rosana858
@rosana858
O Sopro do Início
Antes de tudo, havia o som da respiração do Universo.
Ele vinha do pulsar — suave e contínuo — do próprio existir.
Era o prenúncio da presença da vida.
Tudo era branco — como uma mente morta, sem lembranças, sem sentimentos.
Então, uma explosão despertou o Criador.
Seu coração acelerou e, do turbilhão do sentir, nasceu um amor profundo — força primeira que moldou formas-pensamento, desenhando ideias no vazio.
Assim surgiram as imagens — adormecidas, à espera do toque da ação. O gesto rompeu a inércia.
A mão rasgou o silêncio, e o invisível ganhou forma.
A escuridão se espalhou, tingindo o tecido imaculado do mundo.
Anjos e demônios, que habitavam o plano infinito, tornaram-se visíveis — antes ocultos, pois sem contraste não há forma.
Flutuaram entre o nada e o quase-ser, aguardando o primeiro sopro da criação.
Os anjos brilharam diante da sombra e revelaram a própria essência da luz.
Os demônios, em justa compensação, assumiram o papel do equilíbrio.
E assim, o cosmos começou a ganhar cor.
Os anjos ascenderam em voo, enquanto os demônios buscaram abrigo no submundo.
Preto e branco — revelação e harmonia.
Anjos e demônios: polos distintos, partes da mesma Obra.
@rschumaher
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