tibianchini
@tibianchiniO contrabaixo no meio da sala
Se eu me calo, é porque não me importo.
Se eu dou espaço, é porque não gosto.
Se eu procuro, é porque estou pressionando.
Se eu finjo que está tudo bem, é porque sou dissimulado.
Estou cansado de ser um monstro.
De acabar com vidas e casamentos felizes.
De não ser compreendido,
De ser temido como um predador,
Prestes a acabar com a sanidade mental de pessoas decentes.
Estou cansado de estar errado.
De agredir mesmo quando não faço nada.
De ser o chato, o ranzinza, o inflexível.
O maldito autista insuportável.
Não quero mais pensar em nada, nem em ninguém.
Quero pensar em mim.
No que restou de mim.
E vocês, que me lêem, não se iludam:
Eu sou um ser desprezível, que inclusive
Tem a cara-de-pau de me fingir de pessoa do bem,
Enquanto destruo corações e mentes ao meu redor.
Eu, o vil, o mau, o torpe.
O que, mesmo sem fazer nada, atrapalha.
O que, mesmo calado, ofende.
Mesmo calado.
Não esperem que eu seja um piano,
De cauda, brilhante, dando glamour ao ambiente:
Eu sou o feioso, o rude, o agressivo.
O eterno inconveniente.
O que incomoda mas não pode ser expulso.
O contrabaixo no meio da sala.
Se eu cantar, perceberão todos como sou dispensável,
E se arrancar as minhas cordas,
Tornar-me-ei ainda mais uma bagagem grande e inútil.
Tudo isso, até o dia em que não estiver mais,
Em que ninguém mais puder ouvir falar de mim
(Não que alguém vá me procurar um dia, eu sei)
Até o dia em que meus graves ríspidos e intrusos
Não mais invadam a doce vida de ninguém.
E aí, sim, dirão que, no fundo, ao longe,
Eu até que era uma boa alma,
Eu até que serviria a um propósito,
Ou que poderia ser útil para a felicidade de alguém.
E um dia, eu sei, alguém dirá, com lágrimas de crocodilo,
Como aquele rapaz era uma boa pessoa.
Se eu me calo, é porque não me importo.
Se eu dou espaço, é porque não gosto.
Se eu procuro, é porque estou pressionando.
Se eu finjo que está tudo bem, é porque sou dissimulado.
Estou cansado de ser um monstro.
De acabar com vidas e casamentos felizes.
De não ser compreendido,
De ser temido como um predador,
Prestes a acabar com a sanidade mental de pessoas decentes.
Estou cansado de estar errado.
De agredir mesmo quando não faço nada.
De ser o chato, o ranzinza, o inflexível.
O maldito autista insuportável.
Não quero mais pensar em nada, nem em ninguém.
Quero pensar em mim.
No que restou de mim.
E vocês, que me lêem, não se iludam:
Eu sou um ser desprezível, que inclusive
Tem a cara-de-pau de me fingir de pessoa do bem,
Enquanto destruo corações e mentes ao meu redor.
Eu, o vil, o mau, o torpe.
O que, mesmo sem fazer nada, atrapalha.
O que, mesmo calado, ofende.
Mesmo calado.
Não esperem que eu seja um piano,
De cauda, brilhante, dando glamour ao ambiente:
Eu sou o feioso, o rude, o agressivo.
O eterno inconveniente.
O que incomoda mas não pode ser expulso.
O contrabaixo no meio da sala.
Se eu cantar, perceberão todos como sou dispensável,
E se arrancar as minhas cordas,
Tornar-me-ei ainda mais uma bagagem grande e inútil.
Tudo isso, até o dia em que não estiver mais,
Em que ninguém mais puder ouvir falar de mim
(Não que alguém vá me procurar um dia, eu sei)
Até o dia em que meus graves ríspidos e intrusos
Não mais invadam a doce vida de ninguém.
E aí, sim, dirão que, no fundo, ao longe,
Eu até que era uma boa alma,
Eu até que serviria a um propósito,
Ou que poderia ser útil para a felicidade de alguém.
E um dia, eu sei, alguém dirá, com lágrimas de crocodilo,
Como aquele rapaz era uma boa pessoa.
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