Sylvvia Rubraurora
@sylvviarubra#desafio 365 dias
Dia 59 - Nada mudou, Sylvia.
Ele me diz que lhe causo enxaqueca.
A minissaia vende minha coxa e sou consumo. Ou acham que sou. Repouso o copo entre minhas pernas e todos olham. Isso é Hollywood ou não é? Você não queria que fosse?
Mas ele diz que lhe causo náuseas.
E ela? Ela diz que quer ter carro e casa com vista para um iate. Eu pergunto com que bunda e ela me olha mortificada. Oi? Ela pensa que trabalhar oito horas diárias fora e mais as dezesseis restantes em casa não é ser fodida. Ela questiona como eu sou quem sou. Ela queria que eu fosse quem ela achava que eu deveria ser. Fo-di-da.
E o que penso é: sou a agonia dele?
Olha, a “menina dez” é porra-louca. Fez tattoo e se pintou. A menina dez não raspa o sovaco e você ri dela. Mas, para ela você, nem existe. Que diferença faz?
Ele vai falar comigo mais uma vez?
Eu piso na lama e meu coturno não encharca. A menina dez dança descalça na chuva e nem vai pegar resfriado. A burra-dou-a-bunda-oito-horas-pra-empresa chora pelo seu salto alto arruinado e as unhas, cujas cutículas ela arrancou, vão apodrecer.
Enxaqueca é a puta que pariu.
Pego o copo e cruzo as pernas. Todos olham de novo. Porra de Hollywood: isso é real, sem maquiagens.
Ela passou o fim de semana num cruzeiro. Voltou queimada e ardida. Mas de bunda descansada pra recomeçar.
A “menina dez” tirou zero. Ninguém entendeu o porquê. Mas ninguém se importou.
E ele continua lá, sol. E eu, inseto. Chego mais perto, e ele agora apenas lâmpada.
Mas morro do mesmo jeito.
Dia 59 - Nada mudou, Sylvia.
Ele me diz que lhe causo enxaqueca.
A minissaia vende minha coxa e sou consumo. Ou acham que sou. Repouso o copo entre minhas pernas e todos olham. Isso é Hollywood ou não é? Você não queria que fosse?
Mas ele diz que lhe causo náuseas.
E ela? Ela diz que quer ter carro e casa com vista para um iate. Eu pergunto com que bunda e ela me olha mortificada. Oi? Ela pensa que trabalhar oito horas diárias fora e mais as dezesseis restantes em casa não é ser fodida. Ela questiona como eu sou quem sou. Ela queria que eu fosse quem ela achava que eu deveria ser. Fo-di-da.
E o que penso é: sou a agonia dele?
Olha, a “menina dez” é porra-louca. Fez tattoo e se pintou. A menina dez não raspa o sovaco e você ri dela. Mas, para ela você, nem existe. Que diferença faz?
Ele vai falar comigo mais uma vez?
Eu piso na lama e meu coturno não encharca. A menina dez dança descalça na chuva e nem vai pegar resfriado. A burra-dou-a-bunda-oito-horas-pra-empresa chora pelo seu salto alto arruinado e as unhas, cujas cutículas ela arrancou, vão apodrecer.
Enxaqueca é a puta que pariu.
Pego o copo e cruzo as pernas. Todos olham de novo. Porra de Hollywood: isso é real, sem maquiagens.
Ela passou o fim de semana num cruzeiro. Voltou queimada e ardida. Mas de bunda descansada pra recomeçar.
A “menina dez” tirou zero. Ninguém entendeu o porquê. Mas ninguém se importou.
E ele continua lá, sol. E eu, inseto. Chego mais perto, e ele agora apenas lâmpada.
Mas morro do mesmo jeito.
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