Três Princípios da Revolução Modernista
Não cabe neste discurso de caracter polêmico, o processo analítico do movi mento modernista. Embora se integras sem nele figuras e grupos preocupados de construir, o espírito modernista que avassalou o Brasil, que deu o sentido bis-
tórico da Inteligência nacional desse pe ríodo, foi destruidor. Mas esta destrui ção, não apenas continha todos os germes da atualidade, como era uma convulsão profundíssima da realidade brasileira. O que caracteriza esta realidade que o movi mento modernista impôs, é, a meu ver, a fusão de três princípios fundamentais: O direito permanente à pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira; e a estabilização de uma conciência criadora nacional. Nada disto representa exatamente uma inovação e de tudo encontramos exemplos na história artística do paio. A novidade fundamental, imposta pelo mo vimento, foi a conjugação dessas três normas num todo orgânico da conciência coletiva, E si, dantes, nós distinguimos a estabilização assombrosa de uma con ciência nacional num Gregório de Matos, ou, mais natural e eficiente, num Castro Alves: é certo que a nacionalidade deste.
como a nacionalistiqnice do outro, e o na cionalismo de um Carlos Gomes, e até mesmo de um Almeida Junior, eram episódicos como realidade do espírito. E em qualquer caso, sempre um indi vidualismo. Quanto ao direito de pesquisa esté tica e atualização universal da criação artística, é incontestável que todos os movimentos históricos das nossas artes (menos o Romantismo que comentarei adiante) sempre se basearam no academismo. Com alguma excepção indivi dual rara, e sem a menor repercussão coletiva, os artistas brasileiros jogaram sempre colonialmente no certo. Repe tindo e afeiçoando estéticas já consagra das, se eliminava assim o direito de pes quisa, e consequentemente de atualidade. E foi dentro desse academismo inelutá vel que se realizaram nossos maiores, um Aleijadinho, um Costa Ataíde, Cláudio Manuel, Gonçalves Dias, Gonzaga, José
Maurício, Nepomuceno, Aluísio. Ei-até mesmo um Alvares de Azevedo, até mesmo um Alphonsus de Guimaraens. Ora o nosso individualismo entor pecente se esperdiçava no mais desprezivel dos lemas modernistas, ‘ ‘Não há es colas !” , e isso terá por certo prejudicado muito a eficiência criadora do movi mento. E si não prejudicou a sua ação espiritual sobre o país, é porque o espí rito paira sempre acima dos preceitos como das próprias idéias. . . Já é tempo de observar, não o que um Augusto Meyer, um Tasso da Silveira e um Carlos Drummond de Andrade têm de diferente, mas o que têm de igual. E o que nos igualava, por cima dos nossos dispautérios individualistas, era justamente a organicidade de um espírito atualizado, que pesqpiisava já irrestritamente radica do à sua entidade coletiva nacional. Não apenas acomodado à terra, mas gostosa mente radicado em sua realidade. 0 que
não se deu sem alguma patriotice e muita falsificação. . . Nisto as orelhas burguesas se alar dearam refartas por debaixo da aristocrá tica pele do leão que nos vestira. . . Por que, com efeito, o que se observa, o que caracteriza essa radicação na terra, num grupo numeroso de gente modernista de uma assustadora adaptabilidade política, palradores de definições nacionais, soció logos otimistas, o que os caracteriza é um conformismo legítimo, disfarçado e mal disfarçado nos melhores, mas na verdade cheio de uma cínica satisfação. A radi cação na terra, gritada em doutrinas e manifestos, não passava de um confor mismo acomodatício. Menos que radica ção, uma cantoria ensurdecedora, bas tante acadêmica, que não raro tornou-se um porque-me-ufanismo larvar. A ver dadeira conciência da terra levava fatal mente ao não-conformismo e ao protesto, como Paulo Prado com o “ Retrato do