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Sylvvia Rubraurora

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31/0122:04
#desafio 365 dias

Dia 31 - Fale sobre um livro que fale sobre mágica ou que você considere mágico!

Esse tema foi o mais difícil, visto que, na verdade, são dois! E ambos me levaram a caminhos bem distintos. Digo mais: outra verdade é que começo esse texto sem saber de qual livro vou falar.

Explico-me: a primeira alternativa me fez lembrar de livros onde a "mágica" é possível. Lembrei logo de O Hobbit, de Tolkien; de vários livros de Neil Gaiman (luto); de várias HQ's, como Constantine; além da coleção de livros ambientados no universo de World of Warcraft (gamer detected).

Já a segunda alternativa me levou para o caminho de livros cuja a linguagem é mágica! Livros que eu considero mágicos são aqueles nos quais a linguagem é o próprio mundo. Lembrei de O Fio das Missangas, de Mia Couto; de A Via Estreita, de Alexei Bueno; de Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu (já trazido aqui).

Decido, então, falar de um texto que sequer lembrei ao iniciar: o conto "Natal na Barca" (1973), da maravilhosa Lygia Fagundes Telles.

O conto se passa na véspera de Natal, em uma barca que cruza o Rio Tietê. O narrador (que não tem o seu gênero definido) claramente está depressivo e fugindo de algo, e se depara com uma mulher que está na barca com seu filho doente. É um texto sobre a magia do Natal, mas também sobre a magia de ser empático, de ser humano, de deixar-se envolver pelo outro.

Esse conto é tão mágico, para mim, que uma vez eu levei para ler com meus alunos e, no fim, estávamos eu e alguns alunos de olhos lacrimejando. Super recomendo!
23/0119:09
#desafio 365 dias

Dia 23 - Poética da Maturidade

No mundo dos meus sonhos, você e eu teríamos um filho lindo. De cabelinho bem preto. E todos os fins de semana, você viria nos visitar. Sim, porque você e eu não moraríamos juntos. Eu seria uma mulher independente, dessas que moram num flat. Claro que quando nosso filho nasceu, tive que mudar para um dois-quartos. E você vem tão lindo para gente. Com esse sorriso lindo que só você tem, tão perturbador. Você toma nosso filho nos braços e ficamos assim brincando durante toda tarde no sofá. E nem me importo quando uma taça de sorvete mancha o tapete ou que nosso filho coma todas as besteiras que eu o impedi durante a semana. É tão lindo ver vocês melados de sorvete. À noite, ficamos o olhando por um tempo. A respiração calma, compassada. Ele dorme. Você e eu voltamos para sala. Enquanto isso, você me diz que estava com saudades. Eu acredito, porque eu também estava. Você mexe em meus cabelos. Me pede para narrar algo. Toca em minha nuca. Eu respondo que só se for uma cena de taverna. Com direito a live action. Eu olho para você e vejo o quanto ainda me perturba. Você me beija e eu beijo você. E este amor é o amor mais lindo do mundo, no mundo dos meus sonhos.

Mas, fora dele, crianças vomitam e sujam as fraldas e eu, que tenho ânsia de vômito só em pensar no cheiro enjoativo de talco, eu, que tenho dores de cabeça só em pensar no choro de uma criança me tirando de um sonho bom, eu, que confabulo tragédias quando tu te atrasas um pouco no trabalho e que não admito ter saudades, eu, que te quero todos os dias, por necessidade e por ciúme doentio, calculo os juros do meu cartão de crédito que atrasou.

Sylvvia Rubraurora