Universo da obra
Universo da obra
O susto que Benjamin tomou ao me ver chorar nem se compara ao susto que todos os outros tomaram ao perceber que nós dois estávamos sentados no chão, abraçados e com meus soluços preenchendo o silêncio que estava ali fora.
Mas com um pouco de água e cobertores quentes consegui me acalmar, não sabendo o que sentir primeiro: Vergonha por ter passado todos esses anos pensando que Benjamin não ligava para a nossa amizade e ligação quando, na verdade, a culpada havia sido meu eu confuso e triste de 16 anos, ou se era a vergonha de ter chorado sem parar na frente de todo mundo.
Marina preparou uma xícara de chá para mim, enquanto Will, Marcos e Ana ouviam Benjamin explicar tudo, o por que nos encontraram daquele jeito.
— Tá se sentindo melhor? — Marina sentou na cama de casal ao meu lado, me vendo observar todos lá embaixo.
— Sim, obrigada.
— Então realmente foi total erro de comunicação?
— Sim…— meu rosto corou.
— Caramba…mas não se preocupa, isso acontece até nos melhores relacionamentos.
— Marina…— a encarei de forma séria.
— Desculpa, cedo demais para piadinhas sobre um relacionamento inevitável — ela levantou as mão em rendição.
Tentei acertá-la com um travesseiro mas ela desviou e desceu a escada rapidamente.
Olhei para os outros mais uma vez, notando que o olhar de Benjamin passava por mim vez ou outra, me deixando ainda mais vermelha.
***
Marina e Ana decidiram sair para o centro na companhia dos meninos para comprar nossa janta, me jurando que não era uma armação para que eu e Benjamin ficássemos sozinhos por um momento.
Fingi que acreditei.
Decidimos que faríamos pizza artesanal, junto a mais um fondue doce, graças ao frio que estava fazendo já as 18:00.
Com as meninas e os meninos fora para comprarem as coisas, Benjamin e eu tinhamos algum tempo sozinhos.
Eu queria conversar, talvez colocar todos os pingos nos i's.
Desci para a sala onde ele estava mexendo no celular. Me aproximei devagar, ainda um pouco apreensiva.
— Posso sentar? — ele me olhou e sorriu.
— Sim, com certeza.
— Me desculpa, de novo…
— Pode parar, você não precisa mais se desculpar. Nós dois éramos adolescentes repletos de sentimentos à flor da pele. Aconteceu e não podemos mudar o passado.
— Verdade, tudo bem. — Encarei Minhas meias, pensando no que deveria dizer.
— Você..
— Você.. — dizemos ao mesmo tempo, o que nos fez rir.
— É, parece que algumas coisas não mudam. Lembro de sempre dizermos as mesmas coisas assim.
— Eu lembro! As pessoas ficavam impressionadas com a frequência que acontecia.
— Acho que é uma configuração de melhores amigos.
—É.. — senti meu coração acelerar após ele mencionar o “melhores amigos”
— Eu não quero parecer idiota mas também não quero mais nenhuma falta de comunicação entre nós dois, então.. — ele ri e balança a cabeça me dando espaço para continuar.
— Pode falar.
— Nós voltaremos a ser…sabe…melhores amigos? — não consegui olhá-lo diretamente, então encarei a estampa de caveira da sua camiseta preta.
— Bom, nós podemos sim, mas com uma condição
— Qual?
— Que você me avisesempreque qualquer coisa acontecer com você, não importa o que.
— T-tá, tudo bem. — meu coração errou uma batida mas me forcei a olhá-lo. — Eu prometo.
— Ok, eu prometo o mesmo.
— Ótimo.
— Ótimo. E nada de mentiras.
— Oi?
— Nada de mentiras, seremos verdadeiros um com o outro.
— Tá, tudo bem, isso é o básico mas tudo bem.
— Não, você não está cumprindo.
— O que? Como assim? — Olhei para ele, confusa.
— Está mentindo para mim nesse exato momento.
—E-eu não! Não estou mentindo, eu realmente quero voltar a ser sua melhor amiga!
— Não é sobre isso que eu to falando. — ele se aproximou perigosamente de mim me fazendo prender a respiração, mas como nada poderia ser fácil entre nós, de repente todas as luzes da cabana se apagaram de uma só vez.
— Ai MEU DEUS!!!! — pulei em cima dele, agarrando seu pescoço.
— Ai meu deus digo eu, Pen!! Tá quase me sufocando!!
— O que aconteceu??
— A energia acabou… e eu acho que sei o por que — me afasto dele e vejo para onde ele está apontando, nuvens muito escuras se aproximam, em nossa direção. — Uma tempestade.
Amigos de infância que se afastaram. Um reencontro inesperado nas montanhas. Uma cabana quente repleta de sentimentos não expressados.
Penelope e Benjamin estão prestes a descobrir que precisarão decidir se o que um dia deixaram para trás deve ficar no passado. Ou se merece uma nova chance.
E, como se já não bastassem seus amigos cupidos, uma tempestade a caminho parece determinada a forçá-los a escolher.
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