Universo da obra
Universo da obra
No centro da cidade eu parecia estar sendo assombrada. Olhava para todos os cantos como se fosse uma foragida da polícia, na opinião de Ana.
Mas eu não queria ser pega de surpresa de novo, mesmo que eu não soubesse exatamente onde ele morava, se morava perto do centro ou o que faria se o visse, principalmente se viesse em minha direção.
— Ele tá vindo pra cá.
— O que?! — olho para todos os lados e noto Benjamin saindo de uma banca de jornais, um pouco mais agasalhado, e vindo em nossa direção. — E-eu vou procurar uma coisa, já volto!
Saio dali às pressas, entrando na lojinha de bugigangas em que estávamos.
Olhei para trás e suspirei aliviada quando percebi que ele não me seguiu e que consegui despistá-lo.
Tentei me manter entretida com as decorações e chaveiros a venda, que tinham as mais diversas cores e modelos.
E após alguns minutos decido voltar para perto de Ana e Marina quando percebi que Benjamin não estava mais à vista.
— Vão comprar alguma coisa? — perguntei para parecer que não fugi como um gato foge da água.
— Eu peguei esse broche de flor — Ana me mostra um broche feito de metal em formato de uma rosa vermelha.
— Eu vou levar esse sino de vento, o meu está quase estourando depois da chuva que teve semana passada. — concordei e apenas segui elas, notando que Benjamin havia desaparecido totalmente.
— Ana.. — cheguei perto dela e sussurrei — O Benjamin falou com você??
— Hun? Não, na verdade ele nem parou aqui, foi direto para a loja aqui do lado. — por algum motivo me senti estranha, um pouco mal.
— Merda…
— O que foi?
— Nada não, deixa pra lá. — sorri e engatei em outra conversa, tentando não pensar que me senti mal por ele não ter vindo me procurar, o que é MUITO hipócrita da minha parte.
***
Voltamos para a cabana e decidimos almoçar, preparando macarrão com molho branco e champanhe, já que ficamos mais tempo do que deveríamos no centro comprando tudo o que sempre compramos quando viajamos para lugares novos, para guardar de recordação.
Sem uma programação em mente, cada uma decidiu ir para um canto descansar após o almoço antes de arrumar mais coisas para fazer.
— Deveríamos fazer uma trilha?
— Não, tá frio demais para isso.
— E pesca??
— Acho que não tem lagos por aqui.
— Podemos tomar banho de cachoeira!
— Ana, não tá sentindo o frio??
— Verdade, esquece isso. Que tal jogarmos verdade ou desafio?
— Isso só tem graça quando tem mais gente, e caras também.
— Podemos chamar o Benjamin!
— O que?? — me meto na conversa, deixando a base de unha de lado — De jeito nenhum.
— Aqueles que votam a favor de convidarmos o Benjamin, e pedir para ele convidar mais amigos para jogarmos verdade ou desafio, que levantem uma de suas mãos — Marina forçou uma voz grossa e se levantou, levantando a mão junto com Ana que tinham um sorriso grande no rosto.
— O QUE?? Por que isso do nada?? Não!! Eu voto contra!!
— Infelizmente a maioria venceu, então vamos procurar por mais aliados, Aninha. — elas se levantaram e eu não conseguia acreditar que realmente estavam fazendo aquilo.
— Se vocês saírem e voltarem com ele, eu juro que..
— A gente já volta!!
— Vamos caçar alguns gatos para pegar!!
Elas correram para o carro, entraram e saíram antes que eu conseguisse alcançar.
E eu não faço ideia de onde seria melhor me esconder.
***
Após vários e longos minutos em crise sem saber onde me esconder, decidi encarar a situação de frente.
Se eu continuar fingindo vou dar ainda mais motivos para que Marina e Ana me joguem para cima dele, então a solução é encarar de frente e mostrar como não sinto nada, como não vou sentir nada mesmo que ele me encare com seus olhos escuros, com seu rosto bonito e seu cabelo tingido de preto que combinou muito com ele.
— Aiii!! O que você está pensando, Penelope?? Esqueça tudo isso e foque em mostrar como está bem. Isso, foque nisso! — me levantei e troquei de roupa, vestindo uma saia de pregas cinza e uma blusinha rosa. Permaneci com as meias de gatinho que comprei no centro e que são super macias, sem medo do que ele poderia pensar, até porque eu não ligo.
Alguns poucos minutos se passam, e então ouço o som do motor se aproximando. Sinto meu coração acelerar e as minhas mãos suarem mas tentei acalmar meu coração, certa de que ficaria tudo bem e que elas não conseguiriam nada de mim.
Me levantei com o queixo erguido, caminhei até a porta da frente e a abri sem medo, e o que eu encontrei do outro lado me deixou surpresa.
— Will?? O que tá fazendo aqui? — vejo ele abrir um grande sorriso enquanto sai do banco de trás do carro de Marina.
— E aí, Pen! Como você tá? — Nos abraçamos e eu olhei para os lados à procura de mais presenças, mas ninguém além deles, nem Ana.
— Como isso acontece? Sério? É, o que, a segunda vez que nos encontramos em viagens?
— Terceira, na verdade. Encontrei ele no centro com o Marcos.
— O Marcos? Caramba. Vieram curtir o último fim de semana antes das aulas também? — entramos conformes conversávamos
— Sim, tava precisando, e nada melhor do que visitar velhos amigos, né.
— Ah, você tem amigos aqui?
— Sim, na cidade vizinha também, então viemos fazer um mutirão de visitas.
— Entendi, mas onde a Ana tá? Ela ficou no centro?
— Ela ficou de guiar os outros dois que estão vindo também. Ah! Falando neles! — mais um som de motor se aproximou.
— Outros meninos? Não me diga que o Brian veio também?
— Não, é o nosso amigo que mora aqui. — Fomos para o lado de fora e enfim o que eu estava esperando finalmente chegou.
Benjamin.
Amigos de infância que se afastaram. Um reencontro inesperado nas montanhas. Uma cabana quente repleta de sentimentos não expressados.
Penelope e Benjamin estão prestes a descobrir que precisarão decidir se o que um dia deixaram para trás deve ficar no passado. Ou se merece uma nova chance.
E, como se já não bastassem seus amigos cupidos, uma tempestade a caminho parece determinada a forçá-los a escolher.
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