tiagoandreatto
@tiagoandreatto
Você Tem Certeza? (Prévia 2)

Adriana - Bem que eu poderia ter aceito aquele papel no musical do Shrek. Assim teria dinheiro pra fazer as coisas que quero sem depender de ninguém. Mas não. A Adriana sempre sendo Adriana, sempre cheia de ideais e moral e… sempre de bolso vazio. Difícil isso. Fazer arte hoje em dia é morrer de fome.

Adriana sempre gostou de ler, de tudo. Consumia livros e livros e não só em português. Também lia em espanhol, inglês, francês. Não entendia tudo, mas lia, do seu jeito. Já escrever era um problema. Hora era bloqueio criativo, hora era um compromisso inadiável, hora era o último capítulo da novela. Escrever um projeto pra Edital então, nem pensar. Até tentou com amigos e teve uma vez que contratou profissionais pra escrever os projetos pra ela, mas nada ficava do seu agrado. Difícil!

Carlos - Não acho certo isso de “gourmetizar” as coisas, só pra cobrar mais caro. É se aproveitar da bondade das pessoas. Mas sempre foi assim, desde o início dos tempos, gente querendo se aproveitar das pessoas. Vê lá na Bíblia, os comércios nos templos. Um bando de aproveitadores.

A vida dos dois poderia seguir assim, nessa rotina de conversas recheadas de desencontros e entrelinhas não lidas. No entanto, um telefonema mudaria tudo.

Ah! Se Adriana recusasse a ligação daquele número desconhecido. Certeza que a história seria diferente. Certeza!?

Adriana - Telefone tocando!? A essa hora?

Carlos - Quem é que liga no fixo hoje em dia? Só pode ser cobrança! Você tá com alguma dívida que não me disse?

Adriana - Do jeito que você vasculha todas as contas, eu nem conseguiria, Carlos.
Estranho! Desconhecido?

Carlos - Atende!?

Adriana - Atendo!?

Carlos - Não deve ser nada importante. Mas se for atender, atende logo que já tocou duas vezes. A pessoa vai desistir.

Adriana - Não sei. Estou com um pressentimento estranho.

Carlos - Me dê aqui! Deixa que eu atendo!

Alô! Sim… É sim… Sobre o quê seria?
Uma seleção! Vou passar pra ela.

Adriana - Me dê aqui!

Carlos - Não vai recusar dessa vez!

Adriana - Não me atrapalhe, senão eu não ouço!

Tá bem… Posso sim… Amanhã de manhã no “Le Bistrô”.
Combinado. Muito obrigada!
Qual o seu nome mesmo?
Estranho… Desligou.

Carlos - E aí, me conta. Qual é a arte que vai aprontar dessa vez?

Adriana - Não sei. Ela não me deu muitos detalhes. Disse que amanhã, no café, explica melhor.

Carlos - Vê lá heim!? Se a proposta for boa, não vá recusar. E caso seja furada, nem entre “viu”. Nós não precisamos de mais gastos.

Adriana - Você não confia mesmo, né!?

Carlos - Eu confio! O problema é que eu te conheço e não esqueci ainda da última.

Não é que Adriana não ganhava dinheiro com sua arte. O problema é que ela gastava tudo que ganhava na produção do próximo espetáculo. E sempre havia o próximo e depois o próximo. “Está pronta a obra que vai revolucionar o teatro. Será um sucesso!”.
Nunca era, mas ela não desistia.

“Le Bistrô” era um lugar conhecido pela comunidade do teatro. Se reuniam lá atores, escritores, poetas, cantores e toda a bicharada “importante” da cadeia alimentar.
Os papos sempre iam até altas horas, regrados de muitas ideias “absurdas”, revolucionárias, filosóficas e de vez em quando até artísticas. Quase sempre as ideias não saíam do papel, mas quando saíam eram um evento inesquecível… até a semana seguinte.

Em Breve a obra completa, disponível na Loja do Literunico
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