literunico
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#Dia 344

Alvoroço

Na alvorada, um calhamaço de ideias,
Como asas que se decidem voar.
Alvoroço é a sinfonia suspeita
Aflita pressa a se desenrolar

À vista, lampejos de incêndio,
Na fala, um verbo sem fim.
É o tumulto, tormento dos nervos,
Vertigem, torvelim.

Não há pausa, não há medida,
Só o ímpeto que nos distrai.
Alvoroço é moinho da vida
Quando a calmaria toda se esvai.

E quando enfim, ao fim se dissipa,
Resta o resto do que não cessou:
O mundo, mudo, muda ao que grita,
Dentro da alma, o amor que se amou.

Eder B. Jr.