Universo da obra
Universo da obra
O livro abriu enquanto a maré subia.
A água já alcançava a sombra dos guarda-sóis. Barracas desmontavam sem mãos. Caixas térmicas seguiam pela areia a meio metro do chão, presas a braços ausentes. Eu havia passado a noite entre a praia e uma varanda vazia de hotel. Dormi duas vezes. Em ambas, o céu mudou antes que meu corpo reconhecesse a duração.
Escolhi o hotel depois de examinar portas e corredores. Os quartos ocupados se denunciavam por malas que atravessavam o saguão, cartões suspensos diante das fechaduras e camas que afundavam sob corpos ausentes. Encontrei uma varanda sem bagagem, toalhas ou copos utilizados. Dormir ali ainda podia invadir o espaço de alguém. A cidade inteira me obrigava a decidir onde terminava um lugar disponível e começava a vida que eu não conseguia ver.
Na primeira vez que acordei, o livro estava sob o meu braço. Eu lembrava de tê-lo deixado sobre uma cadeira. O deslocamento podia ter ocorrido durante o sono, provocado por um movimento meu. Coloquei o volume novamente na cadeira, deitei no chão e mantive um fio arrancado da cortina preso entre a capa e o pé da mesa. Quando despertei, o livro permanecia no lugar e o fio estava solto. Eu não sabia quanto tempo passara ou se chegara a dormir de fato.
Tentei registrar os sonhos. Encontrei apenas imagens dispersas: uma janela de hospital que eu nunca vira, duas meninas sem rosto num degrau e uma caneta escrevendo debaixo d'água. A cozinha vinha do relato de Lia. O hospital podia vir de qualquer descrição conhecida. A caneta não possuía origem identificável.
Escrevi as três imagens numa folha avulsa e acrescentei uma pergunta: uma lembrança inventada pelo sono pertencia a mim?
Lia escreveu:
Você ainda está na praia?
Estou.
Qual?
Informei o nome. Lia levou alguns minutos para localizar o lugar.
Você atravessou um oceano para escolher uma praia que recebe milhares de turistas.
A faixa de areia era ampla.
E os guarda-sóis?
Olhei para uma haste que avançava em minha direção, sustentada por alguém que caminhava depressa. Saí do caminho.
Minha avaliação de segurança precisa melhorar.
Uma linha azul surgiu, curva e rápida. Lia havia rido por escrito sem usar uma palavra. Reconheci a intenção desta vez.
Você dormiu?, ela perguntou.
Duas vezes, talvez.
Talvez?
Expliquei a ausência de horas e mostrei o registro dos sonhos. Lia leu cada imagem.
A janela pode ter vindo do que contei ontem, escreveu.
Você mencionou o hospital, mas não descreveu a janela.
Havia uma janela. Ficava fechada.
Dava para onde?
Lia demorou.
Para outro prédio. Minha mãe queria que eu abrisse.
O sonho adquiria coincidência depois da informação. Eu conhecia quartos hospitalares suficientes para produzir uma janela lacrada. Ainda assim, anotei a correspondência.
Você sonha?, Lia perguntou.
Tenho imagens enquanto durmo.
É uma definição razoável.
Você sonhou com sua mãe depois que ela morreu?
Muitas vezes. Em alguns sonhos lembro que ela morreu. Em outros, descubro quando acordo.
Qual é pior?
A pergunta de hoje é abrir caixas. Vamos ficar nela.
Eu parei. Lia acrescentou:
Obrigada por perguntar antes de interpretar.
Vou abrir as caixas, ela escreveu. Você pode vir até aqui?
Preciso de um lugar.
Lia descreveu o apartamento com mais precisão: a avenida vista da janela, o prédio revestido por pastilhas marrons, o andar, a porta com um risco perto da fechadura. Deixou o endereço para o fim. Eu conhecia a rua e a posição do edifício antes de concluir a leitura.
Feche os olhos longe da água, ela acrescentou.
Caminhei até a varanda do hotel, reconstruí a sala de Lia e segurei o livro. Dez batidas.
O ar quente da praia foi substituído por cheiro de café e papel guardado. Abri os olhos ao lado de uma mesa de madeira clara. O risco de queimadura ocupava a borda esquerda. A samambaia pendia perto da janela. Duas caixas estavam no chão, fechadas com fita amarelada.
Uma caneta azul escreveu no livro que eu segurava.
Funcionou?
Estou perto da mesa. Sua cadeira continua cheia de roupas.
As peças subiram de uma vez e seguiram até o sofá. Lia liberara o assento.
Sente, ela escreveu.
Puxei a cadeira. Outra força fez o mesmo movimento. Pela primeira vez, nós duas queríamos colocar um objeto na mesma posição. A cadeira avançou sem resistência e parou diante da mesa.
Sentei. O tampo afundou levemente à minha frente, pressionado pelos braços de Lia no outro mundo. O exemplar dela devia estar no mesmo ponto em que eu apoiava o meu. Quando passei a mão sobre a capa, o papel recebeu uma pressão vinda de cima. Os dedos dela ocupavam o lugar dos meus sem que as peles se tocassem.
Lia moveu a mão. Cinco depressões percorreram a capa e pararam perto da lombada. Coloquei meus dedos sobre elas. O tecido cedeu entre duas pressões opostas. Senti resistência, calor nenhum.
Você percebe?, escrevi.
A capa ficou marcada.
Estou com a mão sobre a sua.
Os dedos de Lia permaneceram ali. Eu sabia a distância exata entre as duas superfícies do livro e conhecia a espessura do papel. A mão dela ocupava um mundo no qual eu era a ausência. A minha talvez produzisse marcas que Lia atribuía ao material.
Sente alguma coisa?, perguntei.
Pressão. Pode ser você ou a costura cedendo.
Para mim é você.
Lia retirou a mão. A capa recuperou a forma aos poucos.
Isso é o que você sabe ou o que escolheu?
As duas coisas.
A resposta continua funcionando.
Lia abriu a primeira caixa.
A fita adesiva se ergueu e dobrou sobre si mesma. As abas de papelão cederam. Um vestido estampado saiu da caixa, sustentado pelos ombros invisíveis de Lia. O tecido guardava cheiro de armário e um perfume fraco. Ela o estendeu sobre o sofá.
Era da sua mãe?
Ela usava aos domingos.
Eu via o corte do vestido, os botões, uma costura refeita na cintura. A mulher dentro dele continuava inacessível. Lia podia reconstruí-la a partir do tecido. Para mim, a peça era forma, fibra, uso e cheiro.
Depois vieram cadernos de receitas, uma caixa de botões, documentos, toalhas e fotografias. As fotos mostravam praias, salas, mesas de aniversário e roupas sustentadas por corpos ausentes. Em uma delas, dois vestidos infantis flutuavam diante de um bolo. As velas estavam acesas. Nenhum rosto aparecia.
O que você vê nesta?, Lia perguntou.
Duas crianças diante de um bolo. Uma usa vestido branco. A outra, amarelo. Não vejo pele, cabelo ou olhos.
Sou a de amarelo. Teresa está de branco. Foi o aniversário de sete anos dela.
Lia tocou a fotografia. O papel inclinou na minha direção.
Minha mãe está atrás de nós.
O espaço indicado continha uma blusa verde e duas mãos ausentes apoiadas nos ombros das meninas. Eu podia inferir a altura de Celina pela posição das mangas. Lia via uma expressão que o meu mundo removera.
Ela está sorrindo?
Está cansada. Na época eu achava que era um sorriso.
A frase transformou a fotografia sem devolver o rosto. A infância de Lia não estava presa apenas ao que acontecera. O tempo modificara a leitura dos mesmos músculos, do mesmo instante.
Lia separou a foto do restante. Depois escolheu outra, tirada na cozinha amarela. Teresa usava uma camiseta branca grande demais. Lia aparecia sentada no degrau do quintal, com um pano sobre os joelhos. Celina estava diante da pia. No meu lado, a camiseta e as roupas de Lia mantinham posições humanas; o avental de Celina formava uma dobra vazia perto do balcão.
Foi o dia das mexericas?, perguntei.
Foi. Teresa entupiu o vaso com cascas e disse que estava fazendo adubo.
Ela tinha nove anos.
Você guardou.
A idade estava ligada ao T na parede.
Para mim, estava ligada à cara que ela fez quando a água transbordou.
Eu observava a camiseta branca. A inclinação dos ombros ausentes indicava que Teresa segurava alguma coisa diante do corpo. Lia explicou que era uma colher de pau retirada da pia durante a tentativa de desentupir o vaso. A menina chorava e ria ao mesmo tempo. Celina tentava manter a raiva. Lia já havia ido buscar panos antes que alguém pedisse.
Você sempre fazia listas?, escrevi.
Eu fazia o que parecia necessário.
E Teresa?
Fazia a parte que virava história.
A fotografia mostrava uma divisão anterior ao hospital. Lia recolhia a água. Teresa fornecia o acontecimento que a família contaria depois. Celina aparecia entre as duas, usando o avental florido.
Você gostaria de ter feito a parte que virou história?
Lia alinhou as bordas das duas fotos antes de responder.
Eu gostaria que alguém lembrasse da parte que evitou estragar o piso.
Escrevi a frase numa página própria. Lia fez um risco azul sobre ela.
Não transforme tudo em índice.
Quero lembrar.
Então lembre da foto inteira.
Acrescentei a camiseta, a colher, o avental e os panos. Lia deixou a página aberta.
Continuamos. Ela descrevia algumas peças e silenciava diante de outras. Eu comecei a perguntar antes de concluir. Lia corrigia datas, nomes e relações. A caixa formava uma vida por acúmulo: recibos dobrados, um terço com fio rompido, receitas médicas, cartões de Natal nunca enviados, uma fita métrica com números apagados.
No fundo, Lia encontrou um envelope.
O papel subiu devagar. Na frente havia uma única palavra escrita à mão: Teresa.
É a letra da sua mãe?
Lia virou o envelope. O lacre permanecia inteiro.
É.
Você sabia que estava aí?
Sabia que existia. Não sabia em qual caixa.
A resposta esclareceu por que as caixas permaneciam fechadas. Lia não evitava apenas roupas e fotografias. Procurava um objeto enquanto adiava o momento de encontrá-lo.
Teresa sabe?
Minha mãe disse que escreveu uma carta para ela. Teresa perguntou no hospital. Eu respondi que ainda não tinha encontrado.
Agora encontrou.
O envelope ficou suspenso. Lia devia estar segurando-o entre o polegar e o indicador.
Agora encontrei.
Lia levou o envelope até a janela. A luz atravessou o papel sem revelar palavras. Eu via apenas uma área mais escura onde as folhas se sobrepunham.
Você já tentou ler assim antes?, perguntei.
Com outras cartas. No trabalho.
Poderia descobrir o conteúdo sem romper o lacre.
Talvez. Luz rasante, infravermelho, radiografia, fotografia computacional. Depende da tinta e das dobras.
Vai fazer isso?
O envelope desceu.
Ser capaz de ler não me dá o direito de ler.
A regra se aproximava da que ela me ensinara na véspera. Importância, capacidade e acesso descreviam condições. Nenhuma concedia autorização.
A carta pertence a Teresa, escrevi.
Foi escrita para ela.
Qual é a diferença?
Ainda estou tentando descobrir.
O telefone vibrou sobre a mesa. A tela acendeu, mas o nome da chamada não apareceu para mim. Lia largou o envelope. Ele caiu sobre o livro e cobriu metade da página.
A chamada cessou. Recomeçou poucos segundos depois.
É Teresa?
Lia afastou o envelope e escreveu:
É o trabalho.
Ela atendeu. O telefone ergueu-se e ficou perto do espaço vazio onde estaria seu rosto. Eu via as mudanças na postura pelos objetos: a cadeira recuou, uma caneta foi apanhada, uma folha recebeu anotações. A voz de Lia não atravessava. A conversa chegava até mim como uma sequência de coisas utilizadas.
Quando terminou, ela escreveu:
Preciso ir ao laboratório. Um cano rompeu perto do depósito.
O papel foi atingido?
Ainda não sabem.
Ela guardou o envelope numa gaveta da mesa. Eu vi a madeira abrir, o papel descer e a gaveta fechar. A carta agora ocupava um lugar preciso.
Posso acompanhar?
Você quer visitar um vazamento?
Quero ver um lugar enquanto você está nele.
Lia enviou o endereço do trabalho. Fechou o livro por tempo suficiente para trocar de roupa. Casaco, bolsa e chaves moveram-se pelo apartamento. A porta abriu. Esperei alguns minutos antes de formar o laboratório e fechar os olhos.
Cheguei a uma sala comprida, com bancadas, prensas, caixas e armários de metal. O cheiro de umidade dominava o ar. Água avançava sob uma porta no fundo. Rolos de papel absorvente corriam pelo chão, desenrolados por pessoas invisíveis.
O laboratório continha sinais de decisões anteriores. Retângulos claros nas bancadas marcavam equipamentos removidos. Etiquetas traziam datas, iniciais e códigos. Um mapa de risco, preso perto da porta, dividia as áreas por cor. Eu o li antes de perceber que conhecia os procedimentos detalhados por trás de cada símbolo.
Também sabia quais fungos poderiam se desenvolver, a velocidade de deformação de diferentes papéis e o modo de congelar um acervo molhado para ganhar tempo. O conhecimento chegou com urgência física. Desci da bancada e dei um passo em direção à água.
Lia escreveu antes que eu alcançasse a porta:
Você conhece este trabalho. Não conhece esta sala em emergência. Fique onde consigo prever sua presença.
Voltei. A distinção me desagradou porque estava correta.
O livro abriu sobre uma bancada.
Estou aqui, escrevi.
Não fique perto da porta molhada.
A advertência chegou tarde. Uma estante se moveu para liberar o rodapé e atingiu minha coxa. Caí contra a bancada. A dor subiu pela perna. Lia interrompeu o que fazia e escreveu:
O que aconteceu?
Moveram uma estante.
Saia da área de circulação.
Subi numa bancada vazia. Dali acompanhei a operação. Caixas passavam em corrente, erguidas por braços ausentes. Ventiladores eram ligados. Folhas molhadas recebiam suportes. Lia trabalhava entre as outras pessoas; reconheci sua posição pelo livro que mudava de lugar e pela espátula de metal que ela usava para separar papéis aderidos.
Um documento rasgado apareceu diante de mim. A espátula entrou sob uma dobra. A mão de Lia, invisível, controlava a pressão com movimentos menores que um milímetro. Eu conhecia os procedimentos de conservação. Ainda assim, observar a decisão aplicada a uma folha instável mostrou algo que a descrição técnica omitia: Lia diminuía a velocidade quando o papel oferecia resistência. Ela permitia que o material determinasse o ritmo.
O documento trazia uma relação de nomes datilografados. A água transformara algumas letras em manchas roxas. Lia colocou uma tela sob a folha e moveu a espátula de fora para dentro. Em certo ponto, uma fibra aderiu ao metal. Ela parou. Limpou a ponta, ajustou a luz e tentou pela borda oposta.
Outra pessoa depositou três folhas ao lado. Lia indicou uma bandeja livre e continuou na primeira. A urgência do depósito não alterava a velocidade do gesto.
Como escolhe qual dano aceitar?, escrevi.
Ela leu sem soltar a espátula. Terminou de apoiar a folha e respondeu:
Primeiro descubro o que ainda pode ser salvo. Depois paro de fingir que tudo pode.
Isso serve para pessoas?
Não use meu trabalho para resolver minha irmã.
Guardei o lápis. A comparação parecia precisa por causa das palavras, e incompleta por causa das pessoas.
Você trata pessoas assim?, escrevi quando ela voltou ao livro.
Assim como?
Para quando encontra resistência.
A ponta azul tocou a página.
Papel rasga de modo mais previsível.
O telefone de Lia vibrou. Desta vez, ela ignorou. A tela apagou e acendeu outra vez. Pela posição do aparelho sobre a bancada, consegui ler o nome: Teresa.
Lia virou o telefone para baixo.
Eu poderia perguntar. A regra estava registrada: importância não concedia autorização. Mantive o lápis fora do papel.
Depois de alguns minutos, Lia escreveu:
Você viu?
Vi.
E não vai perguntar?
Você pediu que eu aprendesse a diferença.
A caneta permaneceu parada. Uma gota azul se formou e secou perto da margem.
Ela deixou uma mensagem, Lia escreveu. Quer buscar as caixas amanhã.
Você vai responder?
Ainda não sei.
Ela voltou ao trabalho. O laboratório inteiro se movia ao redor de corpos retirados da minha visão. Eu acompanhei o dia pelos objetos de Lia: luvas descartadas, espátula, telefone, xícara, livro. Quando ela se afastava, o exemplar fechava. Quando retornava, a capa abria e uma frase curta informava o que acontecera.
No fim da tarde, o chão estava seco. As caixas haviam sido salvas. Lia guardou as ferramentas e colocou o livro na bolsa.
Antes de sair, ela voltou ao documento rasgado. As duas metades permaneciam apoiadas sobre a tela, próximas, sem cola. Lia inseriu uma folha fina por baixo e cobriu tudo com material absorvente.
Você não uniu as partes, escrevi.
Ainda há umidade. Se eu fechar a ruptura agora, posso fixar sujeira dentro dela.
Vai esperar.
Vou preparar a próxima intervenção.
Eu pensei na carta dentro da gaveta e entendi por que Lia a mencionara sem decidir. A espera também podia conter trabalho. Registrei a ideia sem enviá-la.
Antes de fechar, escreveu:
Vou dizer a Teresa que pode vir.
E a carta?
Continua na gaveta.
Vai entregar?
Essa é a parte que ainda não sei.
A capa fechou. Permaneci na bancada enquanto as luzes apagavam. A estante que atingira minha perna voltou alguns centímetros para a posição anterior depois que desviei os olhos. Eu tinha certeza de que ninguém entrara na sala.
Desci para examinar o móvel. As rodas estavam travadas. A água marcava o lugar onde ele permanecera durante o trabalho. A estante ocupava agora o ponto exato indicado pelas marcas antigas do piso, restaurada sem produzir som.
Toquei o metal frio e registrei o primeiro acontecimento do dia que Lia não poderia explicar por uma pessoa invisível.
E se você despertasse em um mundo idêntico ao real, mas sem uma única alma para compartilhar a existência? Ellen acorda sozinha em uma Terra espelhada, onde tudo permanece no lugar… exceto as pessoas. As luzes acendem, o pão repousa fresco sobre as bancadas, os livros guardam histórias que parecem conhecê-la. Nada envelhece. Nada morre. Tudo parece ter sido preparado para ela, e só para ela. Sem memórias, sem passado, sem promessas, ela caminha por cidades suspensas no tempo, ouvindo o silêncio que resta. Mas é quando encontra um caderno com uma única pergunta: “Quem é Ellen?”, que sua verdadeira jornada começa. Neste diário íntimo e deslumbrante, Ellen atravessa ruas, reflexos e abismos interiores, tentando compreender quem é quando não há ninguém para lhe dizer. Enquanto escreve, observa, sente e, lentamente, descobre que o mundo espelhado reage ao outro lado. E que talvez, em algum nível profundo, ela esteja ligada a alguém que ainda vive lá. Quem é Ellen? não é apenas uma história sobre identidade. É uma travessia solitária pelo silêncio do existir, uma ode à presença, e um lembrete de que até no vazio há beleza e sentido.
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