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Sylvvia Rubraurora

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03/0311:34
#desafio 365 dias

Dia 61 - Fale sobre um livro religioso ou que trate de religiosidade.

Resenha do livro "Escolhas", da escritora Dado Matins (insta: @martins.dado).

Comecei o livro sem ter muita ideia do que viria a ser um Romance Cristão, mas fui surpreendida com uma escrita leve (apesar de tratar de assuntos pesados), uma história envolvente (apesar de eu não ser uma pessoa religiosa) e com um posicionamento muito correto e corajoso da autora, diante de temas que muitas vezes são calados nas Igrejas (a despeito da denominação).

Luana, a protagonista inicial, passa por violência doméstica - André, o mocinho para se apaixonar, é um fervoroso crente e viúvo. A vida de ambos se ligam pelo acidente que levou a esposa de André. De início, a narrativa é contada pelo ponto de vista de ambos.

No decorrer da narrativa, vamos conhecendo outros personagens, como Ester e Tiago. Ela passou por abusos na infância e acreditava que nunca se abriria para o amor. Mas Deus tinha seus propósitos e bastava que ela lhe permitisse agir.

Como nem tudo são flores, alguns capítulos são contados por Pastor Jonas e estes em específico embrulharam meu estômago. Sim, o vilão da narrativa é um pastor que usa de sua posição de prestígio para encobrir seus crimes.

O curioso é que a história possui dois finais. Eu li ambos, porque sou curiosa! Gostei bastante dessa escolha narrativa, porém eu queria um terceiro final, autora!!!!

Sugiro esta leitura para quem gosta de romance que não explorem a sexualidade, para quem deseja uma palavra de esperança religiosa e para quem for curioso como eu e nunca nega a leitura de algo novo!
28/0220:35
#desafio 365 dias

Dia 59 - Nada mudou, Sylvia.

Ele me diz que lhe causo enxaqueca.

A minissaia vende minha coxa e sou consumo. Ou acham que sou. Repouso o copo entre minhas pernas e todos olham. Isso é Hollywood ou não é? Você não queria que fosse?

Mas ele diz que lhe causo náuseas.

E ela? Ela diz que quer ter carro e casa com vista para um iate. Eu pergunto com que bunda e ela me olha mortificada. Oi? Ela pensa que trabalhar oito horas diárias fora e mais as dezesseis restantes em casa não é ser fodida. Ela questiona como eu sou quem sou. Ela queria que eu fosse quem ela achava que eu deveria ser. Fo-di-da.

E o que penso é: sou a agonia dele?

Olha, a “menina dez” é porra-louca. Fez tattoo e se pintou. A menina dez não raspa o sovaco e você ri dela. Mas, para ela você, nem existe. Que diferença faz?

Ele vai falar comigo mais uma vez?

Eu piso na lama e meu coturno não encharca. A menina dez dança descalça na chuva e nem vai pegar resfriado. A burra-dou-a-bunda-oito-horas-pra-empresa chora pelo seu salto alto arruinado e as unhas, cujas cutículas ela arrancou, vão apodrecer.
Enxaqueca é a puta que pariu.

Pego o copo e cruzo as pernas. Todos olham de novo. Porra de Hollywood: isso é real, sem maquiagens.

Ela passou o fim de semana num cruzeiro. Voltou queimada e ardida. Mas de bunda descansada pra recomeçar.

A “menina dez” tirou zero. Ninguém entendeu o porquê. Mas ninguém se importou.

E ele continua lá, sol. E eu, inseto. Chego mais perto, e ele agora apenas lâmpada.

Mas morro do mesmo jeito.
16/0216:33
#desafio 365 dias

Dia 47 - Retalhos

Porque algumas pessoas têm o dom de tornar o mundo mais confuso, mesmo que não queiram. Era, justamente, o que eu tentava, sem sucesso, explicitar, quando encontrei mais ou menos isto confidencialmente perdido em uma rede social.

Claro que minha veia de escritora não me deixaria apresentar a frase como se fosse minha, mas também não seria justo recitá-la assim, como se exprimir o que eu sentia nas exatas palavras não fosse mérito meu.

Engraçado que eu, até ontem, transcendia, em poesia, o que era segredo. Uma forma de revelar-me em palavras que se fingiam endereçadas a todos que as lessem, quando, na verdade, havia um só destinatário. Eu escolhia os códigos e me esquecia em questionamentos se você os compreenderia.

Eu ria sozinha, imaginando situações prováveis, quando você perceberia, numa palavra-espelho, o seu rosto. Mas pra que pressa? Eu despedaçava o espelho em metáforas mil, para que seu trabalho de juntar os cacos se tornasse mais infértil e você desistisse. Afinal eu queria um mundo simples.

E sempre havia um quê de voz na minha apreensão, quando conversávamos. E essa frase também não é minha, porque o que me resta dizer, se o segredo já não há? A poesia sempre me foi dizer o que era preciso ser deixado no quase esquecimento. Quase. Quase porque uma lembrança, com um resquício de vida, ainda brinca por aqui.

O mais importante era que eu sou uma casa de cômodos repetidos. O poeta da rede social, de quem roubei os versos, que me desculpe, mas tudo que eu fizera, tudo que eu dissera, só havia significado uma coisa e uma coisa apenas. E eu não tenho como dizer isto melhor.