Universo da obra
Universo da obra
Aos leitores AOS LEITORES. Reunindo era um volume estes ligeiros ro mances, todos escriptos ao correr da penna, e já publicados na Semana e na Chronica da Se mana do Jornal do Commercio, não me seduz a esperança de merecer por isso os àpplausos e o louvor do publico. Sou o primeiro a reconhecer a falta de mere cimento, a pobreza de acção, e os descuidos e desmazelo de estilo que amesquinhão estes pobres romances que improvizei. Comprehendo que com o mais seguro funda mento poderia alguém observar-me, que pen sando eu assim, a razão devia ter-me aconse lhado á não arrancar do esquecimento esses esVI — criptos sem mérito, que não estavão no caso de apparecer á luz da imprensa. Concordo plenanente com a observação : Mas... um autor é como um pai: um pai não desama seus filhos ainda os mais feios : um autor não desama as suas obras ainda as mais defeituosas. Demais não brigarei com os críticos, e ainda menos me queixarei do publico por amor deste livrinho. Cheguemos todos á um accordo á respeito delle. Sabe-se que os artigos de Jornaes participão um pouco da condição dos ephemeros : ficão esquecidos, e morrem por tanto um dia depois de serem dados á luz. Estes romances fórão publicados em artigos do Jornal do Commercio, e porconsequencia um dia depois o publico os esqueceu e os deixou morrer da fatal moléstia, que persegue o Jornalismo. Que pôde fazer um pai á seus filhos mor tos?... ajuntar-lhes os restos para guardal-os em uma urna, que sirva de consolação ao seu amor. Pois bem : assentemos e concordemos todos
em que este livro é a urna, em que determinei guardar estes pobres romances que morrerão. Desle modo ganho sempre alguma cousa, porque ficarei livre dos críticos que hão de res peitar o parce sepultis. E como é de regra que toda a urna deste gênero tenha o seu epitaphio, darei por epitaphio á esta o titulo Romances da Semana titulo que se explica pelo facto de terem sido, como já disse, todos estes romances publicados na Semana e na Chronica da Semana do Jornal do Commercio.
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