revirados das palmeiras

São degraus da arte de meu país

Onde ninguém mais subiu

Bíblia de pedra-sabão

Banhada no ouro das minas

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