Leia agora
Fausto

Universo da obra

Fausto

Capítulo 4 · Fausto

PARTE I · Noite

4 de 33 ≈ 22 min de leitura

PARTE I · Noite

Num quarto gótico estreito, de abóbada alta. Fausto, inquieto, sentado à escrivaninha.

FAUSTO

Ai de mim! Filosofia,
Direito e Medicina,
E, para minha desventura, Teologia,
Estudei a fundo, com ardor e disciplina.
E aqui estou, pobre simplório!
Tão sábio quanto antes, no fim da história.
Chamam-me mestre, chamam-me doutor,
E há quase dez anos, seja onde for,
Para cima, para baixo, em linha ou em curva,
Levo os meus alunos pela ponta do nariz, na turba,
E vejo que nada podemos saber!
Isso quase faz meu coração arder.
É certo que sou mais esperto que esses palermas,
Doutores, mestres, escribas e padres;
Não me atormentam escrúpulos nem dúvidas internas,
Não temo o inferno, tampouco seus diabos e compadres.
Mas toda alegria me foi arrancada;
Não imagino conhecer coisa acertada,
Nem imagino ser capaz de ensinar
Como tornar os homens melhores e os converter.
Também não tenho bens nem dinheiro,
Nem honra ou glória neste mundo inteiro.
Nem um cão desejaria viver assim por mais tempo!
Por isso entreguei-me à magia, atento,
Para ver se, pela força e a voz do espírito,
Algum mistério me seria enfim transmitido;
Para não ter de, com suor amargo,
Fingir que sei aquilo que não abarco;
Para conhecer o que mantém o mundo
Unido em seu âmago mais profundo,
Contemplar cada força ativa, cada semente,
E não mais remexer palavras inutilmente.

Ah, se tu, plena luz da lua,
Iluminasses pela última vez a angústia minha,
Tu que, em tanta meia-noite, pela rua
Do céu, me viste desperto nesta escrivaninha!
Então, sobre livros e papéis,
Triste amiga, surgias aos olhos meus.
Ah, pudesse eu, nos cumes das montanhas,
Caminhar sob tua luz tão doce e clara,
Com espíritos pairar junto às cavernas,
Tecendo em teu crepúsculo sobre a relva,
Liberto de todo vapor do conhecimento,
E banhar-me em teu orvalho, são e atento!

Ai! Ainda estou preso neste cárcere?
Maldito buraco de paredes abafadas,
Onde até a querida luz dos céus
Penetra turva pelos vidros coloridos!
Confinado por esta pilha de livros,
Roídos por vermes, cobertos de poeira,
Que, até o alto da abóbada,
Papéis enegrecidos pela fumaça cercam;
Rodeado de vidros e caixas,
Atulhado de instrumentos,
Entupido com trastes dos antepassados:
Este é o teu mundo! E a isto chamas mundo!

E ainda perguntas por que teu coração
Se aperta angustiado dentro do peito?
Por que uma dor sem explicação
Imobiliza em ti cada impulso vital?
Em lugar da natureza viva,
Em cujo seio Deus criou a humanidade,
Só fumaça e mofo te rodeiam,
Esqueletos de animais e ossos de mortos.

Foge! Ergue-te! Sai para a vastidão!
E este livro misterioso,
Pela própria mão de Nostradamus escrito,
Não te será guia suficiente?
Conhecerás então o curso das estrelas;
E, quando a natureza te instruir,
A força da alma se abrirá em ti,
Como um espírito fala a outro espírito.
Em vão o pensamento árido procura
Explicar-te aqui os sinais sagrados.
Pairais, espíritos, junto de mim;
Respondei-me, se podeis ouvir-me!

Abre o livro e contempla o signo do Macrocosmo.

Ah! Que êxtase, diante desta visão,
De súbito me percorre todos os sentidos!
Sinto uma jovem e sagrada felicidade de viver
Arder de novo por meus nervos e minhas veias.
Foi um deus quem escreveu estes sinais,
Que acalmam o tumulto dentro de mim,
Enchem de alegria o pobre coração
E, por misterioso impulso, revelam
As forças da natureza ao meu redor?
Sou eu um deus? Tudo se faz tão claro!
Nestes traços puros, vejo
A natureza ativa estendida diante da alma.
Só agora compreendo o que diz o sábio:

“O mundo dos espíritos não está fechado;
Teus sentidos estão cerrados, teu coração está morto!
Ergue-te, discípulo, e, incansável, banha
Teu peito terreno na aurora!”

Contempla o signo.

Como tudo se entretece num só todo,
Como cada coisa atua e vive dentro de outra!
Como as forças celestes sobem e descem,
Passando umas às outras os baldes de ouro!
Com asas que exalam bênçãos,
Penetram do céu através da terra
E fazem ressoar em harmonia o universo inteiro!

Que espetáculo! Mas, ai, apenas um espetáculo!
Onde posso alcançar-te, natureza infinita?
Onde estais, seios, fontes de toda a vida,
Dos quais dependem o céu e a terra,
E para os quais se comprime este peito ressequido?
Jorrais, dais de beber, e eu definho assim, em vão?

Vira o livro com desagrado e contempla o signo do Espírito da Terra.

Como este signo age em mim de outro modo!
Tu, Espírito da Terra, estás mais perto de mim.
Já sinto minhas forças se elevarem,
Já ardo como sob o efeito de vinho novo.
Sinto coragem para lançar-me ao mundo,
Suportar a dor da terra e a felicidade da terra,
Lutar contra as tempestades
E não recuar entre os estalos do naufrágio.

Nuvens se formam sobre mim.
A lua esconde sua luz.
A lâmpada se apaga!
Vapores sobem! Raios vermelhos estremecem
Ao redor de minha cabeça. Um arrepio
Desce da abóbada
E me agarra!

Eu o sinto, pairas ao meu redor, espírito implorado.
Revela-te!
Ah, como meu coração se rasga!
Para sensações novas
Todos os meus sentidos se revolvem!
Sinto meu coração inteiramente entregue a ti!
Tens de aparecer! Tens de aparecer, ainda que me custe a vida!

Segura o livro e pronuncia misteriosamente o signo do espírito. Uma chama avermelhada lampeja; o Espírito surge dentro do fogo.

ESPÍRITO

Quem me chama?

FAUSTO
Desviando o rosto.

Visão terrível!

ESPÍRITO

Tu me atraíste com imensa força,
Longamente sugaste a minha esfera,
E agora...

FAUSTO

Ai! Não consigo suportar-te!

ESPÍRITO

Imploravas, ofegante, para me contemplar,
Para ouvir minha voz, para ver meu rosto.
A poderosa súplica de tua alma me inclinou.
Aqui estou! Que lamentável horror
Te domina, super-homem? Onde está o chamado da alma?
Onde está o peito que criou em si um mundo,
Que o sustentou e acalentou, que, trêmulo de alegria,
Se avolumou para elevar-se até nós, os espíritos?
Onde estás, Fausto, cuja voz chegou até mim,
Que se lançou contra mim com todas as forças?
És tu aquele que, envolvido por meu sopro,
Estremece até os fundamentos da vida,
Um verme medroso, encolhido para longe?

FAUSTO

Deveria eu recuar diante de ti, figura de fogo?
Sou eu, sou Fausto, sou teu semelhante!

ESPÍRITO

Nas torrentes da vida, na tormenta dos atos,
Subo e desço,
Sopro de um lado para outro!
Nascimento e sepultura,
Um mar eterno,
Um movimento alternado,
Uma vida ardente.
Assim trabalho no tear incessante do tempo
E teço a veste viva da divindade.

FAUSTO

Tu, que percorres o vasto mundo,
Espírito incansável, como me sinto próximo de ti!

ESPÍRITO

Tu te assemelhas ao espírito que és capaz de compreender,
Não a mim!

Desaparece.

FAUSTO
Desabando.

Não a ti?
A quem, então?
Eu, imagem da divindade!
E nem sequer semelhante a ti!

Batem à porta.

FAUSTO

Ó morte! Eu sei quem é: meu assistente.
Ele virá destruir minha mais bela ventura!
Que esta plenitude de visões
Tenha de ser perturbada por esse pedante insípido!

Wagner entra de camisola e gorro de dormir, trazendo uma lâmpada. Fausto volta-se, contrariado.

WAGNER

Perdoai! Eu vos ouvi declamar;
Líeis, decerto, uma tragédia grega?
Gostaria de aperfeiçoar-me nessa arte,
Pois hoje em dia ela produz grande efeito.
Muitas vezes ouvi dizer, em elogio,
Que um comediante poderia ensinar um pregador.

FAUSTO

Sim, quando o pregador é comediante,
Como de fato às vezes pode acontecer.

WAGNER

Ah, quando se vive encerrado no gabinete
E mal se vê o mundo num dia de festa,
Mal se olha para ele por uma luneta, de longe,
Como conduzi-lo pela persuasão?

FAUSTO

Se não o sentis, jamais o alcançareis;
Se não brotar do fundo da alma
E, com o vigor de uma alegria primordial,
Subjugar o coração de todos os ouvintes.
Ficai aí sentado! Colai pedaços,
Preparai um guisado com o banquete alheio
E assoprai as pobres chamas
Para fora de vosso montículo de cinzas!
Tereis a admiração de crianças e macacos,
Caso seja esse o sabor que vos agrada;
Mas jamais fareis um coração tocar outro
Se o que dizeis não vier do coração.

WAGNER

Só a declamação faz a fortuna do orador;
Bem o sinto, ainda tenho muito a aprender.

FAUSTO

Procurai o ganho honesto!
Não sejais um tolo coberto de guizos!
O entendimento e o senso verdadeiro
Apresentam-se por si mesmos, com pouca arte.
E, quando tendes algo sério a dizer,
É preciso correr atrás das palavras?
Sim, esses vossos discursos tão reluzentes,
Nos quais frisais retalhos da humanidade,
São desagradáveis como o vento de neblina
Que, no outono, murmura entre folhas ressequidas!

WAGNER

Meu Deus! A arte é longa,
E breve é a nossa vida.
Em meu esforço crítico,
Muitas vezes se angustiam minha cabeça e meu peito.
Como são difíceis de conquistar os meios
Pelos quais ascendemos até as fontes!
E, antes que se alcance sequer metade do caminho,
Um pobre-diabo talvez tenha de morrer.

FAUSTO

O pergaminho é a fonte sagrada
Da qual um gole sacia para sempre a sede?
Não encontrarás revigoramento
Se ele não jorrar de tua própria alma.

WAGNER

Perdoai! É um grande deleite
Transportar-se ao espírito dos tempos;
Ver como pensou um sábio antes de nós
E quão magnificamente longe chegamos depois.

FAUSTO

Oh, sim, longe até as estrelas!
Meu amigo, os tempos do passado
São para nós um livro de sete selos.
Aquilo que chamais espírito dos tempos
É, no fundo, o próprio espírito desses senhores,
No qual os tempos se veem refletidos.
E muitas vezes é mesmo uma miséria!
À primeira vista, qualquer um foge de vós.
Um tonel de lixo, um depósito de velharias
E, no máximo, uma peça de assunto político,
Com excelentes máximas pragmáticas,
Bem próprias para a boca de marionetes!

WAGNER

Mas o mundo! O coração e o espírito humanos!
Todos gostariam de conhecer alguma coisa deles.

FAUSTO

Sim, aquilo que se chama conhecer!
Quem ousa dar à criança seu verdadeiro nome?
Os poucos que chegaram a conhecer alguma coisa
E foram tolos o bastante para não guardar o coração pleno,
Expondo ao populacho seus sentimentos e visões,
Desde sempre foram crucificados e queimados.
Peço-vos, amigo, já é alta noite;
Desta vez devemos interromper a conversa.

WAGNER

Eu gostaria de permanecer acordado para sempre,
Conversando convosco com tanta erudição.
Mas amanhã, por ser o primeiro dia da Páscoa,
Permiti-me fazer uma ou duas perguntas.
Com zelo me dediquei aos estudos;
É certo que sei muito, mas desejaria saber tudo.

Sai.

FAUSTO
Sozinho.

Como pode não perder toda a esperança
A cabeça que se agarra sem cessar a matéria insípida,
Que escava tesouros com mão ávida
E se alegra quando encontra minhocas!

Poderia uma voz humana como essa ressoar aqui,
Onde me envolvia a abundância dos espíritos?
Mas, ai, desta vez te agradeço,
O mais miserável de todos os filhos da terra.
Arrancaste-me ao desespero
Que já ameaçava destruir meus sentidos.
Ah, a aparição era tão gigantesca
Que me fez sentir verdadeiramente um anão.

Eu, imagem da divindade, que já
Se julgava tão próximo do espelho da verdade eterna,
Que se fruía em brilho e claridade celestes
E despira de si o filho da terra;
Eu, mais que querubim, cuja força livre
Já se atrevia, em pressentimento, a fluir
Pelas veias da natureza e, criando,
A desfrutar da vida dos deuses: como tenho de expiar isso!
Uma palavra de trovão me fulminou.

Não posso atrever-me a igualar-me a ti;
Se tive força para atrair-te,
Não tive força alguma para reter-te.
Naquele instante de ventura,
Eu me senti tão pequeno e tão grande;
Tu me repeliste cruelmente
Para o incerto destino humano.
Quem há de me ensinar? O que devo evitar?
Devo obedecer àquele impulso?
Ai! Nossos próprios atos, tanto quanto nossas dores,
Impedem o curso de nossa vida.

Ao que há de mais sublime entre os dons do espírito
Sempre se agrega matéria estranha, cada vez mais estranha;
Quando alcançamos o bem deste mundo,
Chamamos o melhor de engano e ilusão.
Os sentimentos magníficos que nos deram vida
Enrijecem no tumulto terreno.

Se outrora a fantasia, em voo audacioso,
Cheia de esperança se expandia rumo ao eterno,
Agora lhe basta um espaço diminuto,
Quando uma felicidade após outra naufraga no turbilhão do tempo.
A inquietação logo se aninha no fundo do coração,
E ali produz dores secretas;
Agita-se sem descanso e perturba prazer e repouso,
Encobrindo-se sempre com novas máscaras:
Pode surgir como casa e propriedade, como mulher e filho,
Como fogo, água, punhal e veneno.
Tremes diante de tudo o que não te atinge,
E aquilo que jamais perderás tens sempre de lamentar.

Não me igualo aos deuses! Sinto-o profundamente.
Igualo-me ao verme que revolve o pó
E que, enquanto vive e se alimenta na poeira,
É destruído e sepultado pelo passo do viajante.

Não é pó o que esta alta parede
Me comprime em suas centenas de prateleiras?
Não são quinquilharias que, com mil ninharias,
Me sufocam neste mundo de traças?
É aqui que encontrarei o que me falta?
Deverei talvez ler em mil livros
Que por toda parte os homens se atormentaram
E que, aqui ou ali, houve alguém feliz?

Por que arreganhas os dentes para mim, crânio vazio?
Senão para dizer que teu cérebro, como o meu, outrora confuso,
Procurou o dia luminoso e, na pesada penumbra,
Ávido de verdade, miseravelmente se perdeu.

E vós, instrumentos, sem dúvida zombais de mim,
Com rodas e engrenagens, cilindros e alavancas.
Eu estava diante da porta; deveríeis ser as chaves.
Vossos dentes são retorcidos, mas não levantais os ferrolhos.
Misteriosa mesmo à luz do dia,
A natureza não se deixa arrancar o véu;
E aquilo que não deseja revelar a teu espírito
Não lhe extorquirás com alavancas nem parafusos.

Velho aparelho que nunca utilizei,
Estás aqui apenas porque meu pai te utilizou.
Velho rolo, continuarás enegrecido pela fumaça
Enquanto esta lâmpada turva fumegar sobre a escrivaninha.
Muito melhor teria sido dissipar o pouco que possuo
Do que suar aqui, oprimido por esse pouco!

Aquilo que herdaste de teus pais,
Conquista-o, para que verdadeiramente o possuas.
O que não se utiliza é um fardo pesado;
Só o que o instante cria pode servir ao instante.

Mas por que meus olhos se prendem àquele ponto?
Será aquele frasco um ímã para meu olhar?
Por que tudo de súbito se torna docemente claro,
Como quando o luar nos envolve numa floresta noturna?

Eu te saúdo, frasco único,
Que agora retiro com devoção!
Em ti reverencio o engenho e a arte dos homens.
Tu, essência dos suaves sucos do sono,
Extrato de todas as forças mortíferas e sutis,
Concede teu favor a teu mestre!

Quando te vejo, a dor se abranda;
Quando te tomo, diminui o esforço;
A torrente do espírito reflui pouco a pouco.
Sou conduzido para o alto-mar;
A superfície espelhada reluz a meus pés,
E um novo dia me atrai para novas margens.

Uma carruagem de fogo, em asas ligeiras,
Aproxima-se flutuando de mim! Sinto-me preparado
Para atravessar o éter por uma nova rota,
Rumo a novas esferas de atividade pura.
Esta vida elevada, este êxtase divino!
Tu, que ainda há pouco eras verme, mereces isso?
Sim, volta resolutamente as costas
Ao amável sol desta terra!

Ousa arrombar os portões
Diante dos quais todos preferem passar furtivamente!
Chegou a hora de provar por atos
Que a dignidade humana não cede à grandeza dos deuses;
De não tremer diante daquela caverna escura
Na qual a fantasia se condena ao próprio tormento;
De avançar para aquela passagem
Em cuja estreita boca arde o inferno inteiro;
De decidir com serenidade dar este passo,
Ainda que sob o risco de dissolver-se no nada.

Agora desce, límpida taça de cristal!
Sai de teu antigo estojo,
Onde por tantos anos não pensei em ti!
Brilhavas nas festas alegres de meus antepassados,
Alegravas os convidados austeros
Quando passavas das mãos de um para as mãos de outro.
O esplendor engenhoso de tuas muitas imagens,
A obrigação do bebedor de explicá-las em versos
E esvaziar-te de um só gole
Fazem-me recordar tantas noites da juventude.

Agora não te passarei a vizinho algum,
Nem exibirei meu engenho diante de tua arte.
Aqui está um suco que embriaga depressa;
Sua corrente castanha enche teu bojo.
Eu o preparei, eu o escolhi.
Que este último gole seja agora oferecido,
Com toda a minha alma, como solene e sublime saudação à manhã!

Leva a taça aos lábios. Ouvem-se sinos e cantos corais.

CORO DOS ANJOS

Cristo ressuscitou!
Alegria ao mortal,
Que pelos males fatais,
Furtivos, ancestrais,
Estava enlaçado.

FAUSTO

Que profundo rumor, que som tão claro
Arranca com violência a taça de minha boca?
Já anunciais, sinos graves,
A primeira hora solene da festa da Páscoa?
E vós, coros, já entoais o canto consolador
Que outrora, na noite em torno do túmulo,
Ecoou dos lábios dos anjos,
Confirmando uma nova aliança?

CORO DAS MULHERES

Com aromas
Cuidamos dele;
Nós, suas fiéis,
Ali o deitamos.
Em panos e faixas
Puramente o envolvemos;
Ai! E agora encontramos
O lugar sem Cristo.

CORO DOS ANJOS

Cristo ressuscitou!
Feliz aquele que ama,
Que a prova dolorosa,
Salutar e rigorosa,
Venceu e suportou.

FAUSTO

Por que me procurais junto ao pó,
Sons celestes, tão poderosos e suaves?
Ressoai onde vivem os homens sensíveis.
Ouço bem a mensagem, mas falta-me a fé;
O milagre é o filho predileto da fé.

Não ouso aspirar às esferas
De onde soa a doce notícia;
E, contudo, habituado a esse som desde a juventude,
Ele ainda agora me chama de volta à vida.
Outrora, o beijo do amor celeste
Descia sobre mim na solene quietude do domingo;
Então ressoava, pleno de presságios, o clamor dos sinos,
E a oração era um êxtase fervoroso.

Uma saudade incompreensível e doce
Impelia-me através das florestas e dos campos;
E, entre milhares de lágrimas ardentes,
Eu sentia nascer dentro de mim um mundo.
Este canto anunciava os jogos alegres da juventude,
A livre felicidade da festa da primavera.
Agora a lembrança, com sentimento infantil,
Impede-me de dar o último e solene passo.

Oh, continuai a soar, doces cantos celestes!
As lágrimas brotam; a terra me possui de novo!

CORO DOS DISCÍPULOS

Aquele que foi sepultado
Já se elevou,
Vivo e sublime,
Gloriosamente ao alto;
Já se encontra, no ar da criação,
Próximo da alegria criadora.
Ai! Junto ao seio da terra
Permanecemos destinados à dor.
Ele deixou os seus
Definhando aqui;
Ai! Mestre, lamentamos
Tua felicidade!

CORO DOS ANJOS

Cristo ressuscitou
Do seio da corrupção.
Libertai-vos dos grilhões
Com alegria!

A vós que o louvais em atos,
Que demonstrais amor,
Que repartis o alimento como irmãos,
Que viajais pregando,
Que prometeis a bem-aventurança,
O Mestre está próximo;
Ele está convosco!

Fausto

Sinopse

Edição integral de Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe, reunindo a Primeira e a Segunda Parte em tradução brasileira Literunico feita diretamente dos textos alemães de domínio público do Project Gutenberg (eBooks 2229 e 2230).

Ver ficha da edição física
LITEBN
LITEBN-978652938439913993967897
Fausto

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Fausto

Trilha sonora oficial

Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.

Abrir no Spotify
Ir para o carrinho
Mercado de Fausto

Leve um fragmento deste universo

Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.

Nenhum livro físico está disponível neste universo.
Relíquias da Obra

Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!

Aguardando Aprovação do Autor
Aguardando grupo autoral Fausto — edição integral Escolha uma Relíquia e envie uma proposta de aquisição, mesmo antes da ativação.
100Relíquias
0Titulares
0 Passagens
Central de RelíquiasDescubra coleções de outros universos e obras.
ver todas
Capítulo 4 carregado no app · 1 livro conectado 1/1
Abrir leitor completo

Capítulos disponíveis para continuar a leitura.

Capítulos de Fausto

Todos os capítulos 33 disponíveis

Donos de Relíquias

0 titulares

Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!

Conhecer as 100 Relíquias

Resenhas do livro

0 publicadas

Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.

Entrar para resenhar

Posses do livro

0 Leitores com posse
0 Unidades registradas

Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.

Adicionais do Universo

Visual ClássicoAbra a leitura editorial, no estilo de uma página de livro
ler
Visual AuroraApresentação imersiva do universo da obra
abrir