wilcipolli
@wilcipolliMadrugada
Ao longe, enquanto repouso em minha cama, ouço carros e caminhões na pista. O som do arrasto na lataria aerodinamicamente imperfeita ecoa por toda a periferia. Minha mente se lança a cada cabeça pensante que pilota seu veículo — vindo de um lugar, indo a outro — seguindo uma infinidade de destinos distintos.
Insônia.
Aquela sensação de estar ouvindo algo que já não deveria.
Meus olhos clamam pela junção das pálpebras, enquanto estas se recusam ao contato, sustentando uma espécie de amor platônico: desejam, quase cedem, mas resistem ao próprio abraço. Como se amassem mais a ânsia do encontro do que o tédio da posse.
Por que não um café? Por que não um cigarro? Nada melhor do que uma pequena autodestruição para tornar prazerosa a ruína iminente.
Não fumo mais. O café exigiria preparo.
E, ao passo que meus olhos mal querem olhar, quem dirá minhas pernas andarem ou minhas mãos se moverem.
Prefiro este estado. Um confortável limbo filosófico.
Fico à janela, observando ao longe o vento açoitar os bambuzais, que esvoaçam como cabelos num contraste entre a penumbra e o céu iluminado por uma lua minguante exageradamente brilhante.
Ah.
Agora percebo: este cenário está nos meus sonhos.
Talvez eu já esteja dormindo — ou quase.
Ao longe, enquanto repouso em minha cama, ouço carros e caminhões na pista. O som do arrasto na lataria aerodinamicamente imperfeita ecoa por toda a periferia. Minha mente se lança a cada cabeça pensante que pilota seu veículo — vindo de um lugar, indo a outro — seguindo uma infinidade de destinos distintos.
Insônia.
Aquela sensação de estar ouvindo algo que já não deveria.
Meus olhos clamam pela junção das pálpebras, enquanto estas se recusam ao contato, sustentando uma espécie de amor platônico: desejam, quase cedem, mas resistem ao próprio abraço. Como se amassem mais a ânsia do encontro do que o tédio da posse.
Por que não um café? Por que não um cigarro? Nada melhor do que uma pequena autodestruição para tornar prazerosa a ruína iminente.
Não fumo mais. O café exigiria preparo.
E, ao passo que meus olhos mal querem olhar, quem dirá minhas pernas andarem ou minhas mãos se moverem.
Prefiro este estado. Um confortável limbo filosófico.
Fico à janela, observando ao longe o vento açoitar os bambuzais, que esvoaçam como cabelos num contraste entre a penumbra e o céu iluminado por uma lua minguante exageradamente brilhante.
Ah.
Agora percebo: este cenário está nos meus sonhos.
Talvez eu já esteja dormindo — ou quase.
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