Universo da obra
Universo da obra
Estávamos todos sentados na sala. Marina e Will no sofá, Ana e Marcos em duas cadeiras logo ao lado e eu e Benjamin no chão, num tapete com almofadas.
Todos conversavam normalmente, sem nem imaginarem a tempestade que estava crescendo dentro de mim.
Benjamin escolheu se sentar ao meu lado, e isso me deixou com o coração acelerado e as mãos cada vez mais suadas. Ainda bem que eu havia trocado de roupa se não estaria suando como nunca, o quecom certezame entregaria.
Parei para observá-los e acabei deixando meu olhar passar por Benjamin, que me olhou de volta e sorriu pequeno, de uma forma que seu piercing no canto da boca se mexesse um pouco, me deixando vermelha e me fazendo desviar o olhar.
— Como você tá? — levei alguns segundos para perceber que ele estava falando diretamente comigo.
— Hun? C-como eu to? Como assim? — Senti medo de que ele conseguisse ouvir as batidas frenéticas do meu coração.
— Soube que você faz faculdade de criminologia, está gostando?
— Ah, s-sim, estou sim. Esse é o meu último ano — ele apenas concorda e o silêncio reina entre nós.
Por algum motivo quero que ele pergunte mais, sobre mim, sobre o que estive fazendo, e eu também quero saber como ele esteve, como está, o que fez nos últimos anos.
— E-então — sou eu quem começo dessa vez, e ele rapidamente olha para mim. — É legal morar aqui? Nas montanhas?
— Sim, apesar do frio. Você acaba se acostumando. Me mudei para cá com a mãe a mais ou menos 4 anos, e estamos bem adaptados.
— Que bom, e como a tia está? Eu não tive notícias de vocês depois que eu… — de repente o clima ficou estranho, e eu sabia o por quê.
Nós nunca mais havíamos nos falado depois que eu fui embora. Não dizemos nada um para o outro que deixasse remorso, mas talvez fosse exatamente por isso. Por nada ter sido dito.
Talvez me declarar para ele naquela época, mesmo ambos tendo 15 e 16 anos de idade, tivesse deixado algum sentimento bom, para que quando isso acontecesse, quando nos reencontrássemos, fosse como se nunca tivéssemos nos afastado.
Mas agora estamos aqui, não nos conhecemos e não sabemos se queremos nos conhecer de novo.
— Eu tentei te ligar… — fiquei tão surpresa por suas palavras que minha resposta foi mais alta do que toda a conversa na sala.
— Que? — Todos olharam para mim, e eu senti meu rosto arder. — E-eu vou tomar um ar — sorri torto, levantei e saí, sentindo Benjamin vir atrás de mim.
— Desculpa, eu não queria soltar isso na frente de todo mundo, mas estava me corroendo por dentro.
— O que você quis dizer com “Eu tentei te ligar”? — perguntei ainda de costas, sentindo uma brisa fria passar por mim.
— Exatamente isso. Eu tentei te ligar, tentei te procurar durante todos os dias logo depois que você partiu, mas não consegui..
— Eu…Você tentou num péssimo momento..
— Como assim? — criei coragem para me virar e olhar diretamente para ele, que tinha no rosto uma mistura de tristeza e confusão.
— Talvez você tenha mesmo me ligado, mas eu não respondi por que estava arrasada! Eu tinha acabado de me mudar do lugar onde cresci, deixado você e perdido o meu avô! Depois de algumas semanas eu tentei te ligar, tentei entrar em contato, mas você nunca me respondeu — desviei o olhar, sentindo meus olhos arderem, tudo sempre esteve guardado em algum canto do meu coração.Mágoa. — Imaginei que, depois de tantas semanas, você já tivesse encontrado outras pessoas, outros amigos.
— Pen, eu nunca…O seu avô faleceu?
— Deixa isso para lá, não importa mais. Os sentimentos que eu tinha por você já se foram a muito tempo, então não precisa se preocupar em...pera…o que?
— Você disse que tinha acabado de se mudar, me perdido e perdido o seu avô? Como assim? — meu coração bateu fora de ritmo, me fazendo ficar minimamente zonza.
— Talvez você não se lembre, mas meu avô faleceu. Esse foi um dos motivos do porque tivemos que nos mudar.
— Eu não…não sabia disso.
— Claro que sabia, eu te… — minha memória falhou. Eu não me lembrava de ter contado a ele.
Ai. Meu. Deus.
Eu não contei a ele.
Senti as lágrimas enfim descerem pelas minhas bochechas mesmo que eu me esforçasse para que elas não saíssem.
Eu tinha me mudado porque meu avô havia falecido, e além de termos que cuidar do velório por minha mãe ser filha única, minha avó não poderia ficar sozinha, então nos mudamos para a casa dela.
Mas eununcahavia explicado isso a ele.
Eununcadisse a Benjamin opor queestava indo embora.
Me mudei sem dar explicações.
Não falei com ele, nem mantive contato por todas as primeiras semanas após a mudança.
— Pen! Você está bem?? — ele se aproximou assustado.
— Me perdoa — a expressão em seu rosto se suavizou minimamente, passando de susto para surpresa — Eu nunca te falei os motivos e você deve ter achado o mesmo que eu, que eu havia te trocado, esquecido de você! — sem pensar direito o abracei com força. — mas eu nunca,nuncame esqueci de você!!
Senti a sua surpresa crescer mas ele não recusou meu abraço, e sim retribuiu forte, me cobrindo e me aquecendo em meio a brisa fria.
Amigos de infância que se afastaram. Um reencontro inesperado nas montanhas. Uma cabana quente repleta de sentimentos não expressados.
Penelope e Benjamin estão prestes a descobrir que precisarão decidir se o que um dia deixaram para trás deve ficar no passado. Ou se merece uma nova chance.
E, como se já não bastassem seus amigos cupidos, uma tempestade a caminho parece determinada a forçá-los a escolher.
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