A Lição Final
Eu creio que os modernistas da Se mana de Arte Moderna não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas po demos servir de lição, 0 homem atra
vessa uma fase integralmente política da humanidade. Nunca jamais êle foi tão “ momentâneo” como agora. Os abstencionismos e os valores eternos podem ficar pra depois ( l ) . E apesar da nossa atualidade, da nossa nacionalidade, da nossa universalidade, uma coisa não aju damos verdadeiramente, duma coisa não participamos: o amilhoramento políticosocial do homem. E esta é a essência mesma da nossa idade. Si de alguma coisa pode valer o meu desgosto, a insatisfação que eu me causo, que os outros não sentem assim na beira do caminho, espiando a multi(1) Sei que é impossível ao homem, nem êle deve abandonar os valores eternos, amor, amizade, Deus, a natureza. Quero exatamente dizer que numa idade humana como a que vivemos, cuidar dêsses valores apenas e se refugiar neles em livros de ficção e mesmo de técnica, é um abstencionismo deshonesto e deshonroso como qualquer outro. Uma covardia como qualquer outra. De resto, a forma política da sociedade é ura valor eterno íambein.
dão passar. Façam ou se recusem a fazer arte, ciências, ofícios. Mas não fiquem apenas nisto, espiões da vida, camufla dos em técnicos de vida, espiando a mul tidão passar. Marchem com as multi dões. Aos espiões nunca foi necessária essa “ liberdade” pela qual tanto se gri ta. Nos períodos de maior escravização do indivíduo, Grécia, Egito, artes e ciên cias não deixaram de florescer. Será que a liberdade é uma bobagem?. . . Será que o direito é uma bobagem!... A vida bumana é que é alguma coisa a mais que ciências, artes e profissões. E é nessa vida que a liberdade tem um sentido, e o direito dos homens. A liberdade nao é um prêmio, é uma sanção. Que bade vir.