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Sylvvia Rubraurora

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LITERÁRIA

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16/0119:31
#desafio 365 dias

Dia 16 - Perguntas

Um dia me lançaram duas perguntas: 1. Se a criança que você era te visse/conhecesse hoje, o que ela provavelmente te perguntaria? 2. Se você encontrasse com a criança que você já foi, que pergunta faria a ela? Delas, nasceu o texto a seguir.

Aproximei-me.

Ela estava sentada em um canto estratégico da sala: se alguém por ali circulasse, não a veriam, mas, entre os braços da poltrona, dava para ver o desenho animado na tela. Observei por poucos instantes e decidi ir embora, pois não havia nada mais ali para mim. Dei de costas e foi quando ela me surpreendeu:

— Por que você não é bailarina?

Questionou-me de modo inocente. Me enraiveci. Tornei em sua direção, querendo explodir em gritos. Me contive um pouco e respondi com outra pergunta:

— E por que você não sai desse canto?

Ela se assustou e desatou a chorar. Me senti mal por isso, pois eu sabia toda a história. Agachei-me à sua altura e lhe estendi a mão.

— Vamos passear.

Fomos até o quintal. Dolores, nosso gato com nome de gata, corria e subia no coqueiro, depois desaparecia entre as plantas. Ficamos em silêncio, até que ela quis saber:

— A gente vai fazer tudo certo?

— Não — eu disse rindo. — Até porque fazer tudo certo é chato. Como acordar cedo.

Ela odiava acordar cedo.

— Desculpa por você não ser bailarina. — Ela conseguiu se expressar.

— Não se culpe. Culpa é um sentimento desnecessário e cristão. Não somos cristãs — me pus de joelhos, para ficar com meus olhos na altura dos dela. — Nós devemos nos sentir responsáveis, mas nunca culpadas.

Eu ainda ia falar mais, quando nossa mãe chamou da cozinha.

— Aproveite-a — eu disse, mesmo sabendo que ela o faria mesmo sem conselhos.

— Ela vai ficar com a gente, não é?

— É. Para sempre.

Sylvvia Rubraurora
11/0111:01
#desafio 365 dias

Dia 11 - Ela.

Queria falar para ela do novo cheiro em minhas mãos.

Era um cheiro tangível: uma fórmula alquímica que se fez forma e criou asas. Mas não fugiu. Sobrevoou-me e fez festa no ar e me inebriou e me entorpeceu. Era um cheiro que produzia outros aromas mais sutis. Cheiros, agora, meus. Só meus. Meus, embora, com ela, eu desejasse compartilhar meus sentidos; dizer-lhe essa minha percepção do cheiro: ampliando-o, amadeirando-lhe ainda mais, dando-lhe contornos, me tornando o continente.

Eu queria mesmo era confidenciar para ela a nova leveza do toque.

Era aquela vontade de marcar um café só para ela me olhar nos olhos e prestar atenção em mim. Porque nada mais importaria senão minha narrativa, minha descrição. E nossa discrição. Eu contaria a ela sobre o paradoxo dos pesos que aliviam os ombros. Dizer-lhe que, enfim, encontrei as fronteiras e estou sim rompendo ferro por ferro essas grades. Seria tudo sobre minha liberdade. E minhas descobertas, que também seriam dela ao final.

E tinha toda essa coisa do filtro Bordeaux.

Porque meus olhos se despediram dos tons cinza. Eles são agora todo orgasmo e o mundo se debruça sobre mim como se eu tropeçasse e derrubasse o vinho todo no carpete. Eu, o próprio carpete. Era para ela rir. Não das formas exatas, mas das minhas palavras que lhes davam textura. Era para ela ver a beleza que eu via. Ter, pelo menos por um minuto, a ingenuidade das minhas pálpebras, a inocência de meus dedos e o desejo de minha boca.

Mas ela preferiu ver com olhos dela, analíticos. E foi o fim.

Sylvvia Rubraurora
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07/0113:29
#desafio 365 dias

Dia 07 — Perfil das personagens da série De Presa a Deusa

Hoje eu quero falar um pouquinho mais dessas três deusas que dão voz aos meus três livros: ‘Sem Fôlego’, ‘Loucuras de um Luto’ e ‘Barbara & Cleber’.

Cláudia Toledo – Sem Fôlego

Cláudia é uma mulher inteligente, formada em Ciências da Computação pela UFPE. Sua história começa em 2018, quando ela tinha 32 anos e trabalhava como Analista de Softwares na empresa Soft American Solutions.

Herdou da mãe as feições negras e, do pai, olhos azuis. A primeira grande mudança em sua vida, foi quando se tornou órfã de mãe e foi morar com seu pai, um rico empresário russo.

Apesar de ser muito inteligente, interessante e bonita, tinha problemas em encontrar um homem decente. Nesta procura, ela encontrou Eirik — um homem que parecia perfeito.

E daí, a história de Sem Fôlego começa.
***

Milena Souza – Loucuras de um Luto

Milena é uma mulher que é “boa em tudo que faz”. Formada em Letras, especializou-se em idiomas e trabalha como tradutora, revisora e intérprete de LIBRAS na mesma empresa que Cláudia. Porém ela tem uma vida dupla e sequer seus amigos mais próximos imaginam o que ela faz nos fins de semana.

Morena, de cabelos lisos e com franja, ela é uma mulher magra, fruto de distúrbios alimentares na adolescência. Filha de feminista, sempre teve abertura para confidenciar à mãe todas as suas experiências.

Sua história se passa em abril de 2023, quando ela é chamada para depor, pois é a única suspeita de um crime. Nesse depoimento, ela conta sua trajetória de 2018 a 2023, quando ocorreu o crime.
***

Bárbara Lins ¬– Bárbara & Cléber

Bárbara Lins foi vítima de tráfico humano ainda na infância. Sobrevivente do ab*s0 se*ual sofrido, foi resgatada pela polícia federal quando tinha apenas oito anos.
Depois de passar uns meses em um orfanato, ela foi adotada por um casal que faz parte da Agência — uma organização secreta que luta contra o crime organizado — e foi levada para a Inglaterra, onde treinou para ser uma assassina de homens cruéis.

Branca, de cabelos castanhos com luzes em suas pontas, Bárbara é faixa preta em Krav Maga, porém sua verdadeira paixão se encontra no piano.

Sua história se passa em 2013, quando ela ainda tinha 19 anos. Sua missão foi se infiltrar na casa de um agente da polícia federal, fingindo ser uma diarista. O que ela não esperava era reencontrar o policial que a resgatou. E é a partir desse reencontro que sua narrativa começa.
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05/0112:09
#desafio 365 dias

Dia 05 - Cite um livro do seu autor favorito. Como você definiria o motivo de ser seu autor favorito e por que escolheu esse livro dentre os que ele já escreveu?

Difícil escolher um autor favorito porque tenho alguns. Para este post, vamos de Italo Calvino, pois, para mim, sua escrita é a mais inovadora e experimental em termos de romance. Nada nunca é tedioso ou “mais do mesmo”.

Mais difícil ainda é citar o melhor livro dele. Temos um Barão que mora nas árvores; um cavaleiro que, por inexistir, é o melhor dentre eles; um visconde que foi para guerra contra os “mouros”, mas leva um tiro de canhão e volta, literalmente, partido ao meio; um castelo onde as pessoas se juntam para, por meio de cartas de tarô, criar narrativas.

Porém, o que eu considero “melhor” é “Se um Viajante numa Noite de Inverno” porque ele leva a metalinguagem ao extremo e brinca com as ideias de leitura e escrita. Nele, nós — leitores — vamos acompanhar a história do Leitor que tenta ler o novo romance de Italo Calvino, mas que por meio de interrupções (não direi quais para não dar spoiler) é levado a começar outros livros. Então cada capítulo do livro é um novo começo de livro!

O outro motivo de eu escolhê-lo é porque acredito que é o melhor começo de livro que eu já li. Segue um trechinho para vocês conferirem:

“Você vai começar a ler o novo romance de Italo Calvino, ‘Se um viajante numa noite de inverno’. Relaxe. Concentre-se. Afaste todos os outros pensamentos. Deixe que o mundo a sua volta se dissolva no indefinido. É melhor fechar a porta; do outro lado há sempre um televisor ligado. Diga logo aos outros: ‘Não, não quero ver televisão!’ Se não ouvirem, levante a voz: ‘Estou lendo! Não quero ser perturbado!’ (…) Regule a luz para que ela não lhe canse a vista. Faça isso agora, porque, logo que mergulhar na leitura, não haverá meio de mover-se. (…) Procure providenciar tudo aquilo que possa vir a interromper a leitura. Se você fuma, deixe os cigarros e os cinzeiros ao alcance da mão. O que falta ainda? Fazer xixi? Bom, isso é com você.”