Universo da obra
Universo da obra
Ben procurava por formas de religar a energia da cabana enquanto eu tentava falar com as meninas no centro.
— Ma!! Tá me ouvindo?
— Oii Pen, to sim. Caramba!! Que apagão!
— Caiu aí também??
— Não só caiu como eu tô bem na frente do que causou isso.
— O que aconteceu?
— Uma árvore caiu nos fios dos poste, acredita? Tem uns policiais aqui, algumas pessoas que tavam perto se feriram levemente mas tá tudo bem. Parece que vai demorar um tempo até liberar aqui, então a gente não vai conseguir voltar por agora.
— Sério? caramba...mas tá todo mundo bem, né?
— Tamo sim, a gente tá aqui num restaurante de um moço super gentil, que abriu pra todo mundo que tava na rua a mercê da chuva que tá vindo entrar e se abrigar. Vamos ficar aqui até liberar.
— Ok, não saiam no meio da chuva se tiver muito forte. O Ben tá procurando algum jeito de voltar a luz, mas pelo que você disse nem se ele fizesse mágica.
— Ain, já é “Ben” é?
— Até mais tarde, Marina, qualquer coisa me liga — ouvi uma risada alta antes de desligar.
Liguei a lanterna e fui até Benjamin que estava do lado de fora da cabana, onde já começava a ventar mais forte.
— Ei! Não vai adiantar! Marina me disse que uma árvore caiu lá no centro, bem nos fios, e que tá tudo assim.
— Que merda. — Entramos e trancamos a porta — Eles estão bem?
— Sim, abrigados num restaurante.
— Que bom. Pode desligar a lanterna do seu celular, vamos usar só o meu e economizar a bateria.
— Tudo bem. — Voltamos para o sofá usando apenas a lanterna do celular dele.
— Quer jogar alguma coisa?
— Pode ser, tem algum jogo de tabuleiro?
— Banco imobiliário e Suspeito.
— Eu sou muito bom no Suspeito, vamos jogar ele.
— Ha! Não esquece que vai jogar contra uma criminóloga, em. — me levantei e fui até minha mala não muito longe dali, pegando a caixa.
— Futura criminóloga. Você ainda não se formou — ele sorriu travesso.
— Em breve serei. — me sentei em sua frente e abri o tabuleiro.
— Como vamos fazer?
— Podemos fazer o clássico, quem perder paga uma prenda.
— Desde que você não me mande ficar pelado na chuva, por mim tudo bem.
— Não! Meu Deus. Qualquer coisa normal, dentro da cabana.
— Feito.
Começamos a jogar e inicialmente eu estava ganhando, e assim continuou até o fim, quando Ben jogou na minha cara que estava me deixando ganhar quando já sabia todas as respostas.
— Isso não vale!! Você já sabia e não falou!
— Que diferença faz? Eu ganharia de um jeito ou de outro. Sem falar que não existe nenhuma regra sobre manter as respostas para si mesmo.
— Ta, ta! — Jogo minhas cartas em cima do tabuleiro e fico de pé — Qual é a minha prenda?
— Me deixa pensar um pouco — ele encarou o teto da cabana escura, iluminada apenas pela lanterna do celular dele. — Já sei.
Ele se levantou, deixando o celular no chão e se aproximou de mim.
— Pode falar, eu aguento — me senti preparada para receber qualquer prenda nojenta ou difícil, como lamber o próprio cotovelo, ou parecido.
— Quero que você me beije. — fiquei tão surpresa que quase engasguei com minha própria saliva.
— O que? Como assim, te beijar? — minhas bochechas ficaram vermelhas e meu coração acelerou como nunca, quase senti como se minhas pernas fossem ceder.
— É isso, um beijo. Quero que você me beije.
— Mas…mas eu...nós dois..
— Lembra sobre a mentira que você estava me contando? — concordo um pouco rápido demais — É exatamente essa, que você quer ser apenas minha melhor amiga.. — percebi seu olhar descer para a minha boca — Você não quer só isso, nem eu. — seu corpo, cada vez mais próximo do meu, me deixava ainda mais nervosa.
— Eu…eu..
— Você me disse que os sentimentos que tinha por mim tinham ido embora. É verdade? — Tentei não encará-lo mas sua mão direita forçou delicadamente meu queixo a se erguer, me fazendo olhar em seus olhos — Eles se foram, Pen? — sua voz baixa e arrastada me fez fechar os olhos, com medo do que eu poderia fazer se o visse por mais tempo me encarar daquela forma. — Não consegue me encarar sem ficar com vontade de me beijar? — Senti um lado meu pedir para sair, um lado que eu odiaria que qualquer um visse…mas que eu quero que ele veja..
— Se você tivesse tanta certeza de que eu quero te beijar, já teria me beijado, Ben.. — o encarei com um sorrisinho e seus olhos brilharam, como se ele recebesse o sinal verde que estava precisando.
E, me surpreendendo, suas mãos agarraram a minha cintura e me puxaram até que nossos corpos se colassem, assim como nossas bocas.
Os únicos sons além das gotas iniciais da chuva do lado de fora eram as nossas respirações ofegantes e desreguladas, conforme iniciamos e aprofundamos o beijo. De primeira ele foi gentil, apenas com um selar, mas que em poucos segundos sem necessidade de confirmação nossas línguas se encontram e já se acostumaram uma com a outra, como se esperassem anos por isso. O que poderia ser verdade.
Mesmo com os olhos fechados e focada em tudo que ele estava me fazendo sentir com o beijo, notei que ele me guiou até o sofá.
Ficando por cima mas sem jogar seu peso sobre mim ele aprofundou ainda mais o beijo, acariciando a minha cintura, passando entre o contorno dos meus seios e do meu quadril.
Nos separamos por alguns segundos, recuperando o ar, ofegantes e com olhares que entregavam bem o que queríamos.
— Você.. — ele pausou por mais alguns segundos, recuperando o ar — Você quer ir até o fim? Não farei se não quiser, ou não estiver pronta.. — o interrompi, descendo uma das mãos até perto do seu membro duro.
— Já estou pronta para isso a anos. — seu sorriso me deixou ainda mais excitada, enquanto ele se levantou um pouco, sem sair de cima de mim, admirando meu corpo.
— Você é…bonita pra caralho… — senti uma vergonha me dominar mesmo após segundos atrás estar com uma das mãos em sua ereção.
— Obrigada… você também é..bonito pra caralho, mesmo que eu não consiga ver tanto graças a essa camiseta larga. — ele sorriu com um olhar sedutor para mim, enquanto levava as mãos até a barra da camiseta, a puxando e tirando com facilidade.
— É e será tudo seu, se você quiser.
— Como se eu fosse te deixar escapar de novo. — Levei uma das mãos até seu abdômen liso, com alguns leves gominhos.
— Se eu soubesse que iríamos nos reencontrar agora eu teria começado a academia mais cedo.
— Você não precisa ficar melhor do isso, já é gostoso…demais.
— Que bom, aproveite o quanto quiser.
— Quero mais disso aqui — puxei seus ombros, para que ele chegasse mais perto e eu conseguisse alcançar a sua boca, fazendo com que nossas línguas se encontrassem de novo e de novo.
Amigos de infância que se afastaram. Um reencontro inesperado nas montanhas. Uma cabana quente repleta de sentimentos não expressados.
Penelope e Benjamin estão prestes a descobrir que precisarão decidir se o que um dia deixaram para trás deve ficar no passado. Ou se merece uma nova chance.
E, como se já não bastassem seus amigos cupidos, uma tempestade a caminho parece determinada a forçá-los a escolher.
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