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#Dia 310

Assombro

Surgiu calado, à margem da vigília,
Fez-se presença antes de ser vislumbre.
Assombro vestiu na própria pele, a matilha
Habitando a espreita que oculta o deslumbre.

É lâmina fria que afaga e desconcerta,
O brilho estranho em olhos sem memória.
Não pede crença, apenas se desperta
Como um sussurro herdado de mais uma história.

Nem dor, nem júbilo, um contente espanto,
Um passo hesita, a alma, enfim, suspende,
Mistura rara de temor, sabor e encanto.

O tempo cede ao que jamais se entende.
Assombro é o limiar entre o riso e o pranto.
A sombra onde reluz o que nos surpreende.

Eder B. Jr.
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