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Tiago do Amaral Andreatto

@ tiagoandreatto

Nível
2
Essência
🔥 Fogo
Ritual
0 Dias

Patrimônio

60.0 LC

ESTRADA

LITERÁRIA

Updates

03/0520:45
Dentre todos os textos da série "12 Textos p/ Teatro", com certeza este é um dos mais desafiadores. Recorrer à poesia para contar uma história tão dolorida a tantos é, talvez, o desejo interno de suavizar o que não pode ser suavizado, mas que nunca pode ser esquecido.

>> E CONTINUAMOS CONTANDO...

Abri os olhos,
Mil corpos, deitados à minha direita, mil corpos à minha esquerda.
Aos poucos eles se levantaram. E fomos seguindo, caminhando, feito uma criação que
nasce, cresce e se alimenta, até que chega o dia do abate.

Ian - Já vou! Mas você tem mesmo certeza que é seguro lá fora?

Edwiges - Tenho sim! Não precisa se preocupar! Eu já falei com o Vladimir e também com o Hans e eles prometeram te deixar em paz. Aliás, também disseram que não vão mais brigar.

Ian - E você acreditou neles?

Edwiges - Eles pareceram sinceros. Pareceu-me um acordo sério… De cavalheiros!

Ian - Tá bem! Eu vou com você, mas pra onde vamos?

Edwiges - Vamos brincar de esconde nos campos de trigo? Eu adoro e dá pra gente chamar todo mundo.
Como era lindo brincar nos campos de trigo. O Sol iluminava os cabelos ruivos da Edwiges e eles brilhavam… feitos estrelas. O Hans e o Vladmir, sempre brigando, com todos e às vezes entre eles. E quando isso acontecia, todo mundo se envolvia e não tinha como ficar de fora. Estava feito no mundo o estrago.

Hans - Ei Ian! Nós fizemos um trato!

Vladmir - Isso mesmo! E chegamos a uma conclusão.

Hans - Nós prometemos a Edwiges que te deixaremos em paz!

Vladmir - E que não vamos mais brigar entre a gente!

Ian - Nossa! Fiquei surpreso, com tal decisão. Tão adulta.

Hans - O que você quis dizer com isso!? Está zombando da gente, seu…

Vladmir - Calma Hans! Olha a promessa! E a Edwiges tá olhando.

Hans - Você tem razão! E quer saber!? Nós estamos nos tornando adultos sim e não podemos perder tempo com essas bobagens.

Vladmir - Isso mesmo! Chega de perder tempo com bobagens.

Edwiges - Vocês vão se esconder ou não vão!? Faz meia hora que estou contando aqui!

Hans - Tinha até esquecido!

Hans / Vladmir - Vamos!!!

Ian - Eu vou também!

CONTINUA EM BREVE...
01/0522:42
O 8º texto da série "12 Textos p/ Teatro Que Escrevi Enquanto Estava Falido" se chamará "Os Cartazes de Ontem".

Que tal uma espiadinha no prólogo da história!?

-- PRÓLOGO

Acordo no meio da noite e ela está lá… na borda da ponte olhando pra baixo. As águas correm ferozes, devido às fortes chuvas dos dias anteriores, expressando sua fúria pelos lixos acumulados por toda sua extensão.

Ela segue lá, imóvel e olhar fixo… perdido.

Só me passa uma coisa pela cabeça, uma dúvida… A salvo ou a empurro?



A cama estava molhada. A roupa molhada do suor frio que reinara na madrugada.
Que alívio! Era só um sonho…

Era só um sonho, né!?



Uma carta sob a escrivaninha, com a assinatura dela e os dizeres:

Nunca te perdoarão pelo que você fez, mas obrigada por acatar o meu último desejo.

O papel velho e amassado, ainda cheirava a tinta… Tinta e chuva.



As ruas estão encharcadas. A chuva se foi, mas nossas lágrimas demorarão muito para secar. Já os cartazes de “desaparecida”, apenas alguns sobraram inteiros. Os demais se foram assim como tudo na vida que se vai… como nós, que um dia também fomos ou será que poderíamos ter sido. A mente já cansada me confunde às vezes e já não sei o que é hoje, ontem ou amanhã… Nem sei mais se a gente é verdade.



Ainda me lembro do dia em que você partiu, mudando-se pra tão longe. As crianças inseparáveis que corriam pela rua de terra, ignorando a presença do tempo, deixaram de existir ali, só restando um fragmento esquecível. Fragmento este que ficou guardado durante tanto tempo.

Anos depois ouvi notícias de que estava internada à beira da morte. Havia cortado os pulsos, num pedido de socorro, um clamor por algo ou alguém e eu não estava por perto.

E foi um pouco antes de saber desse acontecido, é que os sonhos começaram… Malditos pesadelos!