Universo da obra
Universo da obra
A última notícia que recebi de Marina foi à meia-noite, dizendo que tudo só se resolveria pela manhã, e que ficariam em uma pousada ali mesmo no centro.
Agradeci mentalmente por isso.
Adormeci nos braços de Benjamin, ambos encolhidos embaixo de um cobertor macio e quente, e acordei sentindo seus fios longos e escuros fazerem cócegas no meu nariz.
O observei agarrado a minha cintura, com o rosto em meio aos meus seios descobertos. Sorri e o puxei para mais perto do meu rosto, o chamando baixinho.
E após alguns resmungos, suas íris escuras apareceram.
— Bom dia, dorminhoco.
— Bom dia, gatinha. — meu coração acelerou após lembranças da madrugada surgirem na minha mente. Senti meu rosto esquentar. — O que foi? Não tá mais atrevida igual estava a algumas horas atrás, gatinha?
— Para! — empurrei ele enquanto sorria de forma besta, mas sem sucesso, nem mesmo o mexi do lugar.
— Pode deixar, eu também gosto desse seu lado todo tímido, mesmo que eu saiba o que ele esconde. — seu rosto se aproximou do meu, colando nossas bocas em um selar simples, mas demorado.
— Temos que levantar, e arrumar essa bagunça, os outros podem chegar a qualquer momento.
— Tudo bem. — enrolamos por mais alguns minutos, e então nos levantamos e começamos a arrumar tudo.
Organizei a cama, me vesti e me assustei ao encontrar as camisinhas usadas.
— Ai meu Deus, achei que você tinha jogado fora — meu rosto corou, e Ben me olhou envergonhado.
— Desculpe, eu estava cansado depois de…gozar três vezes sem um tempo considerável de descanso. — seu rosto ficou mais vermelho que o normal, e eu achei uma graça, mesmo também estando na mesma situação a cada nova lembrança.
Descemos para a sala após arrumar toda a parte de cima, nos certificando de fazer um café da manhã e deixar tudo como mais ou menos estava.
— Você vai contar a elas?
— O que exatamente?
— Que nós dois…estamos juntos?
— Nós estamos? Não ouvi nenhum pedido — me virei de costas tentando conter o riso e a empolgação que surgiu em meu peito.
— Tem certeza? Eu jurei ter ouvido você me implorar para ir mais rápido. — me virei bruscamente, o vendo sorrir enquanto meu rosto ardia e meu coração acelerava mais e mais.
— Ta!! Tá bom, eu vou dizer sim, não precisa me explanar desse jeito. — cruzei os braços fingindo estar brava. Ele, notando o meu teatrinho, se aproximou e me puxou para perto.
— Desculpe, meu amor. Eu faço o pedido agora — ele finge segurar uma caixinha, a abra e me olha nos olhos — Penélope, depois de tantos anos separados, e ainda sim nutrindo sentimentos um pelo outro, você quer estar comigo em todos os nossos novos momentos? Que estar comigo em tudo o que estivermos destinados a fazer? Quer ficar ao meu lado, e me ter ao seu, independente da distância entre nós? Quer namorar comigo? — meus olhos já ardiam, mas impedi que as lágrimas descessem.
Eu esperava tudo, menos uma declaração desse tipo, quase como um pedido de casamento.
— Sim!! Eu quero estar ao seu lado, e ter você ao meu! — O agarro e abraço seu pescoço, sentindo ele me apertar.
Nos afastamos, com olhares e risadinhas apaixonadas, mesmo após tantos anos. Nos aproximamos e colamos nossos lábios mais uma vez, em um beijo lento e cheio de sentimentos.
Mas de repente fomos interrompidos por gritinhos que nos fizeram nos separar rapidamente.
— AI MEUS DEUS!!! VOCÊ TÁ VENDO ISSO, MARINA??? — Todos estavam ali, nos encarando com expressões de surpresa.
— Sim, e não tô acreditando… — Ben e eu nos olhamos, rindo envergonhados.
— É, parece que você não vai precisar contar.
Amigos de infância que se afastaram. Um reencontro inesperado nas montanhas. Uma cabana quente repleta de sentimentos não expressados.
Penelope e Benjamin estão prestes a descobrir que precisarão decidir se o que um dia deixaram para trás deve ficar no passado. Ou se merece uma nova chance.
E, como se já não bastassem seus amigos cupidos, uma tempestade a caminho parece determinada a forçá-los a escolher.
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