literunico
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#Dia 330

Desventura

Nasceu da fenda onde o acaso tropeçou,
Filha bastarda da sorte esquecida.
Desventura, em silêncio, começou
A sussurrar ruínas à própria vida.

Não clamou justiça, nem vil redenção,
Apenas carrega o que não foi dado.
Seu nome é um sopro na contramão,
Um fado sem canto, exílio calado.

Onde a esperança ensaia o alvorecer,
Ela passa e a luz se despede.
Desventura não teme perecer,

Pois já veio do que se perde.
Por mais que tente, sem poder ver
Não conseguirá nada que enverede.

Eder B. Jr.