literunico
@literunico
Supernova

Brilhando, feito Macabéa
O segundo de uma estrela
Mas não dela, não inteira
Era o clarão que engana
Uma explosão que devora
E o escuro que proclama

Como supernova, grita,
Luz que atrai e consome
Um vortex de escuridão
Que ninguém sabe ao certo
Se faz sem luz ou se esconde
Fagulha eterna no vão

O brilho, tua última farsa,
Faz do mundo testemunha
Enquanto tragava toda arte
O que havia de essência
Mas quem brilha tão voraz
Do que mesmo se compunha?

Por que o mundo engole
Fazendo de nós só fagulhas
Para iluminar o que some
Criando nas almas injúrias
A mesa estando já posta:
Sendo o caos de que abandona

Que a vida não seja só isso
Que a fonte ilumine o caminho,
E não o medo de pesadelos
Que ofusquemos sem consumir
Que sejamos sóis duradouros
E não tragédia aos alheios

A estrela sumiu no céu vasto
Mas que a morte ocupe o vazio:
Nem toda escuridão é ausência
Nem toda luz é um abrigo
Que sejamos parte do cosmos
Além da espera do fim