Universo da obra
Universo da obra
NOTA INTRODUTÓRIA
Os Bosques do Maine foi o segundo volume reunido a partir dos escritos de Thoreau após sua morte. Do material que o compunha, as duas primeiras partes já haviam sido publicadas. “Ktaadn e os Bosques do Maine” era o título de um artigo impresso em 1848 na The Union Magazine, e “Chesuncook” foi publicado na The Atlantic Monthly em 1858. O livro foi editado por seu amigo William Ellery Channing.
Foi durante seu segundo verão em Walden que Thoreau fez sua primeira visita aos bosques do Maine. Provavelmente foi em resposta a um pedido de Horace Greeley que ele redigiu, a partir de seu diário, a narrativa, pois o sr. Greeley se mostrara empenhado em ajudar Thoreau a colocar sua mercadoria no mercado. Em carta a Emerson, datada de 12 de janeiro de 1848, Thoreau escreve: “Li parte da história de minha excursão a Ktaadn, certa noite, para um público bastante numeroso de homens e meninos, que se interessou por ela. Contém muitos fatos e alguma poesia.” Ele ofereceu o artigo a Greeley no fim de março, e em 17 de abril Greeley respondeu: “Envio-lhe, conforme prometido, $25 por seu artigo sobre a paisagem do Maine. Sei que vale mais, embora ainda não tenha encontrado tempo para lê-lo; mas já tentei uma vez vendê-lo, sem sucesso. É um tanto longo para minhas colunas e refinado demais para o grande público; considero-o, porém, uma pechincha, e eu mesmo o imprimirei caso não consiga negociá-lo em condições mais vantajosas. Naturalmente, você não se julgará sob nenhuma espécie de obrigação para comigo, pois minha oferta foi feita como negócio, e recebi mais do que vale o meu dinheiro.” Mas esse amigo generoso e de espírito elevado pensava nos negócios de Thoreau, não nos próprios, pois em outubro do mesmo ano escreve: “Interrompo um silêncio de certa duração para informá-lo de que espero receber na segunda-feira o pagamento por seu glorioso relato de ‘Ktaadn e os Bosques do Maine’, que comprei de você por uma barganha de judeu e vendi à The Union Magazine. Devo receber $75 por ele e, como não pretendo exploiter você a esse ponto, insistirei em enviar-lhe mais $25 nesta carta, o que ainda me deixará $25 para pagar diversos encargos e trabalhos que tive ao vender seus artigos e conseguir que me pagassem por eles, sendo esta última, de longe, a parte mais difícil do negócio.”
A terceira excursão de Thoreau aos bosques do Maine foi realizada, em grande medida, com o propósito de estudar a vida e o caráter indígenas na pessoa de seu guia. Durante toda a vida ele se interessara pelos indígenas, e o sr. Sanborn nos conta, algo também evidente em seu diário, que era seu propósito ampliar esses estudos em uma obra separada sobre o assunto, para a qual reunira uma quantidade considerável de material, tanto de livros quanto de suas próprias observações. Após regressar do Allegash e do Braço Leste, escreveu ao sr. Blake, em 18 de agosto de 1857: “Agora regressei e creio ter feito uma viagem bastante proveitosa, sobretudo por ter convivido com um indígena inteligente.... De volta, apraz-me pensar que o mundo parece, sob certos aspectos, um pouco maior, e não, como de costume, menor e mais raso por eu ter ampliado meu raio de ação. Fiz uma breve excursão ao novo mundo em que o indígena habita, ou que ele próprio é. Ele começa onde nós terminamos. Vale a pena descobrir novas faculdades no homem, pois tanto mais divino ele se torna; e tudo aquilo que genuinamente desperta nossa admiração nos expande. O indígena capaz de encontrar seu caminho de maneira tão admirável nos bosques possui uma inteligência que o homem branco não possui, e observá-la aumenta tanto minha própria capacidade quanto minha fé. Alegra-me descobrir que a inteligência flui por outros canais além daqueles que eu conhecia. Isso resgata, para mim, partes daquilo que antes parecia bruto. É uma grande satisfação descobrir que suas convicções mais antigas são permanentes. Quanto ao essencial, nunca tive motivo para mudar de ideia. O aspecto do mundo varia de ano para ano, conforme a paisagem se veste de modo diferente, mas constato que a verdade continua verdadeira, e jamais lamento nenhuma ênfase que ela possa ter inspirado. Ktaadn ainda está lá, mas, com muito mais certeza, lá está minha antiga convicção, assentada sobre o mundo com amplitude e gravidade maiores que as de uma montanha, ainda fonte de correntes fertilizantes e oferecendo vistas gloriosas de seu cume, caso eu consiga tornar a subir até ele.”
Edição integral de Os Bosques do Maine, de Henry David Thoreau, em tradução brasileira Literunico feita diretamente do texto inglês de domínio público.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias do Livro como colaboração ao autor e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.