§§§
Minhas raízes ao teu corpo
afagos deslizar.
Tuas linhas o tempo,
curvas e caminhos.
Sob Clara Lua.
Desvios, atalhos e desejos.
Lagos línguas,
suspiro sopros, arrepio ventos.
Aroma pele
amor ao ar pairam.
Almas a se doar.
§§§
JJr.
Terra Fértil
São férteis essas terras tupiniquins. Daqui brotam os melhores artistas, e como belas videiras desabrocham suas belas obras.
Elas crescem. Crescem como lendas colossais, nos alimentam com o doce mel de suas estranhas mentes. Marcam nossas almas a ferro quente e se tornam imortais para todo o sempre.
E a cada novo broto que surge, surge porque deles vem a semente. Surge porque dessa terra a arte nasce aos montes.
Ah, quanto ouro há nessa terra farta. Quantas raras pedras aqui nasceram. Os outros que lutem para nós alcançar, pois um só dos nossos bota o mundo todo abaixo.
Pois essa arte não é qualquer uma. Essa arte é brasileira.
#Desafio 184
Coração sem norte
bate em desalinho
no peito
onde a sorte
desaprendeu o caminho.
O pêndulo
(frouxo)
oscila
entre o querer que queima
e o temer que paralisa.
Minhas rotas:
borradas
falham
em traços dispersos
desenhados por dedos trêmulos
num vidro
embaçado de dúvidas.
No meio do voo
abandonei minhas asas
por impulso
por susto
por poesia.
Girei em falso
num céu de cacos
onde nenhuma estrela
permanece.
Mas há um fio
tênue
teimoso
que não se parte no vendaval.
Não há névoa
nos olhos da minha alma.
Eles seguem:
verdes
nítidos
obstinados.
o único par que me enxerga
sem disfarces
que me acolhe
quando sou espinho.
Esse olhar
me ancora
me amarra no chão
me acende
me aflora
me refaz
em canção.
E eu cubro de volta
sem medo
sem fuga:
me aquieto
no amor.
Sempre vou.
Cr💞s Ribeiro
Minha cara amiga
como nós sabemos
quem já conheceu o fundo
ama a superfície
não precisa de montanhas
conselho nunca foi gratuito
nem uísque
nem outras coisas boas
mas daqui de longe
te mando um telegrama
que diz
seja você mesma
diga não quando necessário
e beije sua vida
e seus amores
o resto
é só enredo
Edu Liguori
<h5><span style='color: #00aaff;'>: Ideia:</span> Inebriar a alma.</h5>QZZLIT4ZXQLeia a ideia completa: <a href='https://www.literunico.com.br/ideas/inebriar-a-alma-68670fe6b6cb7'>Clique aqui</a></p>
Traduzido automaticamente do inglês.
Ver original
<h5><span style='color: #00aaff;'>💡 Ideia:</span> Inebriar a alma.</h5><p>Leia a ideia completa: <a href='https://www.literunico.com.br/ideas/inebriar-a-alma-68670fe6b6cb7'>Clique aqui</a></p>
Cavalo Brasil
Que voraz armadilha se meteu,
o selvagem alazão,
que pelo canto estrangeiro
se deixou levar
para as profundezas da servidão!
E mesmo já tendo escapado,
passou a porteira
com as cores do império
que lhe escravizou!
E mesmo livre de novo,
foi preso de novo,
por um novo nem tão novo assim!
E livre foi feito de bobo
pelo homem de verde,
de mão nada amiga,
mas braço bem forte:
batia no lombo,
batia o chicote!
Mas novamente o cavalo viu a liberdade.
Será liberdade?
Ou só pasto novo com cerca mais longe?
Será liberdade ou só dono novo?
Espero algum dia
que esse velho cavalo
alcance um futuro mais livre que o hoje!
#Desafio 182
*Atração*
Cada poro
do meu corpo
pressente você,
te convidando a amar,
exalando feromônios no ar.
Meus olhos,
a te fitar,
brilham como estrelas
ao vê-lo devolver-me um olhar.
Você acende pra mim
em meio à multidão.
O Universo
em conspiração.
Você, minha constelação.
Nossa mágica
em fusão.
Nossos corpos magnéticos:
atração.
MarU
#Desafio 183
A balança entre nós
Se encontraram uma vez,
na esquina torta do destino
um com o peito pra dentro,
outra, querendo colo divino.
Ele pesava o mundo em silêncio,
ela gritava com olhos de luz.
Ele: introspecto,
ela: explosão que seduz.
Na balança dos dois,
não havia medida justa:
ela queria mimo,
ele, caverna e busca.
Amaram-se num relâmpago,
que cortou o tempo em dois.
Ela queria ser tocada com palavras,
ele, calava depois.
Ela: sobrecarga de afeto.
Ele: superproteção.
Dois excessos opostos,
dançando na contramão.
Ela queria atenção inteira,
ele, amar sem se expor.
Dois pesos de uma moeda,
que só gira na dor.
Hoje, ele carrega suas culpas,
feito pedra na alma, discreto.
Ela finge não doer, mas chora
por um abraço completo.
A balança nunca equilibra
quando um ama em silêncio
e o outro em voz alta demais.
Mas ainda assim, ambos pesam:
no mesmo coração,
em lados opostos
do cais.
Cr💞s Ribeiro
Livro: Da minha aldeia vejo quanto a terra
Autor: Alberto Caeiro
Lançamento: Início do século XX (em domínio público como parte dos heterônimos de Fernando Pessoa)
Da minha aldeia vejo quanto a terra é um dos poemas mais representativos da filosofia de Alberto Caeiro. Nele, o poeta afirma que não é preciso viajar para conhecer o mundo — basta olhar verdadeiramente para o que está ao redor. A partir de sua aldeia, ele sente que vê o mundo inteiro, porque enxerga com atenção e presença. O poema é um elogio ao olhar simples e atento, à valorização do lugar em que se está, e uma recusa da inquietação que busca fora o que já existe dentro do momento vivido.
#domíniopúblico
#Clássicos
Livro: Da mais alta janela da minha casa
Autor: Alberto Caeiro
Lançamento: Início do século XX (em domínio público como parte dos heterônimos de Fernando Pessoa)
Da mais alta janela da minha casa é um poema em que Alberto Caeiro expressa sua visão contemplativa do mundo. Do alto, ele observa a realidade com distanciamento sereno, sem buscar significados ocultos ou transcendentes. A janela funciona como metáfora da consciência do poeta: aberta, silenciosa, voltada para o que existe. Mais uma vez, Caeiro reafirma sua crença de que ver, aceitar e sentir são atos completos — a poesia está no que é, não no que se imagina.
#domíniopúblico
#Clássicos
Livro: Creio que irei morrer
Autor: Alberto Caeiro
Lançamento: Início do século XX (em domínio público como parte dos heterônimos de Fernando Pessoa)
Creio que irei morrer é um poema de tom sereno e direto, no qual Alberto Caeiro aborda a morte sem medo, mistério ou drama. Fiel à sua visão naturalista, ele a encara como um fato simples da existência — tão natural quanto viver. Não há desejo de eternidade nem angústia metafísica; apenas a aceitação tranquila de que a vida segue seu curso. O poema reflete sua filosofia de que tudo o que existe nasce, passa e desaparece — e isso é perfeitamente suficiente.
#domíniopúblico
#Clássicos
Livro: Como um grande borrão de fogo sujo
Autor: Alberto Caeiro
Lançamento: Início do século XX (em domínio público como parte dos heterônimos de Fernando Pessoa)
Como um grande borrão de fogo sujo é um poema em que Alberto Caeiro observa o pôr do sol de forma crua e desromantizada. Ao descrevê-lo como um “borrão de fogo sujo”, o poeta rejeita a idealização poética comum e reafirma seu compromisso com a realidade tal como ela é. Para Caeiro, a beleza não precisa de adorno ou significado profundo — ela existe mesmo nas imagens imperfeitas e nos fenômenos mais banais. O poema é mais um exemplo de sua poética da simplicidade e da aceitação do mundo sem filtros.
#domíniopúblico
#Clássicos
Livro: Como quem num dia de verão abre a porta de casa
Autor: Alberto Caeiro
Lançamento: Início do século XX (em domínio público como parte dos heterônimos de Fernando Pessoa)
Como quem num dia de verão abre a porta de casa é um poema que expressa a leveza e naturalidade com que Alberto Caeiro encara a vida e a escrita. O gesto simples de abrir a porta num dia de verão simboliza sua atitude diante do mundo: direta, descomplicada e sem pretensão. Caeiro não busca grandes verdades — ele apenas observa, sente e escreve como quem respira. O poema reafirma sua crença de que a verdadeira poesia está nas coisas simples e nos momentos vividos sem esforço.
#domíniopúblico
#Clássicos
Livro: Bendito seja o mesmo sol em outras terras
Autor: Alberto Caeiro
Lançamento: Início do século XX (em domínio público como parte dos heterônimos de Fernando Pessoa)
Bendito seja o mesmo sol em outras terras é um poema que exalta a universalidade da natureza. Alberto Caeiro celebra o fato de que o sol que brilha sobre ele é o mesmo que ilumina lugares distantes e desconhecidos. Essa constatação, longe de despertar nostalgia ou desejo de viajar, reforça sua visão de contentamento com o aqui e agora. O poema reflete sua filosofia de que tudo o que existe é suficiente por si mesmo — e que a realidade, em sua simplicidade, é o que há de mais sagrado.
#domíniopúblico
#Clássicos
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