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Eline Vere

Universo da obra

Eline Vere

Capítulo 1 · Eline Vere

Capítulo I

Capítulo I Nota Literunico. Edição Literunico em português brasileiro preparada a partir da tradução inglesa de J. T. Grein, publicada em 1892 e em domínio público. O original neerlandês de Louis Couperus foi publicado em 1889. Mantiveram-se alguns termos de ambiente social e íntimo do fin-de-siècle, como boudoir, salon, peignoir, soirée, toilette, landau e ennui, quando sua presença ajuda a preservar o registro cultural da narrativa.

Eles estavam bem próximos uns dos outros na sala de jantar, que fora transformada em camarim.

Diante de um espelho estava Frédérique van Erlevoort, com os cabelos soltos, muito pálida sob uma fina camada de pó, as sobrancelhas escurecidas por um único traço de lápis.

— Ande, Paul, depressa! Assim nunca ficaremos prontos — disse ela, um pouco impaciente, lançando um olhar ao relógio.

Paul van Raat estava ajoelhado a seus pés, e seus dedos dispunham, desde a cintura dela, em pregas, um longo e fino véu de carmesim e ouro. A gaze pendia como uma nuvem sobre o rosa da saia; o pescoço e os braços, brancos como neve por causa do pó, ficavam livres e cintilavam ao brilho das correntes e colares cruzados uns sobre os outros.

— Ufa, que corrente de ar! Feche essa porta, Dien! — gritou Paul a uma velha criada que saía do quarto com os braços carregados de vestidos.

Pela porta aberta viam-se os convidados — homens de casaca, senhoras em trajes claros: passavam junto às azaleias e palmeiras do corredor, rumo ao grande salão; sorriam ao ver a velha criada e lançavam olhares furtivos para dentro da sala de jantar. Todos riam daquele vislumbre dos bastidores. Só Frédérique permanecia séria, consciente de que precisava sustentar a dignidade de uma princesa da Antiguidade.

— Depressa, Paul! — suplicou. — Já passa das oito e meia!

— Sim, sim, Freddie, não fique nervosa; você está pronta — respondeu ele, prendendo habilmente algumas joias entre as pregas de gaze de seu drapeado.

— Prontos? — perguntaram Marie e Lili Verstraeten, saindo da sala onde o palco fora armado: uma elevação misteriosa, quase apagada na penumbra.

— Prontos — respondeu Paul. — E agora, calma, por favor — continuou, elevando a voz e olhando ao redor com ar de comando.

O aviso era bastante necessário. Os três meninos e as cinco meninas que faziam as vezes de camareiras corriam pela sala, rindo, gritando, criando a maior desordem. Em vão Lili tentava salvar uma lira de papelão dourado das mãos do filho da casa, um menino de doze anos, enquanto os dois primos endiabrados estavam a ponto de subir por uma grande cruz branca que se erguia a um canto e que já cedia sob seus ataques.

— Saiam dessa cruz, Jan e Karel! Largue essa lira, você aí! — berrou Paul. — Tome conta deles, Marie. E agora, Bet e Dien, venham cá; Bet com o lampião, Dien à porta; todos os outros, fora do caminho! Não há mais espaço; assistam do jardim, pela janela do grande salão; de longe vocês verão tudo perfeitamente. Venha, Freddie, com cuidado; aqui está a sua cauda.

— Você esqueceu minha coroa.

— Eu a ponho quando você estiver na pose. Vamos.

As três moças se apressaram em sair; os meninos se agacharam num canto da sala, onde não podiam ser vistos, e Paul ajudou Freddie a subir ao palco. Marie, que, como Lili, ainda não estava drapeada, conversava através da janela fechada com o bombeiro, que esperava, todo embrulhado, no jardim coberto de neve, para acender a luz de Bengala. Um grande refletor espreitava pela janela como um sol pálido, sem brilho.

— Primeiro branco, depois verde, depois vermelho — gritou Marie, e o bombeiro assentiu.

O camarim, agora deserto, estava escuro, mal iluminado pelo lampião que Bet segurava na mão, enquanto Dien permanecia à porta.

— Com cuidado, Freddie, com cuidado — disse Paul.

Frédérique deixou-se afundar suavemente nas almofadas do divã; Paul ajeitou-lhe os drapeados, as correntes, o cabelo, o diadema, e colocou uma flor aqui, outra ali.

— Assim está bom? — perguntou ela com voz trêmula, assumindo a pose que estudara de antemão.

— Está deliciosa; belíssima! Agora, Marie, Lili, venham cá.

Lili atirou-se ao chão; Marie encostou-se ao divã, com a cabeça aos pés de Frédérique. Paul envolveu rapidamente as duas moças em xales e véus coloridos, e torceu fios de pedrarias em volta de seus braços e nos cabelos.

— Marie e Lili, façam cara de desespero. Torça mais as mãos, Lili! Mais desespero, muito mais desespero! Freddie, mais lânguida; vire os olhos para cima, ponha na boca uma expressão mais triste.

— Assim? — gritou Marie.

— Sim, serve! Melhor; agora quieta, Marie. Está tudo pronto?

— Pronto! — disse Marie.

Paul ainda ajeitou uma ou duas coisas, uma prega, uma flor, hesitando se tudo estaria certo.

— Vamos, comecemos — disse Lili, que estava numa posição muito incômoda.

— Bet, tire os lampiões; Dien, feche aquela porta e depois venham para cá, as duas, uma de cada lado das portas de dobrar do salão grande.

Ficaram todos no escuro, de corações batendo, enquanto Paul dava pancadinhas na janela e se juntava aos meninos no canto. Devagar, incerta, a luz de Bengala inflamou-se diante do refletor; as portas de dobrar abriram-se solenemente, e um claro fulgor branco iluminou o quadro.

Sorrindo e inclinando-se, enquanto a conversa, de súbito, se transformava num murmúrio abafado, os convidados comprimiram-se para a frente, no grande salão e no jardim de inverno, ofuscados por uma explosão de luz e cor. Os homens abriram passagem para duas moças risonhas. Ao fundo, os meninos subiam nas cadeiras.

— A morte de Cleópatra! — leu Betsy van Raat para a sra. van Erlevoort, que lhe passara o programa. — Esplêndido! Magnífico! — ouvia-se de todos os lados.

O antigo Egito parecia ter revivido no fulgor branco da luz. Entre tapeçarias luxuosas, percebia-se algo como um oásis: um céu azul, duas pirâmides, algumas palmeiras. Em seu leito, sustentado por esfinges, jazia Cleópatra, à beira da morte, com uma víbora enroscada no braço. Duas escravas prostravam-se em desespero a seus pés. A visão multicolorida de magnificência oriental durou alguns segundos; a poesia da Antiguidade ressuscitou sob os olhos de um público moderno.

— Aquela é Freddie — disse Betsy. — Que linda! — E apontou a rainha agonizante à sra. van Erlevoort, que estava deslumbrada com todo aquele luxo. Agora, porém, a mãe reconhecia a filha na bela estátua imóvel diante dela. — E aquela é Marie; e a outra... oh, é Lili... irreconhecível! Que trajes lindos! Que trabalho! Está vendo o vestido de Lili, violeta e prata? Fui eu que emprestei.

— Como representam bem — murmurou a velha senhora.

O fulgor branco da luz começou a vacilar; as portas se fecharam.

— Esplêndido, tia, esplêndido! — gritou Betsy, quando a sra. Verstraeten, a dona da casa, passou por ela.

A pedido do público, o quadro foi repetido duas vezes: primeiro num banho de verde-mar, depois em vermelho ardente. Freddie, com sua víbora, permanecia imóvel, e só Lili estremecia na posição forçada. Paul espiava de seu canto, com o rosto radiante; tudo corria bem.

— Como Freddie fica quieta! E tudo é tão rico, sem ser excessivo. Algo como um quadro de Makart — disse Betsy, abrindo o leque de penas.

— Sua filha se cansou da vida muito cedo, madame — ciciou o jovem de Woude van Bergh, inclinando-se em direção à sra. van Erlevoort, mãe de Freddie.

Depois da terceira repetição do quadro, a sra. Verstraeten foi ao camarim.

Encontrou Frédérique e Lili rindo enquanto se desembaraçavam dos trajes egípcios, procurando alfinetes sem fim em cada dobra.

Paul e Marie estavam nos degraus e, iluminados por duas criadas, desfaziam o vestido de Cleópatra. Dien se agitava de um lado para outro, recolhendo os drapeados caídos e as correntes espalhadas pelo chão. Os três meninos rolavam uns por cima dos outros sobre um colchão.

— Ficou bonito, mamãe? — gritou Lili.

— Ficou bonito, madame? — gritou Frédérique ao mesmo tempo.

— Lindíssimo! Eles gostariam de vê-lo outra vez.

— Outra vez! Ora, eu já estou quase morta — exclamou Lili; e deixou-se cair numa poltrona, atirando ao chão um grande embrulho que estava sobre ela.

Dien entregou-se ao desespero: naquele passo, nunca acabaria. — Lili, descanse um pouco — gritou Paul, do alto dos degraus, no outro cômodo. — Você vai se cansar naquela posição. Tia Verstraeten, diga a Lili que descanse — e atirou alguns tapetes coloridos para fora dos cordões em que estavam pendurados.

Dien continuou a dobrar. — Dien, lençóis brancos e tule branco para cá, depressa — gritou Marie.

Dien não a compreendeu e voltou com a peça errada. Então todos começaram a falar ao mesmo tempo, cada qual pedindo uma coisa diferente, e ergueu-se uma verdadeira Babel de confusão. No alto da escada, Paul fez um gesto de desespero, mas ninguém lhe deu atenção.

— Estou completamente acabado! — disse ele, encolhendo-se numa raiva impotente. — Ninguém faz nada. Tudo sobra para mim!

Madame Verstraeten, depois de pedir também a Lili que descansasse, fora avisar os criados que não se esquecessem dos jovens artistas. Em consequência, logo entraram os homens, trazendo grandes bandejas carregadas de copos de vinho e limonada, doces e sanduíches.

A confusão apenas aumentou. Os três meninos foram servidos de várias guloseimas sobre o colchão, em cima do qual um dos criados derramou um jorro de limonada. Marie saltou, tomada por uma torrente de fúria, e, com a ajuda de Dien, puxou rapidamente o colchão debaixo dos meninos para o quarto ao lado.

— Frédérique, venha ajudar aqui — gritou Paul, com a voz aguda de irritação.

Quanto a manter qualquer outro tipo de controle sobre os três rapazes, isso ele já abandonara como caso perdido. Pouco depois, no entanto, os barulhentos jovens fregueses foram expulsos do quarto por Dien, aos gritos, tropeçando uns nos outros.

Então houve um pouco mais de calma, mas todos faziam alguma coisa, exceto Lili.

— Que embrulhada! — murmurou ela para si mesma.

Sentou-se então e escovou os cabelos, ondulados e louro-cendré; feito isso, pegou a borla de pó de arroz e espalhou sobre os braços uma camada nevada. Dien voltou, quase sem fôlego, sacudindo a cabeça, mas com um sorriso bondoso no rosto.

— Dien, lençóis brancos e tule, depressa — gritaram juntos Freddie, Marie e Paul.

Paul desceu de seu posto na escada, colocou no estrado a grande cruz, cujo peso quase o esmagou, e, aos pés dela, dispôs o colchão e um aconchegante arranjo de almofadas.

— Dien, lençóis brancos e tule; todo o tule e toda a musselina que encontrar.

E Dien e as outras criadas trouxeram tudo: uma massa branca e macia.

Madame Verstraeten sentou-se ao lado de sua sobrinha, Betsy van Raat. Ela era casada com o irmão mais velho de Paul.

— Que pena Eline não estar aqui! Eu contava tanto com ela para preencher os longos intervalos com um pouco de música. Ela canta tão bem.

— Ela realmente não estava se sentindo bem, tia. Pode ter certeza de que está muito triste por não poder vir, em homenagem ao aniversário do tio.

— O que ela tem?

— Não sei bem. Nervos, acho.

— Ela realmente não deveria se entregar a essas crises. Com um pouco de energia, poderia vencer facilmente esse nervosismo.

— Bem, sabe como é, tia, esse nervosismo é a praga moderna das moças; é a epidemia fin de siècle — disse Betsy, com um leve sorriso.

Madame Verstraeten suspirou e assentiu com a cabeça.

— A propósito — disse ela —, suponho que as meninas estarão cansadas demais amanhã à noite para ir à ópera. Você gostaria de ficar com o nosso camarote?

Betsy refletiu por um instante.

— Tenho um pequeno jantar amanhã, tia; mas ainda assim gostaria do camarote. São apenas os Ferelyn e Emilie e Georges que vêm, mas os Ferelyn irão embora cedo porque a pequena Dora não está bem; assim, eu poderia ir facilmente com Emilie e Georges e chegar a tempo de ver um ato.

— Então está combinado. Mandarei os ingressos — disse Madame Verstraeten, levantando-se.

Betsy também se levantou.

George de Woude van Bergh estava a ponto de dirigir-lhe a palavra, mas ela não lhe deu atenção. Naquela noite, achava-o um tédio terrível; ele já lhe falara duas vezes e, em ambas, dissera a mesma coisa, alguma observação sobre os quadros-vivos. Não; nele não havia conversa alguma. E na noite seguinte também teria de encontrá-lo; que perspectiva deliciosa! O camarote da tia viera mesmo como uma bênção.

Lá estava seu marido, no jardim de inverno, junto de alguns cavalheiros — o sr. Verstraeten, o sr. Hovel, Otto e Etienne van Erlevoort —, eles conversando e ele ouvindo, o corpo pesado esmagando as folhas de uma palmeira, enquanto um sorriso meio estúpido brincava em seu rosto inexpressivo e bonachão. Oh, como ele a entediava! Achava-o insuportável. E que figura fazia de casaca! De sobretudo, ao menos, tinha uma aparência máscula.

Caminhando em sua direção, disse:

— Diga alguma coisa a alguém, Henk. Você parece um móvel nesse canto. Não consegue se mexer? Dá até a impressão de estar se divertindo. Sua gravata está toda torta.

Ele murmurou alguma coisa e tateou o próprio pescoço. Ela se afastou e logo estava à vontade no meio de um grupinho barulhento. Até a melancólica Madame van Ryssel, irmã de Freddie, fazia parte dele. Emilie de Woude era solteira e carregava seus trinta e oito anos com uma graça invejável: suas feições agradáveis e vivas encantavam todos os que a encontravam.

Parecia-se muito com o irmão mais novo, George, mas havia nela algo de cordial — um grande contraste com a cerimônia estudada dele. Atraindo os outros com suas anedotas divertidas, Emilie estava sentada, figura central de um pequeno grupo alegre. Contava justamente sua recente queda sobre uma placa de neve congelada, aos pés de um cavalheiro que permanecera imóvel, olhando-a fixamente, em vez de ajudá-la a se levantar.

— Imaginem só: meu manguito à esquerda, meu chapéu à direita, eu no meio, e bem diante de mim um homem me encarando, de boca aberta, tomado de espanto.

Ouviu-se o tilintar de uma sineta; Emilie interrompeu a história e fugiu de seu auditório. As portas de dobrar se abriram, e houve uma corrida geral para a frente.

— Não consigo ver absolutamente nada — disse Emilie, pondo-se na ponta dos pés.

— Venha aqui na minha cadeira, senhorita — gritou uma moça atrás dela.

— Você é um amor, Toos, de verdade. Permite-me passar, Madame van der Stoor? Sua filha veio em meu socorro.

Madame van der Stoor, que, sob pseudônimo, se entregava bastante à poesia, recuou um passo, com um sorriso acre nos lábios. Sentia-se um pouco chocada com o sans-gêne de Emilie; ela própria jamais tentava conseguir uma visão melhor: não era de bom-tom demonstrar um interesse pouco elegante pelo entretenimento. Emilie e Cateau van der Stoor logo estavam de pé sobre uma cadeira, segurando-se pela cintura.

— Ah, que bonito! — exclamou Emilie; e em seguida ficou em silêncio, tomada de atenção encantada.

Do meio das ondas de um mar espumante erguia-se uma cruz toscamente lavrada, de brancura marmórea, em torno de cuja base uma mulher frágil e clara se agarrava em agonia mortal, enquanto uma vaga palpitante de tule lhe cobria os pés; e, com a violência do desespero, seus dedos delgados se prendiam à Rocha dos Séculos.

— É Lili — ouvia-se aqui e ali.

— Que graciosa ela é, essa Lili! — sussurrou Emilie a Cateau. — Mas como consegue ficar pendurada assim? Como suporta isso por tanto tempo?

— Ela está cercada de almofadas; mas, ainda assim, deve ser muito cansativo — disse Toos. — Claro que não dá para ver nada das almofadas, senhorita.

— Claro que não. Mas está muito bonito; nunca vi nada tão poético antes... Diga, Toos, pensei que você também fosse participar.

— Vou participar, sim, mas só no último quadro, com Etienne van Erlevoort. Terei de sair logo para me vestir.

Rapidamente, ela desceu da cadeira.

A luz se enfraqueceu; as portas de dobrar se fecharam.

Aplausos ressoaram por toda a sala. Mas, pouco depois, repetiu-se a visão branca de espuma revolta, e um anjo pairou sobre a cruz, estendendo a mão à mulher desfalecida. Os aplausos cresceram cada vez mais.

— É claro que Marie outra vez não consegue manter o rosto sério — disse Emilie, sacudindo a cabeça. — Daqui a pouco ela vai cair na risada.

E, de fato, algo semelhante a um sorriso parecia tremer em torno da boquinha do anjo; o movimento nervoso das sobrancelhas contrastava de modo muito estranho com a expressão patética de suas feições. Embora fosse bastante evidente que os jovens artistas estavam cansados, nenhum deles conseguindo permanecer perfeitamente imóvel, o último quadro foi recebido com exclamações entusiásticas. Pediram bis uma e outra vez.

O quadro consistia numa representação alegórica dos Cinco Sentidos, cujos papéis eram desempenhados pelas quatro moças, vestidas com trajes ricos — tecido de ouro, brocado, arminho —, e por Etienne, irmão mais novo de Frédérique, que, vestido como menestrel, representava o sentido da Audição.

Os quadros-vivos estavam terminados. Eram agora duas horas, e o sr. e Madame Verstraeten recebiam os agradecimentos dos convidados à medida que estes se despediam.

— A senhora fica para a ceia com Cateau? — disse Madame Verstraeten a Madame van der Stoor. — Bem sem cerimônia, sabe.

Madame van der Stoor, porém, temia que fosse tarde demais; esperaria apenas por sua filha. Os jovens artistas, que haviam despido os trajes, entraram na sala e foram cobertos de agradecimentos pelos convidados que ainda restavam, enquanto Emilie tocava uma marcha ao piano. Como amiga íntima, ela ficou para a ceia com van Raat e Betsy.

— Você vem amanhã, não vem, Toos? O fotógrafo chega às duas — disse Marie.

— Sim — disse Cateau. — Estarei aqui.

Completamente exaustos, os jovens artistas se atiraram nas poltronas confortáveis do jardim de inverno, onde foi servida uma ceia delicada.

— O que foi mais bonito? O que foi mais bonito? — gritaram todos ao mesmo tempo.

Então houve uma manifestação geral de opiniões, ao acompanhamento dos pratos e garfos tilintando e do tinir dos copos.

Eline Vere

Sinopse

Romance de Louis Couperus, marco da literatura holandesa fin-de-siècle, em tradução brasileira Literunico preparada a partir da tradução inglesa de J. T. Grein, em domínio público. A edição acompanha o percurso íntimo de Eline entre salões, afetos, hesitações e a corrosão silenciosa de uma sensibilidade excessiva.

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LITEBN
LITEBN-978655093177830883983056
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