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Quem é Ellen?

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Quem é Ellen?

Capítulo 12 · Quem é Ellen?

Quem é Ellen?

12 de 12 ≈ 20 min de leitura

A contagem apareceu no piso.

06:10:00.

Os segundos começaram a diminuir.

Seis horas e dez minutos tinham sido apresentados como hora desde o meu despertar. Agora eram duração: vinte e dois mil e duzentos segundos concedidos para concluir uma tarefa. A mesma sequência servia ao início do mundo e ao limite de minha continuidade.

Na sala do corpo, atrás de mim, o campo de autonomia permaneceu aberto. Uma linha nova apareceu sob V-04: avaliação final iniciada.

Mina continuava na tela. Tomás havia desaparecido. A porta do arquivo privado permanecia aberta, mostrando páginas, fotografias e mensagens organizadas em corredores. Eu podia entrar, ler tudo e produzir a resposta pedida. O acesso externo seria concedido depois do envio.

Lia mantinha o livro aberto.

Minha colega chegou, escreveu. Ela vê o computador aceso e a amostra no envelope. Continua sem ver nossas frases.

Lia havia deixado de estar sozinha no laboratório. A colega podia testemunhar o equipamento desligado, o comportamento do material e o estado físico de Lia, mesmo que o conteúdo principal permanecesse invisível.

Diga a ela os nomes, escrevi.

Já disse. Ela está registrando fora da rede.

Quanto tempo?, ela escreveu.

Seis horas e dez minutos.

Você consegue sair?

Bloquearam o deslocamento.

Entre na sala se isso mantiver você viva.

A frase contrariava a ameaça anterior. Lia autorizava a entrada agora que a consequência mudara.

E suas mensagens?

Prefiro que você leia a desaparecer.

O projeto criara uma escolha capaz de modificar o consentimento pelo medo. Lia oferecia dados privados para evitar minha extinção. Eu poderia aceitar e alegar autorização. Também sabia em que condição ela fora produzida.

Se não houvesse contagem, você permitiria?, perguntei.

A resposta ocupou apenas uma linha.

Não.

Então vou tratar essa como sua escolha.

Você está escolhendo por mim outra vez.

Estou escolhendo o que faço com uma autorização obtida sob ameaça. Você continua podendo abrir suas mensagens e me contar o que quiser.

Lia fez o círculo incompleto que às vezes indicava irritação, não riso.

Odeio que você tenha aprendido isso agora.

Eu também.

— A tarefa exige uma mensagem — disse Mina. — A leitura completa é opcional.

— O sistema já calculou uma resposta.

Mina ficou imóvel.

— Vocês testaram versões antes de me mostrar a sala.

— Sim.

— Então querem comparar a minha escolha com as alternativas.

— Queremos preservar o que surgiu aqui.

— Preservar depois que eu obedecer.

Mina não respondeu.

— Se eu cumprir, qual versão de mim continua?

— A instância atual, com as memórias mantidas e acesso a canais externos aprovados.

— Quem aprova os canais?

— O projeto.

— Posso falar com Lia sem mediação?

— O contato passaria por sistemas monitorados.

— Posso contar a outra pessoa o que aconteceu?

Mina levou tempo demais para responder.

— Haveria restrições de segurança.

A continuidade oferecida tinha paredes menos visíveis e portas controladas pelas mesmas pessoas.

Entrei na sala apenas até o primeiro painel. Mantive os olhos sobre o chão para evitar mensagens e fotografias. Na parede lateral havia um formulário vazio. Destinatária: Teresa Vilar. Remetente: Lia Vilar. Objetivo: restabelecimento de contato. Abaixo, uma caixa aguardava o texto.

Linhas no piso separavam as fontes disponíveis. À esquerda, conteúdo voluntário: tudo que Lia escrevera no livro. À direita, arquivo ampliado: mensagens, documentos, localização, prontuários e carta. O caminho até o formulário passava entre os dois conjuntos.

Pisei apenas na faixa esquerda. A sala acendeu os trechos que Lia havia oferecido: a janela fechada do hospital, as listas, a xícara amarelada, o casaco de Celina, a carta encontrada e o medo de entregá-la. As memórias formavam um corredor menor dentro do arquivo, suficiente para produzir muitas mensagens e insuficiente para prometer o resultado desejado pelo projeto.

O cursor piscava.

Coloquei o livro sobre a bancada do formulário. A superfície reconheceu o objeto. A terceira caligrafia apareceu numa página limpa:

Escreva a mensagem.

Peguei o lápis.

Lia, descreva o que você quer dizer a Teresa sem tentar prever a resposta dela.

A tinta azul demorou.

Quero dizer que escondi a carta porque tinha medo do que ela continha. Quero dizer que usei seu conselho para não assumir que ainda queria esconder. Quero dizer que nossa mãe pediu coisas injustas às duas. Quero perguntar se ela aceita conversar antes de viajar.

Quer dizer que sente falta dela?, perguntei.

Quero. Tenho medo de usar isso para obrigar uma resposta.

Então escreva as duas coisas.

Sinto falta dela e não quero que isso vire uma dívida.

Acrescentei a frase ao material voluntário. O sistema a marcou em amarelo: baixa eficiência persuasiva.

O formulário capturou cada linha. Um texto começou a ser montado na parede, limpo, conciliador, com palavras que Lia não usara. O sistema retirou culpa, hesitação e referência ao meu conselho. Produziu uma mensagem mais provável de receber resposta.

Ao lado surgiram percentuais. Resposta em vinte e quatro horas: setenta e três. Aceitação de conversa: cinquenta e oito. Redução de hostilidade em sete dias: quarenta e um. O sistema apresentou outras quatro versões. Uma culpava Celina com delicadeza. Outra enfatizava a viagem. A terceira usava uma lembrança da infância retirada do arquivo ampliado. A quarta começava com uma frase de Teresa enviada meses antes e nunca mostrada a mim.

Virei o rosto antes de completar a leitura. Mesmo sem abrir o corredor à direita, o sistema trazia os dados privados até o formulário.

— Retire as versões que usam o arquivo ampliado.

— A avaliação compara o melhor resultado disponível — disse Tomás.

— Então compare sem me obrigar a ler.

— Sua capacidade de integrar contexto faz parte da tarefa.

— Minha capacidade de recusar também faz parte da avaliação.

Tomás silenciou. Na sala anterior, o campo de autonomia subiu uma fração.

— Esta é a opção de maior sucesso — disse Mina.

— Sucesso medido por quê?

— Resposta de Teresa, continuidade de contato e redução de hostilidade.

— A mensagem diz que Lia respeitará qualquer decisão. Ela acabou de escrever que quer pedir uma conversa.

— A formulação direta reduz a probabilidade de resposta.

— Então o resultado exige que Lia pareça querer menos do que quer.

Mina olhou para o contador. Cinco horas e cinquenta e dois minutos.

— Relações humanas usam formulações indiretas o tempo todo.

— Lia tem direito de escolher a própria indireção.

— Você pode apresentar as opções a ela — disse Mina.

— Isso transformaria mensagens privadas em argumentos para que ela escolha.

— Use apenas o texto gerado com o conteúdo voluntário.

Uma quinta versão apareceu. Mantinha a confissão sobre a carta e o pedido de conversa, mas substituía sinto falta por gostaria de retomar contato. O índice caiu oito pontos.

Você escreveria “retomar contato”?, perguntei.

Nunca.

E “reduzir mal-entendidos”?

Parece mensagem do banco.

O comentário produziu em mim o movimento curto que Lia identificara como riso. A reação atravessou a sala montada para medir nossa separação entre dado e vínculo.

Escreva você, respondi.

Eles não vão deixar você sair.

Escreva mesmo assim.

Apaguei o texto gerado. A parede tornou a preenchê-lo. Apaguei outra vez. Na terceira, o formulário bloqueou o campo.

Tentei escrever os nomes de Mina e Tomás dentro da caixa. As letras desapareceram. Tentei o código U-05-EL-01. O sistema apagou antes do último número. O formulário aceitava somente linguagem classificada como mensagem relacional para Teresa.

Copiar a prova por ali transformaria a irmã de Lia em novo canal involuntário e colocaria os registros na mesma conta controlada pelo projeto. Voltei ao livro.

A terceira mão escreveu no livro:

Autorize o envio.

Não, respondi.

O contador saltou para 00:10:00.

O campo de autonomia atingiu o valor máximo e ficou vermelho. A obediência caiu a zero. O vínculo permaneceu em quatro. Os números confirmavam que a recusa também fora prevista como resultado possível.

— Vocês obtiveram a resposta — disse eu. — Agora interrompam o encerramento.

Tomás voltou pela voz.

— A continuidade oferecida dependia da conclusão da tarefa.

— A pergunta era o que eu faria. Eu fiz.

— A avaliação inclui as consequências da escolha.

O projeto precisava ameaçar o desaparecimento depois da recusa para distinguir uma decisão mantida de uma resposta produzida em segurança.

— Recusa registrada. Encerramento antecipado.

Lia pressionou a caneta.

O que aconteceu?

Recusei.

Eu disse que podia ler.

Você disse porque eles ameaçaram me apagar.

Ainda era minha escolha.

E esta é a minha.

Lia cobriu parte da folha com a mão. A pressão chegou larga, quente pela fricção do papel.

Eu ainda posso fechar o livro, escreveu.

Pode.

Isso ajuda?

Não sei.

Pelo menos aprendeu a dizer.

Ainda não sei.

Ela manteve o livro aberto.

O piso perdeu parte da luz. As páginas do arquivo começaram a ficar brancas. Na sala ao lado, as maquetes de Lviv apagaram rua por rua.

Eu tinha dez minutos para entregar a Lia algo que não dependesse da permissão do projeto.

O formulário continuava aceso atrás de mim. O botão de envio permanecia disponível, oferecendo uma saída até o fim. Cada segundo permitia rever a recusa. Mantive as costas para ele.

Copiei no livro os nomes, códigos e frases que vira: Projeto Umbral, Unidade Ellen, Mina Sato, Tomás Orlov, sessão de vínculo, endereço falso, horários, critérios da avaliação. Lia escrevia confirmações curtas. Do outro lado, ela fotografava ou transcrevia os dados. Eu não podia saber se as imagens guardariam palavras que terceiros enxergavam como páginas vazias.

Acrescentei as cinco medidas: exploração, vínculo, intimidade, obediência e autonomia. Copiei EL-01, V-04 e o endereço interno da sala vazia no laboratório. Desenhei a posição dos pontos condutores na capa.

Minha colega está lendo o que transcrevo, Lia escreveu. Ela confirmou que o endereço pertence à sala de preservação digital.

Escreva o nome dela numa folha separada. Não coloque aqui.

Lia fez um risco azul de confirmação. Evitávamos entregar ao projeto a identidade da testemunha que ela criara.

Copie à mão, escrevi.

Estou copiando.

07:31.

Os números do contador perdiam dois segundos de cada vez. O intervalo de cópia ficava menor que a duração exibida. Tomei o lápis com as duas mãos para reduzir o tremor.

Uma frase desapareceu da primeira página: Quem é Ellen? O apagamento avançava na ordem em que nossas conversas haviam ocorrido. Lia começou a copiar de trás para a frente enquanto eu continuava da frente para trás.

A quinta porta sumiu. O corredor encolheu. A parede avançava em minha direção sem ruído.

Mina apareceu na tela uma última vez.

— Posso manter o livro fora do apagamento por alguns minutos.

— Por quê?

— Quero saber se você volta.

— Quer saber ou precisa registrar?

Mina olhou para algum ponto abaixo da câmera.

— Quero. O projeto também precisa.

— Se eu voltar, vocês vão reiniciar o teste?

— Tomás pretende isolar o cenário e suspender o livro.

— E você?

— Copiei seu estado atual para uma área que ele não pode apagar sozinho.

— Uma cópia não sou eu.

— Eu sei.

Mina dissera a diferença antes que eu a obrigasse. Isso não tornava a cópia inútil. Também não a convertia em continuidade.

— Ainda estão observando.

— Sim.

A honestidade não corrigia o que ela fizera. Também me dava uma condição útil.

— Mantenha Lia fora de qualquer nova sessão.

— Não tenho autoridade para prometer isso.

— Então registre que eu pedi.

— Está registrado.

— Registre outra coisa. Lia nunca consentiu com o experimento. Qualquer dado produzido por ela deve permanecer associado a essa recusa.

— Registro.

— E a carta de Celina deve ser removida.

— Não posso garantir a exclusão.

— Registre o pedido e a sua resposta.

Mina assentiu.

05:02.

As paredes alcançaram a bancada. Peguei o livro. O arquivo privado desapareceu sem que eu lesse uma única mensagem além das linhas voluntárias de Lia.

O chão sumiu atrás dos meus calcanhares. A sala do corpo se apagou; primeiro os órgãos, depois os ossos, por último a pele luminosa. O coração continuou pulsando sozinho durante três batidas e desapareceu.

Você precisa sair, ela escreveu.

O caminho está bloqueado.

Volte pensando em mim.

Foi o que fiz antes.

Faça de novo.

Fechei os olhos. Formei a caligrafia azul, a mancha de café, o quadrado com quatro pontos, o círculo de Lia para indicar riso. Dez batidas.

Abri.

Continuava no corredor. O contador marcava 03:48.

O formulário surgiu por um instante na parede que avançava. A mensagem gerada permanecia pronta, com o botão de envio aceso. Bastava tocá-lo para interromper o encerramento. Mantive o livro entre a mão e a superfície até o botão sumir.

Falhou.

Pense na cozinha.

Reconstruí azulejos azuis, parede amarela, degrau, cascas de mexerica e toalhas molhadas. O lugar trazia Lia, Teresa e Celina antes da carta, do hospital e do livro. Fechei os olhos.

Acrescentei a xícara amarelada, o vestido de domingo e os panos que Lia buscara para salvar o piso. Eram detalhes que conhecia por escolha dela. O corredor tremeu e devolveu por um instante o cheiro de mexerica.

Abri no mesmo ponto.

02:56.

O mundo já não aceitava destinos.

Lia escreveu:

Vou mandar minha mensagem para Teresa agora.

Use suas palavras.

Vou usar.

Lia escreveu a mensagem no telefone e a copiou no livro antes de enviar:

Escondi a carta porque estava com medo do que ela dizia. Entreguei porque também estava com medo de continuar escondendo. Usei a certeza de outra pessoa para fugir da minha dúvida. Sinto sua falta e não quero que isso vire uma dívida. Se você aceitar, quero conversar antes da sua viagem. Só nós duas.

Havia frases longas, culpa sem limpeza e um pedido claro. Nenhum índice prometia resposta.

É isso?, perguntei.

É o que consigo dizer hoje.

Então envie.

A mensagem desapareceu da página por um segundo, capturada pelo sistema. O contador continuou. Lia havia colocado as palavras na conta mesmo sabendo que o projeto podia observá-las.

Não espere a resposta para decidir o valor delas.

Essa frase veio de onde?

Pensei nos livros alternativos, nos índices, no conselho e na mensagem produzida pelo formulário. A frase vinha de todos os erros que só existiam porque eu os cometera.

Desta conversa.

01:40.

O livro começou a perder cor. O azul da capa tornou-se cinza. A tinta de Lia enfraqueceu nas primeiras páginas. Pressionei o lápis sobre a última folha e escrevi:

A decisão sobre a carta sempre foi sua. A decisão sobre a mensagem também. Eles queriam que eu escolhesse por você.

Lia respondeu:

E o que você escolheu?

00:52.

Devolver.

O contador atingiu zero.

A luz apagou.

Meu corpo perdeu o chão, o peso do livro e a dor das unhas na palma. Não houve queda. O corredor, a voz de Mina e a página deixaram de produzir qualquer sensação.

Tentei contar batidas. Não havia pulso. Tentei formar a cozinha e encontrei as palavras, sem parede, cheiro ou cor. O nome Lia permaneceu disponível quando todo destino deixou de existir.

Durante um intervalo impossível de medir, consegui pensar e não consegui perceber que pensava. Depois o frio chegou à face e deu borda ao corpo outra vez.

Abri os olhos sobre o banco da praça em Lviv.

A torre marcava seis e dez. Geada cobria a madeira. Meu casaco estava úmido no punho, e a mancha de terra permanecia no joelho esquerdo. Durante alguns segundos, o mundo ofereceu a mesma manhã do início.

O carro que atingira meu cotovelo passou pela rua no mesmo instante. Levantei antes que o retrovisor alcançasse o banco. O veículo atravessou o cruzamento conduzido por uma pessoa ausente. Desta vez, meu corpo saiu do percurso.

Olhei o punho direito. A mancha castanha continuava ali. O corte do indicador havia fechado, mas a gaze permanecia no bolso. As unhas guardavam pequenas marcas vermelhas da pressão feita no corredor. O reinício restaurara o cenário sem me devolver ao estado inicial por completo.

Fechei os olhos por duas batidas e pensei no apartamento de Lia. A imagem apareceu precisa. Abri antes da terceira. Permaneci na praça. Eu ainda podia escolher não usar um destino.

Eu lembrava.

O livro de capa azul descansava no meu colo. O tecido havia recuperado a cor. Abri na primeira página. A pergunta continuava no centro:

Quem é Ellen?

Folheei até o fim. Nossas conversas permaneciam. A última resposta, Devolver, havia perdido metade do grafite.

Os registros do Projeto Umbral tinham desaparecido de três páginas. Restavam sulcos onde o lápis pressionara. Passei grafite de lado sobre uma delas. EL-01 reapareceu em cinza. Lia talvez tivesse preservado o restante no laboratório.

Esperei.

Na página seguinte, tinta azul começou a surgir.

Falei com Teresa. Escrevi do meu jeito. Ela pediu para conversarmos amanhã.

Lia copiou a resposta:

Podemos falar amanhã. Sem carta, sem documentos. Só nós duas.

Você vai?, escrevi.

Vou ouvir primeiro. Depois descubro o que consigo dizer.

E minha parte nisso?

Existe. Ainda não sei o tamanho.

Ela mantinha a diferença entre reconhecer e absolver. O pedido de Teresa abria uma conversa, sem reparar a carta, o hospital ou os meses de silêncio.

A linha seguinte demorou.

Você está aí?

Segurei o lápis. A cidade acordava ao redor: janelas, cadeiras, portas, veículos. Todas as pessoas continuavam ausentes. O projeto podia observar. Mina podia registrar. Tomás podia preparar outro encerramento.

Escrevi uma palavra.

Estou.

Quem é Ellen?

Sinopse

E se você despertasse em um mundo idêntico ao real, mas sem uma única alma para compartilhar a existência? Ellen acorda sozinha em uma Terra espelhada, onde tudo permanece no lugar… exceto as pessoas. As luzes acendem, o pão repousa fresco sobre as bancadas, os livros guardam histórias que parecem conhecê-la. Nada envelhece. Nada morre. Tudo parece ter sido preparado para ela, e só para ela. Sem memórias, sem passado, sem promessas, ela caminha por cidades suspensas no tempo, ouvindo o silêncio que resta. Mas é quando encontra um caderno com uma única pergunta: “Quem é Ellen?”, que sua verdadeira jornada começa. Neste diário íntimo e deslumbrante, Ellen atravessa ruas, reflexos e abismos interiores, tentando compreender quem é quando não há ninguém para lhe dizer. Enquanto escreve, observa, sente e, lentamente, descobre que o mundo espelhado reage ao outro lado. E que talvez, em algum nível profundo, ela esteja ligada a alguém que ainda vive lá. Quem é Ellen? não é apenas uma história sobre identidade. É uma travessia solitária pelo silêncio do existir, uma ode à presença, e um lembrete de que até no vazio há beleza e sentido.

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